sexta-feira, 17 de maio de 2013

"Religião X Homossexualidade: 1º Round".



Se estivéssemos no século XVII certamente que muitos religiosos e homossexuais seriam enforcados em praça pública, seus bens e famílias confiscados e alijados pela igreja, detentora do poder escuso da época. Mas graças a Deus e aos nossos esforços, ainda tímidos, passamos do período das trevas e entramos na iluminação parcial das consciências, despertadas pelo "empurrão" e assim as matanças e alijamentos estão mais brandos e menos constantes.
As discussões voltaram a baila pelos segmentos pertinentes e tornamos tudo em uma balburdia de acusações e leviandades por partes dos interessados, que são os homossexuais e religiosos. Mas, o que está havendo por parte das partes, quanto ao assunto? Divergências, acusações, agressões diversas, homofobia, desrespeito... assim estamos. O que podemos fazer para "atar a sangria" e vivermos em harmonia? Vamos aos fatos: Por um lado temos os religiosos que assumem a postura dos guardiões dos bons costumes e do outro os homossexuais que contra-atacam através da indignação e com atitudes fortes, sendo assim podemos observar o caos instalado. Obviamente que há muito interesse por trás de tudo, principalmente o político, que tanto atua de um lado quanto do outro, chegando a ser algo incoerente e pernicioso porque somente confunde aos que ainda não possuem opinião formada. Contra os religiosos vem as acusações de fanatismo, homofobia e capitalização da igreja ("igrejismo financeiro"), quando os mesmos posicionam-se somente sob a ótica bíblica e radicalismos de concepções antigas. Por exemplo: O pastor e deputado federal Marco Feliciano (PSC - SP) é um dos mais ferrenhos debatedores e acusadores de que a homossexualidade é uma doença, colocando inclusive a possibilidade de arrolamentos psicológicos (quero ver qual psicólogo aceitará assinar diagnóstico de doença) na câmara e, se isso acontecer, obviamente que os médicos e neurocientistas estarão com as suas "cabeças à prêmio" pois nenhum deles seria louco de afirmar o que a ciência não chegou a um consenso.


Por outro lado temos o deputado federal Jean Wyllys (PSOL) que é um defensor ferrenho dos direitos dos homossexuais e radicaliza, também, quando se posiciona em relação as questões de maneira contundente e seus discursos acabam naufragando devido a "quebra de braço" com seu opositor. Ambos estão na luta pelos seus ideais. Um alega que a família tem que ser protegida e o outro quanto a proteção dos direitos dos seus pares mas, nessa "tsunami de emoções", quem estará com a razão?


Se pararmos pra analisar os fatos é obvio que observaremos a situação por ângulos diversos e teremos a sensação que ambos estão certos e errados, em momentos diversos. Pergunta: A Bíblia (a qual Feliciano se ampara pra tudo) tem razão quanto as suas afirmativas? Vejamos: Na Bíblia podemos encontrar em Levítico 18:22: "Não te deitarás com varão, como se fosse mulher; é abominação". e em 1 Coríntios 6:9: "Não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus"? Não vos enganeis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adulteros, nem os efeminados, nem os sodomitas". Bem, reparemos que os conceitos de época estão, ainda, bastante justificáveis pelas visões dos mais exaltados quanto a uma "fé" que sobre ela recaem dúvidas até porque os textos são EXTREMAMENTE radicais, o que joga por terra toda e qualquer entendimento, pelo menos por parte dos mais atentos, de um Deus justo, amoroso e perfeito. Quando no texto encontramos as palavras ABOMINAÇÃO, INJUSTOS e EFEMINADOS já nos deixa de prontidão em relação a quem o escreveu, pelo simples fato do escrevente ser bastante radical e isso fica incoerente com o Deus de amor. Somos, todos os seres de bons costumes e amantes da fé racional, a favor de uma sociedade mais justa e organizada, porém acharmos que fazendo BALBURDIA, ANARQUIZANDO E OFENDENDO a visão dos outros contrários, citaria a manifestação homossexual em verdadeiros atos carnavalescos (homens vestidos de mulher maravilha, se beijando, fumando maconha...), estaremos no caminho para resolvermos esse impasse, estamos enganados. O religioso deveria manter-se em seu lugar e procurar as suas convicções dentro da sua religião, sem ostentar e achar-se o certo e, por outro lado, o homossexual, deveria fazer valer os seus direitos, também, de maneira lúcida e participativa enquanto cidadãos. 
Voltarei com o tema ante a ótica cientifica e espiritual, objetivando criar situações que possibilitem análise e, sendo assim, você, leitor, tirar as suas conclusões mas, por hora, fico por aqui com as minhas convicções particulares objetivando uma discussão saudável através da qual possamos trazer luz ao pensamento.

Iran Damasceno.

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