QUANDO O ENTENDIMENTO É O MELHOR CAMINHO...
O ano era 1997, uma sexta feira à noite, no centro espírita Amor e
Luz, Kleber e Amanda, recém casados, foram conhecer e participar da reunião do
estudo sistematizado da doutrina espírita a convite de uma amiga, ao chegarem
lá notaram que já conheciam algumas pessoas e se sentiram bastante a vontade.
Kleber estava dando seus primeiros passos a caminho da luz redentora do
espiritismo, já Amanda, não deu prosseguimento por não ter se interessado muito,
apesar de gostar e procurar ler livros sobre assuntos espirituais.
O tempo passou, Kleber e Amanda se separaram, continuaram a ser
amigos, porém sem ter mais contato freqüente, a partir daí ele seguiu estudando
e se aperfeiçoando nos ensinamentos divinos, o que o ajudou a dar passos largos
quanto a sua reforma íntima. Adquirindo mais conhecimentos passou a participar
de varias reuniões e de estudos diversos como cursos em outras casas espíritas,
até se tornar um orador. Falava com facilidade e possuía um conhecimento que
vinha de outras passagens e também de suas estadias no plano espiritual,
durante os períodos na erraticidade. Começou a notar que realmente os conhecimentos
fluíam com naturalidade, inclusive a mediunidade. Certa vez, quando num domingo
chuvoso, dia que Kleber não gostava de sair de casa para poder dormir e
assistir a TV começou a sentir umas sensações estranhas e uma vontade
irresistível de sair de casa, só não sabia para onde e nem com quem conversar,
foi ai que resolveu sair e, ao chegar ao ponto de ônibus, pensou, pensou e
resolveu ir ao bairro que havia nascido e se criado, a casa de um amigo de
infância, todavia, como procurar alguém com um tempo daquele? Ao chegar à casa do
amigo, recebido com estranheza, pelo fato de não ser esperado, começou a
conversar e, para sua surpresa e tristeza, o amigo lhe informou que um amigo em
comum havia desencarnado de forma trágica: Foi assassinado. Kleber não pensou
duas vezes, pegou um táxi e partiu para a casa da família do amigo desencarnado
para saber o que realmente havia acontecido, ao chegar lá consolou seus amigos
e familiares do amigo desencarnado na tentativa de amenizar-lhes a dor. Soube
dos fatos e, despedindo-se dos que sempre considerou, prometeu que levaria o
nome do amigo a casa espírita que freqüentava e faria uma oração por ele,
devido ao sentimento de amizade que nutria pelo desencarnado. Apenas para
lembrar, era um domingo e a reunião de desobsessão era na próxima quarta, o que
causou espanto foi o fato de certo mal estar não passar, parecia uma angustia
que Kleber não sabia dizer o que era e nem o motivo, que perdurou até o dia da
reunião. Ao chegar ao centro, cumprimentou aos amigos e pediu que fizessem uma
prece para seu amigo desencarnado na hora do contato mediúnico, foi feito e,
para espanto seu, durante a oração um espírito se manifestou e perguntou o que
estava acontecendo com ele, porque estava em certo local sendo cobrado se seu
algoz não estava ali para ser cobrado também, Kleber manteve-se em oração e
ainda não achava se tratar do amigo desencarnado, porém ao final da conversa
entre o amigo e um irmão que o estava orientando veio a certeza diante de tal comentário:
“gostaria de perguntar se posso
voltar aqui”? O irmão que o estava orientando disse que
se fosse da vontade de Deus ele poderia voltar sempre que quisesse e, quem
sabe, para trabalhar na casa. Veio então a surpresa: “gostaria de agradecer ao amigo “pezão” (como ele chamava o amigo encarnado) e
deixar um abraço”. Kleber ficou
emocionado e começou a chorar calmamente, permanecendo em oração. Terminada a
reunião o irmão que havia orientado seu amigo desencarnado, perguntou-lhe: “E
ai Kleber, será que era seu amigo”? Sem “pestanejar” Kleber respondeu que não
tinha dúvida alguma, até porque nunca havia comentado sobre seu amigo ali na
casa e muito menos ele teria, sequer, passado perto dali, e ainda falou seu
apelido dado pelo amigo desencarnado. Kleber, ao ir embora, notou que o peso
que sentia havia passado de forma total, não sentia mais nada e, a sensação que
tinha, era de alivio e bem estar.
Passado isso sua Fé e suas certezas aumentaram ainda mais, até que um
dia foi intuído por um irmão espiritual para que escrevesse sempre que
possível. Ele, a principio, não entendeu muito bem e achou que se tratava
somente de animismo, mas, começou a exercitar sua escrita em qualquer lugar
sempre que sentia vontade sem se preocupar com organização, o que não era adequado
por se tratar de um trabalho mediúnico ou até mesmo missão para a descoberta de
um novo trabalho que se descortinava em sua vida. Cuidado é sempre bem vindo. O
tempo passou e as coisas foram acontecendo naturalmente até que Kleber conheceu
Arthur, jovem estudante do espiritismo, em uma casa espírita onde estava
freqüentando a pouco e os dois fizeram uma amizade somente dentro do centro,
pois moravam longe um do outro. Arthur contou-lhe fatos de sua vida que
deixaram Kleber interessado em seus relatos, ao ponto de os dois marcarem um
encontro para somente conversarem sobre tais fatos. Arthur então lhe contou
que, certa vez em uma festa, ele estava bastante animado, tomando suas
cervejinhas, dançando, contando piadas e brincando com pessoas quando uma das convidadas
da festa sentiu-se mal e caiu no chão desacordada, todos a acudiram e, ao
retomar a consciência, começou a falar com voz diferente e um estranho olhar
tomou a direção de Arthur desferindo palavras de baixo calão e até mesmo de
situações que ele havia vivido. Em principio Arthur ficou nervoso com a
situação, pois era um momento de descontração e ele não tinha experiência em
lidar com aquele fato que, por vezes, só vivenciara na teoria dos estudos
dentro da casa espírita e através das leituras de livros edificantes. A menina
continuou desferindo ofensas e não tirava o olhar de Arthur, o que lhe dava
ainda mais a certeza de ser com ele aquela conversa desagradável, contudo,
pediu que as pessoas se afastassem e levou-a para dentro da casa, com a ajuda
dos donos do recinto, onde começaram um diálogo mais próximo e direto.
Notava-se tratar de um Espírito desencarnado, porém para isso havia a necessidade
de certificar-se do fato para que não corresse o risco de passar ainda mais vergonha,
foi quando perguntou ao espírito (?) quem ele era, da seguinte forma: “Meu irmão, você me conhece”? Às
gargalhadas e detendo um ódio profundo, o Espírito respondeu-lhe o seguinte: “irmão? você tem coragem de me chamar assim? Fez o que fez
comigo e tem a petulância
de se aproximar de forma ordinária? Ainda que tenhamos tido uma aproximação sanguínea eu não te dou o direito
de me afrontar dessa forma, és um covarde ambicioso e eu vou te destruir, você vai ver.” Arthur não entendia do que se tratava, só imaginava que poderia ser
algum obsessor comum, transeunte de locais como festas, ruas... Mas porque ele
falou de aproximação sanguínea, questionou a si próprio, para sua surpresa o Espírito
lhe relatou coisas de sua infância que até ele havia esquecido, como um tombo
de um muro ao tentar pegar pipa na rua onde morava, a partir daí percebeu se
tratar de alguém que queria vingança, entretanto, como não possuía experiência
e condições psicológicas devido a sua pouca idade e o local também não era o
mais adequado, desculpou-se com seus amigos donos da casa e foi embora. Assim
que saiu o Espírito não demorou e foi-se também. Na semana seguinte Arthur foi
ao centro conversar com o Sr José, pessoa bondosa e que o ouvia e orientava
sempre que necessitava de algo, relatou tudo que havia ocorrido e seu desconforto
emocional após o fato, o que era até natural devido ao desequilíbrio
psicológico causado pelas circunstâncias, foi ai que o Sr José lhe convidou a
participar da reunião de desobsessão, reunião essa que Arthur ainda não
participava devido aos seus conhecimentos serem acanhados para entender tal
trabalho. Ele foi, estava emocionalmente desorientado, certamente pela obsessão
que estava sofrendo, mas ao chegar a casa no dia da reunião algo emocionante
lhe aconteceu: ao entrar, chegara mais cedo para orar, começou a chorar copiosamente
e foi tomado por uma emoção muito grande ao ponto de ter em sua mente um nome
bastante falado, o que, de certa forma, o acalmou e deixou-o feliz, mas ele não
sabia do que se tratava. O nome era Levir. Ele, a principio, não conhecia nenhum Levir e nem sabia de alguém
que se chamasse assim. Passou mais algum tempinho e as pessoas foram chegando
para a reunião, Sr José o chamou para sentar-se a mesa e os trabalhos começaram
a prece de abertura, feita após a leitura de uma página de um livro de estudos,
já deixou uma leve impressão do que vinha a ocorrer na parte principal dos
trabalhos. O Espírito que o interpelou na festa se manifestou e disse que não
adiantava Arthur cercar-se de ninguém porque ele não o deixaria em paz. Era
vingança mesmo! Para que os fatos fossem elucidados o Espírito comunicante foi
devidamente orientado, embora não quisesse saber de nada que fosse correto e de
bondade, Sr José perguntou de quem se tratava para que pudessem entender o que
ele queria, foi quando a resposta veio desafiadora e deseducada, porém Sr José,
mesmo sendo uma pessoa educada e do bem, não permitiu que o comunicante
crescesse em atitudes e colocou-o em seu lugar para que soubesse do que se
tratava, foi quando ele calou-se e passou a ouvir o velho e sábio Sr bondoso,
porém firme e astuto. Começou assim, sua oratória: “Vou tratar-lo como quer, não aceitas que lhe chame de irmão porque tens uma revolta trazida
de longa data, assim percebo, caso queira relatá-la posso ouvi-lo desde que se comporte como
um Espírito desencarnado que está precisando de algum tipo de ajuda, compreendeu? O Espírito comunicante, sempre agressivo, tentou atacar Arthur com
palavras ofensivas e palavrões, mas sempre vigiado por Sr José foi controlado,
prosseguiu sua comunicação e, mais calmo, quando surpreendeu a todos ao relatar
seu sofrimento. Antes de prosseguir, gostaria de relatar um breve resumo da
vida de Arthur, breve porque o jovem tinha apenas 24 anos de idade. Seguinte:
Arthur, filho de pais trabalhadores e detentores de posses devido à herança de
antepassados, nascido em bairro de classe média alta, estudou em bons colégios,
falava inglês, fez natação por mais de dez anos, viajou por mais de quatro
países, era uma pessoa de muitas dúvidas, tudo que fazia não sabia se iria dar
certo, todavia, ao deparar-se com certezas que possuía resolveu buscar conhecimentos
no espiritismo devido a visão crítica que em outra religião ele não
encontraria, foi ai que encontrou seu caminho. O que ele não sabia é que ali
começava uma busca por si mesmo, estava prestes a conhecer situações e coisas
novas que, para uma pessoa consumista e materialista, que gostava de mandar em
tudo, não imaginava o que lhe aconteceria e muito menos que o ajudaria a ser
uma pessoa melhor, mesmo que através do sofrimento que era conseqüência de seus
próprios atos passados.
Segundo seus pais, desde cedo Arthur se mostrava “mandão”, não gostava
que suas ordens fossem descumpridas, ainda mais quando era acometido de uma dor
insuportável oriunda de uma úlcera
gástrica. Só elogiava quando entendia que a
pessoa gostava dele, porém, havia algo de diferente em sua personalidade, era
bom de coração, tinha o hábito de ajudar pessoas que estavam em situações de
dificuldade o que parecia ser contraditório, mas eram indícios da preparação
que teve no período pré-encarnatório. Vinha de vidas com dívidas ativas, aliás,
quem de nós não as tem? Voltando ao Espírito comunicante: “Eu sofri e sofro até hoje, não havia motivos para ele ter feito
o que fez, enganar-me durante anos dizendo que gostava de mim e preparar um
plano mirabolante para roubar-me os bens, como fez com maestria. Eu era
detentora de muitas terras que meus pais haviam deixado, nas quais trabalhei de
sol a sol para fazê-las produzir, e isso aconteceu. Éramos produtores de café e
gerávamos muitos empregos para famílias desafortunadas, meus pais eram muito
bons e ajudavam a muita gente, até que um dia ele faleceu de problemas
cardíacos e, minha mãe, como era apaixonada por ele, não agüentou e foi-se
também dois anos após. Foi ai que ele se aproximou de mim, pois era meu primo
em primeiro grau, seu pai era irmão do meu, e prometeu me ajudar porque as
responsabilidades eram muito grandes, muito negócio a ser organizado e foi ai
que aceitei, no começo ele foi extremamente atencioso e me mostrava tudo o que
fazia, com o passar do tempo, comecei a estranhar que os valores arrecadados
com a plantação e venda do café estava cada vez mais baixa. No entanto eu
adoeci, fiquei completamente dependente da cama devido às dores de estômago que
a cada dia intensificavam-se e ficavam fortíssimas ao ponto de eu não agüentar
mais, e vir a falecer. Quando acordei, ainda com dores muito fortes, notei que
o local onde estava era de intensa calmaria, porém não entendi o que havia
acontecido comigo, cheguei a achar que estava acordando de uma cirurgia e
tentei me comunicar com pessoas mas não havia ninguém que pudesse me orientar.
Comecei a andar com muita dificuldade até que me deparei com pessoas
conversando ao redor de um lindo lago, foi quando perguntei onde estava, para
minha surpresa uma dessas pessoas era meu avô materno Levir que havia falecido
quando eu tinha 12 anos de idade, e perguntei: “Como pode ser a senhor vovô, se
estou com 47 anos de idade e a senhor faleceu quando eu era criança”? Ele,
amavelmente respondeu: “Minha amada netinha, estou Feliz em reencontrá-la e a
resposta para sua dúvida virá de você mesma”. Aconteceu algo que eu senti de instantâneo: ”Vovô, aquele livro que li sobre vida após a morte tem algo
haver com isso”? Ele respondeu,
beijando-me a face: “Sim minha
filha, não imaginei que entenderia tão rapidamente”.” Você desencarnou”! “Mas não te desesperes porque
estás em um lugar bastante agradável, as pessoas que aqui habitam estão nas
mesmas circunstâncias que você, precisam se recuperar e seguirem suas vidas”. “De
pronto me desesperei e parti em busca de não sei o que, fui em desespero a um
lugar que me era familiar guiada pelo meu sofrimento. Era um bairro visinho ao
que eu morava, ali estava meu primo Jarbas. Quando eu o vi percebi que suas
idéias e intentos haviam triunfado, ele me envenenou aos poucos para ficar com
minha herança e ninguém percebeu nada devido aos “cuidados” que teve em
colocar, diariamente, porções de veneno em minhas refeições, assim ninguém desconfiaria
de nada. Foi o que acabou acontecendo. Descobrindo a trama macabra, passei a odiá-lo
de forma mortal e iniciei um processo de obsessão mesmo sem saber o que era e
como fazer, tentei bater em sua face e foi ai que notei que a cada tentativa eu
não conseguia, porém ele se incomodava com as investidas”. “Fiquei anos a
atormentá-lo e, quando notei que podia fazer isso, diante das suas fraquezas e maldades,
percebi que ele adoecia a cada dia devido a uma dor de estômago fortíssima e
veio a falecer após sete anos de perturbação de minha parte. Quando ele morreu
fui tomada por uma espécie de sonolência e perdi totalmente a noção das coisas
acordando num lugar asqueroso, levada por pessoas de aparências horrorosas e
mal cheirosas que me ensinavam coisas tenebrosas. Não fui maltratada, mas o
local era um verdadeiro inferno, logo percebi que tive atenção total devido as
minhas intenções que eram de me vingar de meu primo. Mas como fazer isso se não
sabia como encontrá-lo? Veio a informação dos detratores ao dizerem-me o seguinte:
“Vamos até seu primo, sabemos onde ele está”. Não pensei duas vezes e parti em companhia
deles até chegar a um local escuro e de muitos gritos, para minha surpresa vi Jarbas
agachado como se estivesse defecando, mas era de dor, seu estômago lhe
atormentava através de sensações sofríveis, mas não tive pena alguma e parti
para o ataque. Ele não se movia e me dizia coisas horrorosas do tipo: “Você era
fraca nos negócios e iria levar tudo a falência, por isso tive que tomar a
frente das coisas”. Respondi agressiva: “Mas nada era seu, meus pais
deixaram-me os negócios como herança depois de uma vida inteira de trabalho,
seu canalha”. A ambição de Jarbas era incontrolável e enquanto encarnado não
media esforços para obter coisas. “Continuei a obsediá-lo até que um dia, quando voltei de uma
ida a um local de organização de detratores, ele havia sumido e daí não o vi
mais. Fui encontrá-lo encarnado como Arthur por informações daqueles que
queriam que eu continuasse a maltratá-lo, por isso estou aqui para me vingar”. Mas qual é o seu nome, perguntou o amável Sr José? Respondeu-lhe o
Espírito: “Me chamo Josefa”! “Então querida, estás mais
aliviada por ter desabafado”? “Confesso que sim Sr José, ainda mais com seu
afeto e peço desculpas por ter sido deselegante com uma pessoa tão bondosa”. “Porque não se livra desse
sentimento que a atormenta tanto”? “Não percebes que estás fazendo o mal também
a si própria”? “Sim, confesso que estou profundamente angustiada e sofrível,
até porque são anos de tormenta devido a covardia do Jarbas, hoje Arthur”. Vamos fazer um trato, sugeriu Sr José? Respondeu com certa
curiosidade, Josefa: “Que trato”?
“Porque não aceitas a ajuda dos amigos que ai estão para que possas ser levada a
um lugar abençoado, sem sofrimento e de recuperação”? Antes de ela responder um Espírito pediu passividade, sendo permitido
por Sr José: “Quem deseja falar, perguntou amavelmente”: “Deus seja louvado e continue a
abençoar a todos nós”. Iniciou o
Espírito comunicante: “Chamo-me
Levir e sou avô de Josefa e Jarbas, hoje, Arthur”. “Venho para ajudar a ambos
e, principalmente a ela, para que desista de se atrasar na senda da evolução, o
que aconteceu foi uma história de triste desfecho, porém diante de tais ensinamentos,
acredito que ambos já tenham conhecimento suficiente da situação para que tomem
atitudes mais elevadas no perdão e, conseqüentemente, sigam seus caminhos sob a
orientação de nosso mestre Jesus”. Sr José
agradeceu ao irmão desencarnado e disse que ele teria sido
importantíssimo e se poderia encaminhar Josefa a um local de atendimento
fraterno. Levir respondeu de pronto: “Estou
aqui para isso, aliás, venho a tempos tentando orientar a Josefa para que não
continuasse em tais investidas, acho que só depende dela”. Josefa tomou a conversa e respondeu: “Querido
vovô, acho que estou muito cansada e dolorida de tanto querer vingança, agora
entendo que será importante para mim ser levada pelo Sr a algum lugar que possa
me cuidar”. ”Repito minha amada neta, estou contigo todo esse tempo para essa
finalidade, sendo assim, podemos ir”? Sim,
respondeu aliviada e cansada sem deixar de agradecer ao Sr José: “Obrigada
meu amigo bondoso, devo-lhe muito”. Sr José, de pronto retrucou: “Não me deve absolutamente nada, essa minha tarefa, meu “pagamento”
é vê-la bem”. “Mas antes de partir, gostaria de saber como fica seu sentimento
em relação a Arthur”? Ela, como que sem
entender a rapidez dos acontecimentos, respondeu somente de forma racional: “Não quero mais me perturbar perturbando a ele, espero que faça
algo de bom para pessoas necessitadas para que entenda o que passei”.
Atento a tudo, Arthur chorava de forma verdadeiramente jubilosa e
prometeu a Deus, em oração, que quando saísse dali pediria aos seus pais que
lhe doasse em vida parte da herança a que tem direito, pois iria reverter em
ajuda a crianças portadoras de câncer e abandonadas pelos pais. Para sua
surpresa, antes de partir, Josefa, lendo seus pensamentos, falou com ele: “Acho que todo sofrimento pelo qual passamos serviu e dará
frutos, sua atitude e louvável. Siga em frente”. Saídos da
reunião aliviados, todos os envolvidos ouviram de Arthur: “Chegou a hora de eu começar
meu trabalho: “Servir ao próximo”. Passados seis anos, Arthur veio a desencarnar devido a úlcera no
estômago e seus pais deram continuidade ao trabalho que ele havia iniciado
construindo uma casa de caridade, intitulada:
“Casa de Arthur”.
Mas, diante dos fatos ocorridos e da
certeza que todos tinham sobre a importância de se livrarem do sentimento de
vingança, o que faria Kleber a partir de então? Talvez ele também tivesse algo
a colaborar e os pais de Arthur pudessem colaborar.
Iran Damasceno

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