terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

"Pra Onde Olhar"?


"... O olhar de quem ama diz o que o coração não quer, nunca mais eu serei feliz enquanto vida eu tiver. Se queres saber, se eu te amo ainda"... (Nana Caymmi)

Olá, leitor!

Quando é que podemos dizer que o coração fala? Quando deixamos apenas a emoção tomar conta da situação. O que é o povo brasileiro senão emoção? Não temos como nos desvencilhar do sentimento mais duradouro em uma nação como o da emoção, pelo fato de termos sido criados diante de uma miscigenação de raças, culturas, sabores... e, diante disso, acabamos entre o positivo e o negativo. Diante de tudo que vem acontecendo em nossa sociedade, quanto aos mais variados aspectos, devemos enveredar pelos campos da Filosofia e talvez da Psicanálise para tentarmos entender tais engendramentos contraditórios. Porque? Somos o país do futebol mas não possuímos educação para desenvolvê-lo e assim criamos o produto (jogador) e o exportamos para quem pague bem e saiba cuidar, temos uma rede carcerária poluída, super lotada e ociosa e ainda assim queremos criar mais leis para jogar mais gente lá, e aí disfarçarmos que estamos trabalhando e querendo colocar ordem na casa. É algo estarrecedor ver o "país do futebol" exterminar os seus craques quando adota formas de jogar como os europeus jogavam nas décadas de 1960 e 1970 (imitação caricata, diga-se de passagem), porém, ainda assim destacamos que "os caras" eram perfeccionistas no que faziam e nós temos, por hábito e falta de vontade, a capacidade de destruirmos o que é bom. O Ganso (jogador do São paulo), por exemplo, não joga mais porque é habilidoso e jogador de toque de bola, ao passo em que o futebol brasileiro está andando pelos campos da formação de "lutadores de MMA", ou seja, jogando com 11 volantes. Hoje um jogador brasileiro é preparado para correr mais de 10 km e não possui atenção na parte técnica. É ou não é um contra senso? O sistema prisional não existe, o que temos são construções rodeadas de muros e arames farpados onde lá dentro as pessoas vendem e usam drogas, corrompem, mandam matar pessoas aqui fora e tudo que o valha e, para piorar, as leis, que são diversas, além de não funcionarem para os poderosos, ainda assim queremos criar novas para tentarmos frear a violência. É ou não é um contra senso? Vamos à violência, que está na "moda": Porque o poder público, principalmente aqui no Rio, através do secretário de segurança pública do Estado, José Mariano Beltrame e do próprio governador, Sergio Cabral, estão querendo leis para tentarem frear, como disse, a nova "modalidade" de violência, que é o ato de quebrar as coisas e matar pessoas, entendendo (?) se tratar de manifestações?  Se as que já existem, inclusive para esse tipo que utiliza explosivos, estão com a capacidade de punir, então pra que criarem novas? Na verdade o Estado está de mãos atadas porque não imaginava que essa forma de manifestação ocorresse, mas no Brasil e na época em que os militares e a polícia "deitavam" a borracha nas pessoas as coisas funcionavam porque ainda éramos mais submissos do que hoje, todavia as coisas estão mudando e, diante disso, o poder público e principalmente a polícia, despreparada pra tal, estão em desespero, ainda mais pelo fato de estarmos em ano de copa do mundo e eleições.

Será que a RAIVA incontida no DNA do povo brasileiro, oriunda dos tempos áureos das caçadas humanas e repressões vorazes por parte do poder ordinário, não estão aflorando agora? É pra pensar, viu? Se assim não fizermos, corremos o risco de estarmos sujeitos às "radiações" dos raios mais mortais possíveis, que são os da DESORGANIZAÇÃO SOCIAL.



Iran Damasceno.



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