"Dona Neusa, de tanto esperar pela melhora quanto a violência, resolveu agir. A sua maneira".
Olá, leitor!
D. Neusa, aposentada pelo INSS, após trabalhar por mais de trinta anos, ficando com um salário mínimo, vivendo só e sem mais esperanças do alto dos seus 83 anos de idade, resolveu agir. Fez um pedido ao bandido. Vejamos a carta:
Sr Bandido!
Nasci em uma família pobre, sem recursos, filha de pais analfabetos e trabalhadores braçais, morávamos em uma favela do Rio, eu estudava, juntamente com meus quatro irmãos, em escola pública que apenas nos dava um melhor ensino e merenda justa, ao crescer e já poder trabalhar, lá pelos 12 anos de idade, saí e fui à luta para ajudar nos rendimentos da família e meus irmãos fizeram o mesmo. Lembro ao sr que em minha época não tínhamos, sequer, luz elétrica e consequentemente geladeira, onde colocávamos a água sob a terra para que a mesma ficasse fresca, quando passávamos mal íamos para o hospital público e éramos atendidos de forma humana e, sendo assim, crescemos e vivemos dignamente. Gostaria de ressaltar que as nossas dificuldades serviram apenas para nos unir e nos tornar mais fortes e assim lutarmos pela vida.
Já fui assaltada pela sua classe umas dez vezes, mesmo sendo pessoa de poucos recursos financeiros, até porque trabalhador honesto e comum no Brasil vive dessa forma, porém jamais pratiquei qualquer mal a alguém e sempre me contentei com o que podia comprar com meu suado dinheirinho, portanto eu lhe pergunto: Por que o sr está nessa vida de crime? Hoje o sr tem tudo que eu não tive e muito mais, entretanto percebo que sempre que seus "colegas de trabalho" me assaltavam, diziam que sentiam muito e que a vida os fez assim, ora sr bandido, a vida que o sr vive é a mesma que a minha, não? Mas, em dado momento, eu refleti. Talvez você seja fruto de uma geração que já nasceu com tudo e não aprendeu a valorizar e a conquistar as coisas. É uma pena, porém eu devo ressaltar, mais uma vez: Você e eu temos algo em comum, pois somos as vítimas de um país que cresceu e viveu reprimindo as pessoas à serem sempre serviçais como na escravidão, por exemplo, e isso se alastrou pelos tempos. A classe política atual também é vítima como nós, todavia "eles" são vítimas deles mesmos devido a ambição desvairada e oriunda de uma sociedade permissiva e leiga, quando poderíamos ser mais bem informados e atentos quanto aos interesses coletivos, sendo assim é esse o quadro atual e que demorará um certo tempo para ser desfeito e podermos recriar a pátria amada.
Portanto, sr bandido, em vez de assaltar a senhoras como eu, pense em duas coisas: Ou sair do crime para se salvar em quanto pode ou então tirar daqueles que tiram de você e de mim, pelo menos para nos aliviar um pouco.
Muito grata pela sua atenção sr bandido e para me despedir, deixo meus sentimentos de inconformação não somente consigo, mas com seus chefes que estão quietos e sem serem incomodados, que são os outros da classe política.
Iran Damasceno.

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