"Não se odiaria, se não se tivesse que se odiar a si mesmo ao mesmo tempo". (Nimier, 1951)
Olá, leitor!
O que seria mais nítido em uma pessoa, percebê-la amar ou odiar? Depende de quem esteja observando. Temas como esse, "provocado" pelo meu querido amigo André Nardacci, que me fez arriscar escrever sobre algo tão controverso e tenebroso de se entender, estão, desde os tempos mais pretéritos, em nossos íntimos e assim vamos caminhando até chegarmos onde queremos ou não. A felicidade ou a dor. Sempre que falo sobre dois sentimentos tão DISTINTOS me vem a mente aquela história da água e do óleo que não se misturam mas, quando tratamos de algo essencial e substancioso que não possui "um corpo", daí vem o começo do debate pois somos meio materialistas (?) e somente, ou quase sempre, acreditamos no que vemos. Mas o ódio e o amor são visíveis, apenas não possuem o corpo (matéria) como estamos acostumados a ver, porém vale salientar que os nossos corpos podem ser construídos ou deformados e até destruídos pelo amor ou pelo ódio. É muito comum também observarmos que o ser pode estar amando e, em alguns segundos, matar o outro por causas nem sempre aparentes e aí entram dois tipos de ódios: O ódio INVEJOSO e o do SER.
"Será que não invejamos o "feio" (relativo) e nem odiamos o "fraco" porque talvez eles não representem ameaça a nossa feiura e a nossa fraqueza"?
A INVEJA é uma forma de ódio, porém devemos entender que tal sentimento pode ser uma maneira de confissão de inferioridade (?) e aí o ser, diante de tamanha confusão pela não aceitação e muito menos pela conscientização de tal instância, se debate em desvarios de destruição do outro. Mas, ele está, também, se destruindo a si mesmo. De onde viria esse sentimento? Como se dá a sua construção? Em apenas uma vida o ser pode construir um manancial de ódio, como vemos por aí, em tempo tão reduzido? E o que é pior: mantê-lo alimentado por tanto tempo? As bagagens que trazemos conosco (?) podem nos dar a dimensão do que está por trás desse sentimento tão destrutivo, basta observarmos as ações do ser (que não é fácil) e se ele teve motivos "aparentes" para desenvolver tamanha DOENÇA.
O ódio do SER: "O ódio, enquanto relação do objeto, é mais antigo que o amor: Nos primórdios da origem ele tem sua fonte na recusa do mundo exterior que emite estímulos, recusa que emana do EU narcísico". (Freud, 1915 / 1992: 184) Quando o magnífico Freud fala que o ódio é mais antigo que o amor, me vejo pensando e tentando entender o que estaria por trás das vidas atuais de todo ser. (?) Se tudo era caos e ainda nos movimentávamos, em épocas bem passadas, de maneira cognitivamente primitiva, vejo que esta afirmativa criteriosa do nosso "Psicanalista mor" está coberta de razão, porém para entendermos de maneira mais clara temos que enveredar pela didática da evolução, ou seja, se começamos na infância sem a menor noção do que é bom ou ruim e, através dos estímulos externos vamos formando e moldando a nossa personalidade (ou personalidades), tudo sobre o "primitivismo" de tais sentimentos deve ser levado em consideração. Mas, e se o ser, ainda que em tempos atuais onde tudo é explicado (?), não reconhece assim e passa a destruir ao outro?
Quem estiver lendo que pense, viu? Vamos ao amor:
Obviamente que temos duas formas de ver e entender o amor: Uma é pela sublimação, principalmente dita pelas religiões, e a outra é através dos recalques em nossas inconsciências, por vezes. Vamos na "onda" de Freud quando ele diz que o ódio é mais antigo que o amor: Se o amor é mais "jovem" em relação ao que destrói e diante de tudo que o ódio já nos causou, temos que nos preocupar que ele tem, em sua essência, uma responsabilidade muito grande porque vem para exterminar as raízes obscuras do ódio enterrado nas profundezas da existência do ser, sendo assim, temos uma tarefa árdua pela frente, que talvez não seja amar, mas sim, aprender a amar. Será que sabemos amar de verdade?
Geralmente amamos ao que nos convém (?), não é assim? Será que amamos ao que é bom para o outro também? Essas questões nos embaraçam e trazem à tona uma reflexão que incomoda, tanto é que quase "apanhei", certa vez, quando falei que as vezes, por mais que amemos a nossa mãe, ao nosso pai, aos filhos... mas, quando um deles se vai, choramos não por eles, mas por nós que ficamos abandonados do objeto do nosso desejo. Mas isso passa e até dizem que é através da dor, também, que aprendemos a amar (?), se assim for podemos entender que o primitivismo do ódio ainda está atuante em nós e para dissiparmos isso somente entendendo, primeiramente, depois exercitarmos e, aí sim, aprendermos a amar.
"... UM MAIS UM É SEMPRE MAIS QUE DOIS, PARA CONSTRUIR A VIDA NOVA VAMOS PRECISAR DE MUITO AMOR, A FELICIDADE MORA AO LADO E QUEM NÃO É TOLO PODE VER". (Beto Guedes e Ronaldo Bastos)
Iran Damasceno.
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