"Ser só não e estar em uma ilha, mas sim ser uma ilha".
Aos dois anos de idade, quando andando de cabeça baixa num corredor estreito, Moly não sabia que o motivo para tal gesto se tratava do peso das questões inconscientes a lhe animar a alma para que iniciasse a sua trajetória, nesta vida. Ela não era triste, apenas estava em especial momento de sua eternidade para resgatar seus pensamentos mais profundos quanto as suas alegrias e agruras, objetivando chegar ao inconsciente de maneira menos sofrível. A jornada era longa mas, diante da sua tenra idade, a criança boa e esperançosa jamais imaginaria o que iria enfrentar. O tempo passou e as situações de vida se avolumavam de experiências felizes e, por vezes, desagradáveis mas assim ela poderia receber os frutos das suas plantações, feitas em momentos pretéritos. Ela não era só e muito menos infeliz, apenas estava confusa com a enxurrada de estímulos e ansiedades da vida, e assim as mais diversas condições se apresentavam à sua frente fazendo com que a confusão mental fosse uma forma de impeditivo. Mas sabemos que a vida não e isso, certamente que esses impeditivos momentâneos eram apenas provas as quais a jovem e promissora portadora de sonhos e conhecimentos estava sendo submetida, para que no momento certo pudesse desabrochar a sua inteligência e assim ajudar ao progresso do mundo, ainda que contribuindo somente com o mais próximo e consigo mesma.
Não devemos entender que aqueles que são sós são infelizes, pois podemos estar na contramão da realidade por um simples motivo: Todo caminhante é uma "ilha". Pode parecer pequenino mas, atentemos para a profundidade, por vezes, que a parte inferior desse montante de terra, no meio do oceano, pode ter pela sua caminhada antiga pelos campos da alma humana, condicionado as suas próprias vontades e entendimentos. É o ser de larga experiência movimentando-se de maneira mais tranquila e introspectiva, apenas. Voltando ao corredor não sabemos onde ele vai dar na cabeça de Moly, pois a mesma é sonhadora e persistente em suas empreitadas remissivas e otimistas, mesmo estando completamente confusa com as suas potencialidades e pelo fato de suas ações e pensamentos estarem estagnados diante de uma sociedade tão conturbada e consumista de coisas palpáveis.
Em sua chegada a adolescência Moly pode ver que se tratava de um momento crucial de aprendizado mas, diante do moldar do seu corpo, objetivando espaço para seu Espírito, percebeu que a solidão batia a sua porta mas ela não se incomodava por estar sempre rodeada de pessoas, portanto a solidão com a qual ela se deparou não foi física mas sim a de se voltar para seu intimo e assim poder começar a redescobrir-se, partindo então para as experiências mais maduras, se comparadas a sua infância, certamente que essas vivências já estariam contribuindo para o seu caminhar na estrada da vida e também serviria para alertá-la que outras vivencias, mais poderosas e difíceis, estariam lhe aguardando. É o inicio da dor que redime.Não deixou de sonhar, jamais. Trafegou pelos campos da senhora Natureza e foi assim se descobrindo e redescobrindo em suas tentativas ora de cabeça baixa, ora de cabeça erguida mas, sempre caminhando. Fases da vida e advindas, também, das suas experiências mal sucedidas. Fortaleceu-se então e foi em direção aos sonhos só que não entendia, ainda, como enveredar pelos caminhos certos para chegar ao que buscava, sendo assim, diante do seu cansaço natural, resolveu estagnar no meio da estrada, levando suas ações e pensamentos para o acostamento da alma, objetivando não ser atropelada pelos transeuntes competitivos. Era quase impossível, naquele instante de sua vida, após ter convivido com tanta gente e aprendido com os erros próprios, principalmente, foi então que resolveu atacar ao seu mais temido "inimigo": Seu inconsciente. Como foi difícil de achar o ponto de partida, passou então a perceber o que mais lhe incomodava na vida, como isso lhe tocava o intimo, pra que isso estava acontecendo e as respostas vieram de maneira fragmentada talvez para que não fosse abalroada pelos sustos que geralmente tomamos quando a vida nos cobra o que estamos devendo a nós mesmos. É assim mesmo que ela pensava e sabia, ao ponto de ter feito um "acordo" com a Natureza: Pediu a nobre e excelentíssima mãe de tudo e de todos que lhe mostrasse o caminho perdido para que ela pudesse seguir e não ser derrotada pelo seu próprio fracasso. Estava ali mais uma vitima de si mesmo, "sorte" sua o fato de jamais acreditar no acaso e, diante disso, poder caminhar em busca da Moly que estava perdida dentro dela mesma. Os sonhos de caminhante jamais serão apagados e a caminhada continuará para que a transeunte das ações mais benditas, que é a caminhada da vida, possa se dar de maneira positiva.
Iran Damasceno.

Nenhum comentário:
Postar um comentário