Aí vem o dia das mães e, consequentemente, mais presentes. Mas elas merecem, não é mesmo?...
Mal sabia coronel Feliciano que um dia a sua fazenda de cacau daria tantos frutos financeiros a sua quarta geração, após anos e anos plantando e colhendo esse fruto tão cobiçado, através do suor dos "negões" que trabalhavam de sol a sol, por vezes sendo chicoteados e sem direito a saborear as iguarias que esse fruto propicia. A partir da revolução industrial as coisas ficaram mais fáceis (para os patroes) e os proprietários de fazendas de cacau puderam acelerar e aumentar a produção, causando assim o que vemos hoje: Uma enxurrada de produtos industrializados a nos brindar com as iguarias deliciosas e insubstituíveis, aos bolsos e bocas dos comilões.
Mas o que é melhor: Os "marketeiros" e vendedores se alastraram pelo Brasil a dentro e se tornaram ingredientes inseparáveis das religiões pelo fato de estarem para as datas comemorativas, assim como o Zico está para o Flamengo e o Roberto Dinamite para o Vasco. Inseparáveis! Certa vez, ao chegar a casa de um amigo, o vi sentado ao computador, com uma barra de chocolate ao lado, pesquisando sobre informações de quando, onde e como Jesus iria "voltar", parti então para as celebres perguntas: Qual o motivo dessa preocupação? Importa saber se ele vai ou não voltar? Se ele ressuscitou, onde está? E quem o viu, o avistou em Espírito ou em carne e osso? Daí se deu uma agradável discussão...
Voltando ao coronel Feliciano, ele certamente está entre nós, talvez como o dono da Nestlé, quem sabe, nos brindando com as suas delicias e contornando suas ações diante de uma personagem marcante que hoje "simboliza o renascimento do Cristo", através de um simples coelho que, sequer põe ovo e muito menos de chocolate. Não diga a uma pessoa de "fé" que a páscoa não é importante porque estarás "comprando uma briga feia" diante dos preceitos religiosos, saibamos que na maioria das vezes o que importa é o simbolismo e não as ações benfazejas vindas do coração, estamos atrelados a dogmatismos e atitudes personificadas para expressarmos a nossa fé sem nos darmos conta que a prestimosa atuação direta no bem, diante do estudo e pesquisas, por exemplo, é que nos levam a lugares mais abençoados.
Já dizia um "veterano do bem", sem posses e grandes influências sociais, que não se importava com títulos, riquezas, atitudes de autoafirmação, que a maior e melhor maneira de chegarmos a algum lugar seguro é trilhando o caminho da riqueza espiritual e, quanto aos tesouros da terra, utilizando-os de maneira equilibrada e sem a dependência psíquica e física. Já devemos saber de quem se trata, não é mesmo?
Reconheço que o texto acima é de baixa qualidade instrutiva, sendo assim, não deixaria de brindar ao leitor do blog com um texto mais elevado em relação a informação e banhado de uma crônica agradável e bem humorada. Fiquemos com o qualificado Luis Fernando Veríssimo!
DÚVIDAS PASCAIS
"- Papai, o que é Páscoa?
- Ora, Páscoa é... bem... é uma festa religiosa!
- Igual Natal?
- É parecido. Só que no Natal comemora-se o nascimento de Jesus, e na Páscoa, se não me engano, comemora-se a sua ressurreição.
- Ressurreição?
- É, ressurreição. Marta, vem cá!
- Sim?
- Explica pra esse garoto o que é ressurreição pra eu poder ler o meu jornal.
- Bom, meu filho, ressurreição é tornar a viver após ter morrido. Foi o que aconteceu com Jesus, três dias depois de ter sido crucificado. Ele ressuscitou e subiu aos céus. Entendeu?
- Mais ou menos... Mamãe, Jesus era um coelho?
- Que é isso menino? Não me fale uma bobagem dessas! Coelho! Jesus Cristo é o Papai do Céu! Nem parece que esse menino foi batizado! Jorge, esse menino não pode crescer desse jeito, sem ir numa missa pelo menos aos domingos. Até parece que não lhe demos uma Educação Cristã! Já pensou se ele solta uma besteira dessas na escola? Ave Maria!
- Mamãe, mas o Papai do Céu não é Deus?
- É filho, Jesus e Deus são a mesma pessoa. Você vai estudar isso no catecismo. Chama-se a Trindade. Deus é PAI, FILHO e ESPÍRITO SANTO.
- O Espírito Santo Também é Dus?
- É sim.
- E Minas Gerais?
- Sacrilégio!!!
- É por isso que a Ilha da Trindade fica perto do Espírito Santo?
- Não é o Estado do Espírito Santo que compõe a Trindade, meu filho, é o ESPÍRITO SANTO DE DEUS. É um negócio meio complicado, nem a mamãe entende direito. Mas quando você for no catecismo a professora explica tudinho!
- Bom, se Jesus não é um coelho, quem é o coelho da Páscoa?
- Eu sei lá! É uma tradição. É igual a Papai Noel, só que ao invés de presente ele traz ovinhos.
- Coelho bota ovo?
- Chega! Deixa eu ir fazer o almoço que eu ganho mais!
- Papai, não era melhor que fosse galinha da Páscoa?
- Era, era melhor, ou então urubu.
- Papai, Jesus nasceu no dia 25 de dezembro, né? Que dia que ele morreu?
- Isso eu sei: na sexta-feira santa.
- Que dia e que mês?
- ?????? Sabe que eu nunca pensei nisso? Eu só aprendi que ele morreu na sexta-feira santa e ressuscitou três dias depois, no sábado de aleluia.
- Um dia depois.
- Não, três dias.
- Então morreu na quarta-feira.
- Não, morreu na sexta-feira santa... ou terá sido na quarta-feira de cinzas? Ah, garoto, vê se não me confunde! Morreu na sexta mesmo e ressuscitou no sábado, três dias depois!
- Como?
- Pergunte à sua professora de catecismo!
- Papai, por que amarraram um monte de bonecos de pano lá na rua?
- É que hoje é sábado de aleluia, e o pessoal vai fazer a malhação do Judas. Judas foi o apóstolo que traiu Jesus.
- O Judas traiu Jesus no Sábado?
- Claro que não! Se ele morreu na sexta!!!
- Então por que eles não malham o Judas no dia certo?
- É, boa pergunta. Filho, atende o telefone pro papai. Se for um tal de Rogério diz que eu saí.
- Alô, quem fala?
- Rogério Coelho Pascoal. Seu pai está?
- Não, foi comprar ovo de Páscoa. Ligue mais tarde, tchau.
- Papai, qual era o sobrenome de Jesus?
- Crist. Jesus Cristo.
- Só?
- Que eu saiba sim, por quê?
- Não sei não, mas tenho um palpite de que o nome dele era Jesus Cristo Coelho. Só assim esse negócio de coelho da Páscoa faz sentido, não acha?
- Coitada!
- Coitada de quem?
- Da sua professora de catecismo!!!"
"ÀS VEZES, A ÚNICA COISA VERDADEIRA NUM JORNAL É A DATA." (Luis Fernando Veríssimo; escritor, jornalista, humorista e cronista brasileiro, 1936)
Iran Damasceno.

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