A "morte chega", por vezes, a partir do momento em que eu não me aceito mais como sou e assim tento criar um outro ser para substituir ao que rejeitei".
Olá, leitor querido!
Se perguntarmos a diversas pessoas, numa pesquisa, por exemplo, qual a única certeza que temos da vida certamente que receberemos como resposta, a MORTE. Claro que temos uma certeza incontestável que é a existência de Deus, porém diante da superficialidade, materialismo e necessidade do ter, obviamente que esse fato será encarado como secundariedade. A morte é tão certa quanto o nascer do sol a cada manhã, entretanto o que devemos notar é que a vida está falando conosco mesmo diante de um "fim" providencial, que é um dia partir do corpo para a vida maior. Mas, isso é outro assunto.
O tema em questão é sobre o que fazemos sobre a nossa vida e, consequentemente sobre o nosso corpo, que é o veículo com o qual devemos caminhar em nossa existência e assim descobrirmos como lidar com ele para não entrarmos no campo perigoso do NARCISISMO NEGATIVO. Os mais atentos e observadores podem notar que as deformidades físicas e morais estão ocorrendo, ainda que em tempos "modernos" (?) e diante de tanta informação, justamente devido ao DESCOMPROMISSO com a realidade do envelhecimento, e assim caminhamos em direção ao abreviamento da vida por não sabermos envelhecer com dignidade. O "culto ao corpo" chegou ao seu limite quanto aos "cuidados" e com isso acabamos destruindo nosso veículo, em ações contraditórias e mortais por causa da não aceitação que a vida passa e, a cada dia morremos um pouco, sendo assim, vários desvios de comportamento, tanto físico quanto psicológico, vem acontecendo e deixando marcas profundas no que tange aos problemas com o narcisismo negativo, como disse, e assim entramos em campos perigosos como a DEPRESSÃO, DEFORMIDADES FÍSICAS, DESEQUILÍBRIO DO APARATO PSÍQUICO, NEUROSES, PSICOSES...
Diante das pesquisas realizadas pela OMS (organização mundial de saúde), nas últimas décadas, podemos perceber que o aumento dessas doenças tem sido enorme justamente por causa do querer ter o corpo que tínhamos há anos atrás, e com isso abreviamos as nossas vidas. Lembramos também que as maiores vítimas desse desequilíbrio são as mulheres que querem, a qualquer custo, possuírem corpos esculturais de qualquer maneira porque a sociedade que nós mesmos criamos, nos levam a essa conquista como uma equipe que se prepara para adquirir um troféu.
O aprisionamento pode ser algo que nos leve a pagar um preço muito alto quanto a questão citada, vale lembrar que as academias são os locais onde mais se "vendem" essa ilusão e aí entra outro descompromisso social: VENDER CORPOS E ESQUECER DE CUIDAR DA MENTE! Puro engano porque um não vive sem o outro! Todos nós queremos e devemos viver a vida a nos divertir e conquistar situações, somente temos que observar que o tempo urge e "cobra de nós" o ônus de tais conquistas e isso pode causar um esquecimento do que é fundamental em nossas vidas, que são os valores reais. Claro que devemos cuidar dos nossos corpos e termos nele um espelho do que é beleza, apenas temos que observar, por exemplo, que somos pessoas diferentes e quando enveredamos pelos caminhos do querer ser igual ou mais bonito que o outro, podemos estar diante da ilusão, citada anteriormente, de estarmos travando uma verdadeira batalha não com o outro, mas sim com nós mesmos. Mas, eu pergunto: Como é lutar contra si mesmo? Como eu posso vencer algo que não sou eu e criado por mim? Não seria mais "fácil" e digno eu ser quem sou, me aceitar como sou, tentar melhorar, dentro das minhas possibilidades e nunca contra a biologia individual?
Notamos como é difícil querermos transformar o que construímos de bom pelo que vemos no outro? Se meu intimo me diz que eu gosto de água e, ao ver o outro tomar "Whisky", eu tento adaptar o meu organismo a se acostumar ao alto teor alcoólico da bebida destilada, somente para me inserir ao contexto social, eu entro em processo de simbiose negativa (?) e aí posso estar desenvolvendo uma doença não somente física, mas prioritariamente mental. É aí que eu adoeço e passo a viver de maneira conturbada contra o meu maior aliado, que sou eu mesmo.
Não devemos deixar de querermos ser belos, porém atentemos que o mais bonito de todos SOU EU mesmo e não o outro que eu tento implantar em mim, portanto a vida surge ao passo em que eu me aceito, percebo as diferenças ao meu redor e construo o EU de verdade para ter uma vida plena de satisfação.
LEMBREMOS: PRÍNCIPE ENCANTADO E SUPER HOMEM SÓ EXISTEM NOS FILMES E CONTOS DE FICÇÃO, NA VERDADE EU FAÇO "COCÔ FEDIDO" EXATAMENTE COMO QUALQUER UM..
Iran Damasceno.
Um comentário:
Muito esclarecedor o texto . Penso que na realidade estamos num acirrado conflito travando esta batalha interior do nosso EU Ideal com o EU Real.
Não fomos treinados a nos ver verdadeiramente como somos , agora sim é chegado os tempos , e não são
todos que estão preparados para ver e sentir a beleza verdadeira do ser vivente bicho (HOMEM)
Postar um comentário