segunda-feira, 20 de outubro de 2014

"O Pensar Está Dentro do Vaso"?




"Estamos mais depravados quando nos estatizamos em subversões próprias e sociais, quanto as ideias pluralizadas. Somos narcísicos dependentes do outro e famintos dos "bolos prontos" que são vendidos em apenas uma padaria". Iran.


Falando em Genetom Moraes Neto, me lembrei de sua citação sobre Paulo Francis: "O jornalismo está chato, pois só "pode" falar sobre o que vê a olho nu". Seria uma crítica do Paulo sobre o que não podemos ou sobre o que não queremos? Está chato mesmo os caminhos do "COM VERSAR". Ninguém pensa mais ou pensamos o mundo sob a ótica de nós mesmos e de nossos aprisionamentos? Voltamos aos costumes e "limitações" dos seres que pintavam nas pedras das cavernas, as suas ideias? Se sim, talvez devamos repensar ou pensar (?) pois ainda que daquela maneira, limitados pela ausência da fala e da escrita, dávamos o nosso recado sem a preocupação de sermos mal interpretados, de maneira que hoje, diante das ideias aceitas sem se quer darmos opinião, estamos diante de um impasse que é a busca incessante dos "produtos industrializados", aqueles que compramos e acreditamos na data de validade. Seria um primitivismo disfarçado de modernidade? Seria então o provincianismo escondido na alma dos que preferem a indústria ao campo? Mas aí haveria uma inversão ou uma tentativa desenfreada de busca ao que não queremos ver e sentir? Teria o ser uma volúpia reprimida, recalcada e disfarçada de ação? O pensar saiu de moda e deu espaço ao dançar os funks depravantes e degenerativos da alma humana? Seria mais fácil nos expormos diante de um objeto perdido dentro de nós mesmos e acabamos externalizando-o de maneira sem precedentes racionais? Como anda o cérebro, anestesiado pelas drogas modernas, ante ao que está surgindo e as insatisfações que não estão sendo observadas quando externadas? O ser humano se liberta das correntes do preconceito, moderadamente, mas se aprisiona nas conversões burras e materialistas do que constrói a vida. Está difícil de saber.
Está tudo tão "certinho", não? Eu sou um objeto dentro de um vaso que, ao ficar pequeno ou velho, logo sou trocado de envoltório mas, diante das minhas limitações em observar o todo e principalmente as minhas possibilidades, logo sou transferido para outro vaso que, vale lembrar, estou sempre NO VASO. A única coisa que não poderia e nem deveria ser aprisionada no vaso seria o pensamento, pois se assim for, será que mais a frente não poderíamos deixar de sermos dependente dos vasos? O que é modernidade, insistentemente eu pergunto, a mim mesmo? Os carros estão modernos e potentes mas, o que eu faço? Eu entro dentro de um e saio em direção a algum lugar, todavia será que eu saio de mim mesmo para adquirir o saber ou fico dentro desse objeto que transporta corpos, de um lugar a outro, e assim me perco no narcisismo destruidor não só de corpos, mas de mentes estáticas e doentes por consequência? Onde está o saber fora dos livros e das salas de aula? Onde está a vontade independente dos estímulos anestesiantes, apregoadas pelas tribos dominantes?

Será que as rupturas dos laços maternais estão sendo realmente feitas? Ou necessitamos das tetas alimentadoras não somente da necessidade fisiológica da fome e também da segurança dependente?

Iran Damasceno.

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