"Os quintais de todos nós são lugares abençoados e devem estar sempre e eternamente em nossos corações" Iran.
"DIALOGANDO COM O GUIA"
A história começou assim: Passava eu por uma rua conhecida em mais uma de minhas caminhadas contemplativas, quando, ao dobrar a esquina, olhei para a varanda de uma casa e, ao notar uma velha senhora a me olhar, senti uma vontade irresistível em parar. Parei! Ela continuou a me olhar. Foi quando arrisquei um cumprimento e ela me correspondeu, só que, pasmem, não mexeu se quer parte dos lábios, pois era como se conversasse comigo através do pensamento. Como pode? Não estou desencarnado, mas o "pior" veio: Eu entendi! O que seria aquilo? Ao me aproximar do muro, notei que ela também deu alguns passos á frente e eu fique um pouco constrangido, confesso, mas senti uma vontade muito grande em conversar. Aí pronunciei algumas palavras e ela respondeu, para meu espanto, novamente, sem emitir palavras. Como sou "abusado"comecei a responder em pensamento para ver se o que estava acontecendo não era minha impressão, foi aí veio a resposta. Era fato! Ela respondia a tudo que eu perguntava mesmo tendo um rosto um tanto quanto meio austero mas, esplandecia de sua aura, algo que me dava uma força muito grande e coragem também. Foi aí que comecei o diálogo. "Quem é a senhora"? Ela respondeu, por pensamento:"Sou sua amiga"! Fiquei atordoado mas seguro, pois gosto que me provem o que dizem, ainda mais se tratando de um momento como aquele. Outra pergunta: "A senhora mora aqui"? Ela disse: "Moro em qualquer lugar"! Me causou curiosidade o fato de ela responder somente por evasivas, mas continuei: "A senhora me conhece"? "Mais do que possa imaginar"! Aí eu fique arrepiado, perguntando a mim mesmo como pode uma pessoa que nunca vi falar sem mexer os lábios e andar sem arrastar sequer uma folha? Ai veio, também, meu lado detetive e lhe perguntei: "Como pode provar o que diz"? Ela falou, sem dar um sorriso sequer, porém com paz a exalar do seu corpo e mente: "Lembra-se do seu tombo de bicicleta na infância, quando estava na garupa da bicicleta de seu avô paterno"? "Sim me lembro, respondi mais calmo, pois já começava a achar se tratar de um espírito desencarnado. Mas não tinha certeza apesar da minha curiosidade em perguntar e, ainda assim, prossegui: "Como sabe disso"? Enfática, respondeu: "Já não te disse que te conheço melhor do que pensas"? "Sim, mas como"? Mais uma vez ela me surpreendeu: "Tua vida é água límpida, embora já tenhas passado por pesados lamaçais e caminhado por pântanos pegajosos, você aprendeu bastante sobre os valores dela mesma. Teus pensamentos vão muito longe, falas sem gesticular ou articular movimentos e, sendo assim, me aciona".
Sem perceber já estava avançada a hora, entretanto não queria parar nosso diálogo mas senti em seu olhar que a hora era chegada. Como me despedir se estava cheio de curiosidade em saber mais? O sinal veio. Ela me olhou e pelo seu olhar eu já sabia do que se tratava, embora a conhecesse apenas a alguns minutos, era como se fosse uma amizade de muitos anos. E era. Foi aí que me surpreendi mais uma vez, ao ouvi-la: "Seu progresso está um tanto quanto estacionado devido ao pensamento estar preso em coisas que não constroem e somente nos atrasa em relação ao entendimento da vida. Perguntei mais uma vez: "Dê-me um exemplo, querida senhora". Ela respondeu de pronto: "A resposta está em dois aspectos importantíssimos de tua vida: O estudo e a paciência! Necessitas exercitar muito para que entendas a ti mesmo". "Vou vê-la novamente, perguntei já saudoso"? Ela disse: "Claro que sim! Sempre, por toda a eternidade, somos inseparáveis, estamos juntos desde sempre, só ficamos distantes por algum período devido a tua escolha em não me encontrar mas estou bem próxima de ti. Já te falei e vou repetir: Tua vontade é o norte da sua vida, pois sempre que tiveres dúvida me busque lá no fundo do teu íntimo. Lá estarei"! "Como me despeço de ti, perguntei já saudoso"? Ela, pela primeira vez, meigamente me respondeu: "Quando tiveres vontade de caminhar e pensar na tua vida e, consequentemente buscar melhora interior e ajuda ao próximo, é só olhar em algum quintal que lá estarei". "Porque em algum quintal, não poderia ser em outro lugar"? Disse-me, fraternalmente: "Claro que podes, mas é nos quintais com árvores e plantas que tua atenção te faz entrar em contato comigo, talvez por te lembrares da tua infância tão maravilhosa e protegida, segundo tuas declarações". Me despedi, finalmente, dizendo a ela que Deus a abençoasse e ela de pronto respondeu: "Obrigada, mas ele me abençoando estará, automaticamente, te abençoando também".
Bem, eu estava boquiaberto e não sabia o que pensar, apenas queria saber a qualquer custo quem era aquela abençoada mulher. Mas isso fica para a próxima vez em que nos encontrarmos!
Iran Damasceno.

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