domingo, 11 de dezembro de 2011

" O Provinciano Da Última Hora "


Querido leitor:

Quando criança, em um bairro de pequeno porte na zona norte do Rio de Janeiro, na década de 1970, "Chico" notou que o progresso não estava tão em evidência quanto ele queria, observava na tela da TV, em preto e branco, uma série de coisas que queria mas não podia ter devido a pouca condição financeira, porém, ao passo em que não alcançava a tecnologia e a informação como gostaria, percebia que as situações de acesso ao novo e aparentemente distante não era algo impossível porque já fazia parte de uma geração que possuía a liberdade de buscar e havia, ao seu lado, bem próximo, uma mulher que já era considerada moderna para os tempos pretéritos. Sua mãe! 
Logo cedo, mais ou menos aos 6 anos de idade, ele já ia ao Maracanã, quinta da boa vista, viajava a Brasilia, Paraty, São Paulo... foi estudar em escola particular aos 8 anos de idade, fazia natação e Jiu Jitsu, iniciou curso de Inglês (faltava mais do que ia), usava roupas da moda mas, o principal, foi a sua alma empreendedora e futurista que dava a entender se tratar de uma criança que iria descortinar mistérios e avançar no pensamento quase estático da época. Nascia ali um ser da era moderna, mesmo em período, que podemos dizer, ainda PROVINCIANO. Mas o que é ser provinciano?
Certa feita conheceu pessoas que contribuíram bastante para o seu desenvolvimento profissional em determinada área, todavia não entendia certos conceitos e ações da localidade em que foi viver mas notou  se tratar de visões antigas e ultrapassadas, ele se perguntava se não estava em contradição por gostar das coisas que podemos chamar de "antigas" como música (Jazz), lugares (Paraty), arte (literatura filosófica)... isso somente foi entendido a partir do momento em que percebeu a movimentação da sociedade ante a sua visão ideológica e filosófica para poder discernir o que realmente é atrasado e moderno, literalmente falando. Começou a difundir ideias e concepções para pessoas de uma localidade que sempre se posicionavam contra por entender que o mesmo queria "aparecer" mas, era justamente ao contrário, as pessoas que o criticavam é que estavam em processo de acomodação e não entendiam que o progresso era inevitável e não precisávamos deixar de apreciar tradições, desde que não colocássemos como prioridade a malfadada e ridícula "tradição arcaica", aquela que não atravessa as épocas e perdura causando assaduras como os shorts da década de 1970 que eram feitos de pano e hoje não existem mais por termos avançado a era do "tactel", que nos dá liberdade de movimentos, é mais confortável e nos deixa mais "bonitinhos". Mas ainda assim ele percebia que as assaduras eram importantes para os provincianos, via nos arcaicos que seria melhor estarem "assados" do que saírem das suas ideias ultrapassadas por orgulho ou ignorância. Esse o Provinciano do seculo XXI.
Causou-lhe espanto o fato das coisas não mudarem e ele ter que sair do local onde estava tão bem adaptado, ainda assim foi em busca do seu sonho e não desanimou por entender que dava pra ouvir Roberto Carlos sem deixar de ser moderno e modificador desde que seja em prol da melhora coletiva, melhor que ficar "engessado" nas ideias "desconstrutivas"e impedir que as pessoas ao seu redor cresçam e transformem o mundo atual em um mundo mais justo e confortável para se viver. Suas ideias em relação aos provincianos da última hora era que eles jamais deixassem as suas tradições, se fosse o caso, porém, que os mesmos pensassem que a vida de uma sociedade precisa de impulso e o provinciano retrógrado não lhes da essa oportunidade por estar atrás do seu tempo atual, de não conseguir entender que a modernidade não é construir uma cidade de ferro e tecnologia altamente impossível de se entender, não é isso, ele apenas gostaria que o provinciano pudesse se permitir pelo menos ver a modernidade de pensamento e, consequentemente, de comportamento que transformará o mundo em uma verdadeira caldeira de arte e cultura. Só não sabemos se haverá espaço nesse novo mundo para o "provinciano da última hora".

Iran Damasceno.

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