terça-feira, 23 de julho de 2013

"Espiritismo E Futebol, Uma Combinação Perfeita"

 

A terra é redonda e a bola de futebol também; Jesus, objetivando estabelecer o Evangelho, teve quantitativo de apóstolos parecido a onze; O Evangelho veio do Oriente médio para a Europa e depois para o Brasil, como podemos comprovar através do livro "Brasil coração do mundo pátria do Evangelho" (Humberto de Campos, psicografado por Chico Xavier); "Coincidentemente" o futebol veio da China para Inglaterra e depois para o Brasil, também; O Livro dos Espíritos foi lançado em 1857 e o futebol foi introduzido no Brasil em 1894, quase quatro décadas após. Então, trata-se de coincidência?  Porque o futebol não pode ser visto com bons olhos pelos espiritas, tendo em vista que o mesmo é um segmento social de altíssima relevância por agregar pessoas, unir povos, mobilizar culturas, ampliar horizontes financeiros, trazer informações... vale pensar.

Olá, querido leitor!

Certa vez eu quis realizar uma palestra sobre a importância do futebol no mundo moderno, mostrar as suas potencialidades enquanto agente propiciador de situações positivas, a sua grandeza quanto a unir pessoas, como disse anteriormente, dentro de uma casa espirita mas, diante da visão dos seus dirigentes, não foi aceita a proposta. Enfim... Mas estamos aqui para tratar desse assunto tão relevante, segundo a minha ótica, até porque foi um meio ao qual eu vivi durante algumas décadas e percebi, somente agora a poucos anos, a sua importância social, financeira e principalmente ESPIRITUAL, por ser ele um segmento de agregação e, consequentemente, ao juntar milhares e milhões de pessoas em todo o mundo, as emoções emanam vibrações diversas. Vem a pergunta: Que emoções são essas e o que fazemos delas?


O futebol virou uma especie de "religião" geral dos povos pela possibilidade do confronto sem guerra, embora em muito casos isso possa ser visto de maneira deturpada, entretanto o objetivo não é esse e assim vamos nos emocionando com as suas diversas formas de ser. O povo, de acordo com o país, continente, a sua região... tem o futebol mais ou menos atuante mas sempre, de uma maneira geral, está no coração e na cabeça do todos ou quase todos, sendo assim, se transformou em uma forma de comunicação mundial e dialoga com as pessoas e entre si de maneira assustadoramente natural e sem as barreiras do idioma e da cultura, o que acaba sendo algo extremamente positivo e nenhum outro fator notável tem esse poder. O que deve ser entendido aqui é quanto a sua importância espiritual. Se ele agrega, junta, reúne, chama, apela... porque não fazer algo que tanto a humanidade está precisando, que é a CONSCIENTIZAÇÃO? Existem vários aspectos que necessitam de conscientização como as GUERRAS, A POBREZA, A FOME, A MISÉRIA, A CORRUPÇÃO, A POLITICA dentre tantos outros, todavia e geralmente somente é utilizado como meio de interesse de uns poucos e, sendo assim, deixando para os seus verdadeiros donos, que são os torcedores, as migalhas do poder torcer. Já está mais do que na hora de damos uma virada nessas concepções e percebermos que ele pode e deve ser um agente transformador e utilizado para beneficiar ao todo e não segmentá-lo as classes mais dominantes, portanto e percebendo que já iniciamos as investidas, tímidas por sinal, em relação ao RACISMO e isso é visto nos estádios de todo mundo. Já é um avanço. Falando em racismo, que é algo extremamente reprovável na espécie humana, lembremos da histórica atitude do Clube de Regatas Vasco da Gama, que em 1923, após ser promovido a primeira divisão e ter sido campeão, equipe essa formada por pessoas humildes e composta de negros, mulatos e sem condição financeira e social, deu um "pontapé" inicial ao que poderíamos considerar impossível, que foi a chamada para as mudanças comportamentais e sociais em busca de uma igualdade. Marcou e fez história e então passaram discutir se poderiam convocar jogadores negros para a seleção brasileira e argentina, também. Deu certo!


Portanto, diante de uma gama de situações sociais, econômicas, culturais.. que podem ser melhoradas, não vejo porque o espiritismo não se aliar a essa causa e tentarmos conscientizar as pessoas, principalmente aos torcedores e aos que detêm o poder neste segmento, de começarem a transformar, realmente, esse agente em um diferencial nas sociedades e assim começarmos a buscar a paz, principalmente. Além do poder que ele exerce nas massas, vale lembrar o poder financeiro que movimenta situações que poderiam mexer de maneira considerável com as estruturas não só do preconceito, bem como nas bases da tão sonhada IGUALDADE FINANCEIRA ou pelo menos viabilizar aportes transformadores positivos práticos, é esse o pensamento de utilização dos ensinamentos espirituais que tanto urgem quanto as suas mudanças para podermos caminhar com as próprias pernas e não ficarmos tão dependentes das obras básicas ou aguardando mensagens espirituais, pois do contrário seremos meros espectadores das ações dos irmãos espirituais superiores que tanto esperam de nós a ousadia positiva de transformarmos as coisas negativas, criadas por nós mesmos. Seria como o mecânico que conserta o carro que ele mesmo destrói.
Cabe sim atentarmos para saídas menos convencionais em termos de crescimento humano e espiritual e para tal temos todas as possibilidades, bastando a nós deixarmos de lado a visão provinciana, principalmente dentro das "universidades das ciências espirituais", que são as casas espiritas.

Acordemos espiritas e partamos em busca da nossas próprias redenções e façamos das nossas invenções, um meio de nos livramos das agruras destruidoras de outrora e assim caminharmos a passos largos em busca do iniciado período de REGENERAÇÃO.
Se assim pensarmos, com o coração no bem comum, certamente que já estaremos vencendo de 1 x 0 as nossas próprias "cavernas inquisitivas' do anestesiamento moral.

Deixo então para os amigos leitores, esta linda mensagem pra a vossa apreciação.

O Evangelho e o Futebol

Os componentes desta assembleia, em princípio - como são naturais -, vão estranhar minha presença aqui; como espectador desta sessão de fundo espírita.
Apologista da Football Association fui desportista durante toda a minha vida. Filho de ingleses radicados em São Paulo voltei da Inglaterra trazendo na bagagem - 1984 - duas bolas de couro e um uniforme completo de futebol. A partir de 1895, graças à nossa iniciativa pioneira, fundaram-se diversos clubes de futebol na capital paulista (o São Paulo Athletic, o Mackenzie, o Internacional, o Germânia). Não desejo falar sobre isto. Todo o mundo sabe que o Brasil - hoje tetracampeão mundial - é forte candidato ao pentacampeonato de futebol; como se vê das sucessivas vitórias alcançadas nas semifinais.
Não é meu propósito fazer conjecturas futuristas ou didáticas sobre hipóteses; tampouco pretendo incursionar pelas páginas históricas do futebol. O que realmente me toca, levando-me a reflexões, é o fato de jamais ter pensado na possibilidade de associar o Evangelho do Cristo ao futebol, como agora o faço. Filosofias diametralmente opostas, não vislumbrava nenhuma conotação com o Cristianismo. A rigor, nunca fui muito chegado a religiões. Li é verdade, com muito interesse, as obras de Sir Arthur Conan Doyle, o criador do detetive Sherlock Holmes. Mas os fenômenos, ali descritos, nada me diziam, embora sabendo-o escritor e expositor espírita. Ligava-me por excelência a Juvenal, cuja preocupação com a eugênia da raça, expressa no lema "Mens sana in corpore sano", entusiasmara-me sobremaneira. Mente sã em corpo são... Estava ali todo o meu ideal. Ideal que, a meu ver, somente poderia ser alcançado mediante a prática do futebol... Com esse propósito, há um século, como já disse, introduzi o esporte bretão no Brasil. De Manaus a Porto Alegre, quer nas várzeas, quer na rua ou no gramado, brilha a juventude brasileira, demonstrando ao mundo todo o talento espartano dos atletas do futebol-arte.
Retomemos o jogo no segundo tempo:- Na economia divina nada existe inócuo. Sou de opinião que deveríamos detectar na mensagem do futebol - o esporte mais popular do mundo -, o que ele tem de comum com a Mensagem do Evangelho Segundo o Espiritismo.
- Porque não buscar essa identidade subliminar?
Vejamos: desde O LIVRO DOS ESPÍRITOS (1857) à introdução do futebol no Brasil (1894) decorreram quatro décadas.
A codificação do Mestre de Lyon, sob o comando do Espírito da Verdade, assegura-nos a certeza de que o Espiritismo é, sem dúvida, o Cristianismo Redivivo. Tendo Jesus transplantado a semente do Evangelho - da Palestina para o Brasil -, é fácil entender o "porquê" do grande interesse do povo brasileiro pelo Espiritismo - a Doutrina Renovadora.
Alguém poderia indagar: - O que tem a ver o Espiritismo com o futebol? - Em tese, guardadas as proporções e do interesse comum de ambos, tem tudo a ver. Por outro lado, há conotação cronológica - no que se refere ao Brasil. Vejamos: do mesmo modo que a semente do Evangelho foi transplantada da Palestina para o Brasil, o futebol foi transplantado da China para a Europa (Inglaterra) e dali para o Brasil.
E ambos prosperaram na Pátria do Cruzeiro... Não estou sofismando. Leigo, sou insuspeito. O advento do Espiritismo coincide com o ingresso do futebol no Brasil ... A rigor, este é contemporâneo daquele; pois o século que viu a Codificação de Kardec viu também a entronização do futebol na Terra de Santa Cruz. Portanto sejamos lógicos, jogando lealmente o jogo da Verdade no gramado da Razão. Como se sabe, não existe o "EU FUTEBOL CLUBE". As equipes de 11 homens cada uma lutam pelo controle da bola, com o objetivo de colocá-la dentro da meta do adversário. Isto significa que, Jesus, ao constituir uma equipe de 12 apóstolos, concitou-nos à indispensável união. Portanto, amigos, reflitamos sobre o que acabamos de transmitir.
Estamos informados de que o Brasil é o "Coração do Mundo, Pátria do Evangelho". Realmente, o é. Tudo indica que o mesmo entusiasmo dos brasileiros dedicado ao futebol - como, igualmente, o fazem outros povos - será em breve dedicado ao Evangelho do Cristo em Espírito e Verdade.
E o mais importante é que toda essa magnífica realidade espiritual tem por berço o Triângulo Mineiro - região fisiográfica ungida pelo Senhor.
Veremos brevemente nos horizontes do Brasil, os esplendores da Pátria evangelizada - e com ela, por reflexo, todo o Planeta.
Em conversa com Bezerra de Menezes - achando-se presente Eurípedes Barsanulfo -, esse assunto de ordem espiritual foi abordado de todos os ângulos. Disseram-me que do Brasil sairá o anteprojeto da futura Constituição dos Povos, a ser adotado pelo Oriente e o Ocidente; carta magna embasada no Sermão da Montanha.
Não embaralhemos as coisas; é indiscutível verdade que o Brasil recebe de Jesus o sublime estímulo para a abertura dos caminhos conducentes à glória evangélica mundial.
Daqui - da Pátria dos Espíritos - estamos torcendo para que o Brasil - não somente durante as Copas do Mundo - mas, em todo o curso do seu glorioso destino, continue fazendo milhões de "gols” nos gramados da Pátria do Evangelho e nos estádios alienígenas. E que a bola, réplica do Planeta, se chame CARIDADE!

Luz e Amor no Cristo!

Charles Miller

Mensagem psicografada pelo médium José Jacyntho de Alcântara, no "Recanto da Prece",

 em Sacramento/MG, NO DIA 04/07/1998. Publicada no jornal CORREIO DIDIER,

 de Votuporanga/SP - didier@zaz.com.br - Site www.mariadenazare.com.br

  
Iran Damasceno.


segunda-feira, 22 de julho de 2013

"Judas, O Ser Divino"!



“QUEM FOI JUDAS”?
  
Diante de uma infinidade de conhecimentos e informações ao longo dos tempos, temos, ainda hoje, diversas dúvidas em relação a muitas coisas que não entendemos por causa das nossas imperfeições. O que me trás curiosidade é o fato de, mesmo tendo diante dos olhos tanta comprovação, fatos incontestáveis, verdades santificantes e poder de entendimento latente, permanecemos sem querer ou não conseguimos ver o que é nítido e notório. Pergunto: Porque?
Já pensamos que estamos diante da transformação do planeta, em todos os sentidos? Ok, mas porque achamos, sempre, que essa transformação é de destruição e não para a construção de uma nova era que surge objetivando a redenção dos endividados morais e intelectuais? Porque a visão de um Tsunami, por exemplo, é tida como "ira de Deus" (para os radicais religiosos) a nos castigar? Ainda há fome e doenças em demasia no planeta, então porque achamos que se trata do DEMÔNIO agindo sem a nossa autorização, a nos destruir? Porque Judas é tido como traidor? Quantos de nós estudamos e pesquisamos a história através das ciências, como a Antropologia, Sociologia, Psicologia, Medicina, Engenharia... ? Será que não somos traidores, também, quando negamos a verdade e a deturpamos? Vale pensar. É a partir daí que inicio minha discussão sobre um ser que, há séculos, vem sendo alvejado moralmente por várias gerações sem mesmo pararmos para discutir fatos como: política, moral, cultura, educação, tecnologia...
Meus relatos, dúvidas, descontentamentos, incertezas, certezas, começam a partir de alguém que, para mim, deixou um legado de "salvação" e conhecimentos de como somos e não devemos ser. Falo do expressivo e importantíssimo, JUDAS.
Diante dos estudos ao longo das épocas, percebemos que atribuíram a Judas todas as maledicências possíveis e imaginárias de um ser que foi exclusivamente traidor mas, e as questões políticas da época? Na missão de Jesus (o mesmo sabia o que viria a lhe acontecer) não estaria Judas incluído? Ih, o Iran "pirou" de vez, você deve estar se questionando. Não creio, pois baseado nas potencialidades e objetivos pelos quais o mestre veio até nós, acho e entendo (?) que por trás disso tudo, poderia sim estar Judas incluído para fazer o "papel" que ninguém de bom senso o faria. Nem mesmo Judas, de forma consciente (?).
Se isso proceder, entendo que Judas teve importância crucial no trabalho de Jesus, pois, ninguém, dentre os que seguiam a Jesus, tinha condições de entender o que só Judas entendeu: Libertar o divino mestre e dar novos rumos à sociedade já corrompida pela ganância e pela fé cega de um povo em ebulição no que se refere a conquistas. (Visão filosófica)
Os primeiros bispos da igreja católica chamaram o evangelho de Judas de herege, pelo fato de o mesmo conter verdades que iriam de encontro aos interesses da instituição religiosa, assim como aconteceu a mais ou menos 350 a/c com Sócrates que, ao se opor ao sistema de casta da época, foi obrigado a tomar o veneno cicuta. Embora tenha morrido, não abriu mão dos seus ideais nos deixando uma herança abençoada, já naquela época, que era: Pensar, falar e agir. Voltando ao iluminado Judas, pude perceber que suas atitudes soaram e soam até hoje como uma traição aquele que foi, é e sempre será nosso salvador (?), todavia, vejo que determinadas atitudes por parte de pessoas que tem em mãos os desígnios da história, precisam ser tomadas para que, mesmo num futuro distante, a vida siga seu curso e as pessoas entendam como estão erradas. Nada de excluirmos as ações de Judas, apenas vejo que a condenação eterna é que precisa ser revista.
Será que já paramos pra pensar também que tudo isso aconteceu devido ao sistema da época, a cultura (criada por nós mesmos), os valores morais, o desentendimento religioso que efervescia e a política ordinária dando continuidade ao que já havia começado na Grécia antiga?
Farei agora alguns questionamentos para que todos reflitam, discordando ou concordando, de acordo com suas convicções e entendimentos de forma não convencional, aquela que estamos acostumados a ver e repetir ao longo das existências, porém, de uma maneira mais filosófica e racional, no meu modo de ver.

1) Porque o bispo Irineu, de Lyon, (180 / 200 d/c) chamou de infame o fato de terem atribuído a Jesus a escolha de Judas como seu discípulo principal?


2) Seria coerente imaginar que Jesus sabia o que lhe aconteceria e que Judas estaria envolvido no episódio histórico, deixando assim uma herança bendita para nós?


3) Assim como Jesus, não me refiro a grau evolutivo, Judas seria um Espírito “missionário”?

4) Se o evangelho de Judas tiver vindo da Grécia e decifrado no sul do Egito, como afirmam os pesquisadores Suíços, passaria ILESO pelas mãos de seres de cultura, conhecimentos e níveis morais tão diversos sem ter sido modificado de acordo com seus interesses e entendimentos?


5) Se Judas ficou estigmatizado como traidor ao longo das existências e, partindo do principio que somos imortais e reencarnamos sempre que necessário, como estaria o Espírito Judas?

Vejamos parte da entrevista que Judas concedeu a Humberto de Campos.

Nas margens caladas do Jordão, não longe talvez do lugar sagrado, onde o Precursor batizou Jesus Cristo, divisei um homem sentado sobre uma pedra. De sua expressão fisionômica irradiava-se uma simpatia cativante.

- Sabe quem é este? - murmurou alguém aos meus ouvidos. - Este é Judas.

- Judas?!...

- Sim. Os espíritos apreciam, às vezes, não obstante o progresso que já alcançaram volver atrás, visitando os sítios onde se engrandeceram ou prevaricaram, sentindo-se momentaneamente transportados aos tempos idos. Então mergulham o pensamento no passado, regressando ao presente, dispostos ao heroísmo necessário do futuro. Judas costuma vir a Terra, nos dias em que se comemora a Paixão de Nosso Senhor, meditando nos seus atos de antanho...

Aquela figura de homem magnetizava-me. Eu não estou ainda livre da curiosidade do repórter, mas entre as minhas maldades de pecador e a perfeição de Judas existia um abismo. O meu atrevimento

- O senhor é, de fato, o ex-filho de Iscariotes? - perguntei.

- Sim, sou Judas - respondeu aquele homem triste, enxugando uma lágrima nas dobras de sua longa túnica.
Como o Jeremias, das Lamentações, contemplo às vezes esta Jerusalém arruinada, meditando no juízo dos homens transitórios...

- E uma verdade tudo quanto reza o Novo Testamento com respeito à sua personalidade na tragédia da condenação de Jesus?

- Em parte... Os escribas que redigiram os evangelhos não atenderam às circunstâncias e as tricas políticas que acima dos meus atos predominaram na nefanda crucificação. Pôncio Pilotos e o tetrarca da Galileia, além dos seus interesses individuais na questão, tinham ainda a seu cargo salvaguardar os interesses do Estado romano, empenhado em satisfazer as aspirações religiosas dos anciãos judeus. Sempre a mesma história. O Sanedrim desejava o reino do céu pelejando por Jeová, a ferro e fogo; Roma queria o reino da Terra. Jesus estava entre essas forças antagônicas com a sua pureza imaculada. Ora, eu era um dos apaixonados pelas idéias socialistas do Mestre, porém o meu excessivo zelo pela doutrina me fez sacrificar o seu fundador. Acima dos corações, eu via a política, única arma com a qual poderia triunfar e Jesus não obteria nenhuma vitória. Com as suas teorias nunca poderia conquistar as rédeas do poder, já que, no seu manto e pobre, se sentia possuído de um santo horror à propriedade. Planejei então uma revolta surda como se projeta hoje em dia na Terra a queda de um chefe de Estado. O Mestre passaria a um plano secundário e eu arranjaria colaboradores para uma obra vasta e enérgica como a que fez mais tarde Constantino Primeiro, o Grande, depois de vencer Maxêncio às portas de Roma, o que, aliás, apenas serviu para desvirtuar o Cristianismo. Entregando, pois, o Mestre, a Caifás, não julguei que as coisas atingissem um fim tão lamentável e, ralado de remorsos, presumi que o suicídio era a única maneira de me redimir aos seus olhos.

- E chegou a salvar-se pelo arrependimento?

- Não. Não consegui. O remorso é uma força preliminar para os trabalhos reparadores. Depois da minha morte trágica, submergi-me em séculos de sofrimento expiatório da minha falta. Sofri horrores nas perseguições infligidas em Roma aos adeptos da doutrina de Jesus, e as minhas provas culminaram em uma fogueira inquisitorial, onde, imitando o Mestre, fui traído, vendido e usurpado. Vítima da felonia e da traição deixei na Terra os derradeiros resquícios do meu crime, na Europa do século XV Desde esse dia, em que me entreguei por amor do Cristo a todos os tormentos e infâmias que me aviltavam, com resignação e piedade pelos meus verdugos, fechei o ciclo das minhas dolorosas reencarnações na Terra, sentindo na fronte o ósculo de perdão da minha própria consciência...

- E está hoje meditando nos dias que se foram... - pensei com tristeza.

- Sim... Estou recapitulando os fatos como se passaram. E agora, irmanado com Ele, que se acha no seu luminoso Reino das Alturas que ainda não é deste mundo, sinto nestas estradas o sinal de seus divinos passos. Vejo-O ainda na cruz entregando a Deus o seu destino... Sinto a clamorosa injustiça dos companheiros que O abandonaram inteiramente e me vem uma recordação carinhosa das poucas mulheres que O ampararam no doloroso transe... Em todas as homenagens a Ele prestadas, eu sou sempre a figura repugnante do traidor... Olho complacentemente os que me acusam sem refletir se podem atirar a primeira pedra... Sobre o meu nome pesa a maldição milenária, como sobre estes sítios cheios de miséria e de infortúnio. Pessoalmente, porém, estou saciado de justiça, porque já fui absolvido pela minha consciência no tribunal dos suplícios redentores.

Quanto ao Divino Mestre - continuou Judas com os seus prantos - infinita é a sua misericórdia e não só para comigo, porque, se recebi trinta moedas, vendendo-O aos seus algozes, há muitos séculos Ele está sendo criminosamente vendido no mundo a grosso e a retalho, por todos os preços, em todos os padrões do ouro amoedado...

- E verdade - concluí - e os novos negociadores do Cristo não se enforcam depois de vendê-LO.

Judas afastou-se tomando a direção do Santo Sepulcro e eu, confundido nas sombras invisíveis para o mundo, vi que no céu brilhavam algumas estrelas sobre as nuvens pardacentas e tristes, enquanto o Jordão rolava na sua quietude como um lençol de águas mortas, procurando um mar morto.

Vale pensar e refletir, pelo menos os que desejam abrir as suas mentes e assim ter a possibilidade de entendimento acerca das verdades benditas.
(Humberto de Campos, por Chico Xavier - Crônicas. FEB Editora)


Iran Damasceno.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

" Discussões Quentinhas"




Olá, leitor querido!

Diante de um mundo globalizado e balizado pelos caminhos do capitalismo não poderíamos deixar passar alguns fatos que foram e estão sendo notícia pelo Brasil a dentro. Vejamos as notícias e discussões criadas encima das mesmas para que possamos refletir e formarmos as nossas opiniões. Foi assim:


O que está sendo falado, e muito nas últimas semanas, tem sido a aprovação ou não do PLEBISCITO pela câmara dos deputados em Brasília e a ação dos partidos políticos, portanto e como não poderia deixar de ser, estamos diante de mais um empasse, por dois motivos: Um é justamente quanto a mudança que urge das "ruas" e que está causando uma pressão na classe política mas que não deve ser tratada com toda essa pressa, outra é em relação a postura da "classe à parte" da sociedade, que são os políticos, saírem pela tangente e não tratarem a questão da reforma politica, por exemplo, como a mesma NECESSITA ser tratada. Não temos mais tempo para arquitetar tudo e fazer valer para as eleições do ano que vem, por isso devemos então ter calma e fazermos algo que realmente possa ser concreto quanto as mudanças positivas, porém, vale lembrar que estamos diante da possibilidade do tempo de mandato de um senador ficar mesmo em oito anos, aí estaremos correndo risco de termos o Sarney e Collor por mais esse tempo. Vale lembrar, também, que tudo dependerá de como o povo brasileiro irá se comportar nas urnas.




Como bons latinos que somos estamos novamente diante de polêmicas idiotas em relação ao NARCISISMO, e contraditórios quanto ao que deveria ser entendido mas, ainda assim e miseravelmente erotizados, criticamos ao que não deveria ser objeto de crítica. O brasileiro admira a Gracyanne Barbosa com seu corpo "à lá Conan, o bárbaro", acha bonitinho a "robocop" Ângela Bismarck e critica uma mulher que já foi linda e bela, quando em sua juventude e ainda é uma grande atriz, que é a Beth Faria. Só esquecemos de um detalhe: Ela está com 71 anos de idade e não tem como ter um corpo escultural e, ainda assim, qual o problema da mesma ir à praia de biquíni? Lembremos que ela já teve corpo esguio e jovem.


Agora não somos mais um país tropical onde as pessoas andam com pouca roupa, não é mesmo? Voltamos a década de 1960, por exemplo, onde a mulher tinha que andar com seu corpo coberto por causa da sexualidade incontida e tida como "pecado" e o conservadorismo cruel? Será que não estamos jogando nossas insatisfações e contradições na Beth, pelo fato dela ser atriz e pessoa pública, enquanto nós, "simples mortais", estamos sempre atentos ao preconceito? Vale pensar, viu?




Outro problema que se arrasta a décadas e sempre é visto como situação sem solução é a questão da valorização da classe médica. Entretanto, essa classe tem problemas como muitas outras tão importantes da sociedade e deve ser tratada com mais respeito, até porque ela é fundamental por cuidar da saúde do ser humano e da longevidade, que é a nossa ansiedade maior. Viver mais! Mas, tem seus dois lados como qualquer história. Uma questão é a que se refere aos aspectos que tanto causam indignação: Salários, carga horária, condições de trabalho em hospitais públicos, plano de carreira e valorização do povo. A outra é em relação ao processo contrário quanto a postura da classe que, talvez por uma deturpação que vem de longa data, o médico acaba agindo de maneira equivocada: Tratar ser humano como objeto, banalizar a relação em detrimento a sua vaidade em dizer que "SOU MÉDICO" (pois a décadas atrás quem ostentava o titulo era tido como pessoas importantes), andar de jaleco na rua para ter status (falta de higiene e disseminação de doenças), negar-se a trabalhar porque não recebe salário decente (como no caso do médico que foi um dos responsáveis pelo não atendimento da menina que após ser baleada e, consequentemente, morreu)... E por aí vai...
Admirei a entrevista do ex-ministro da saúde, Dr Adib Jatene, quando o mesmo falou sobre a tarefa de ser médico e atentou para um dos poucos aspectos que deveriam ser observados e não são, que é a dedicação em salvar vidas. Muitos sequer querem sujar seus jalecos de sangue e, quando , por exemplo, ficam enrolando para terminar seu horário e irem embora, ora, se é pra ser assim, não entre na profissão porque esse tipo de personalidade não tem empatia com a linda profissão e ato humanitário, que é ser MÉDICO com letra maiúscula. Obviamente que temos bastante exemplos deploráveis por aí, como funcionários do INSS que prestaram concurso, após estudarem anos para passar e, quando entram, ficam "mamando nas tetas" da "viúva".




Caso encerrado: Paulo Autuori foi embora do Vasco! O que vi de críticas sobre a sua atitude não foi pra menos, porém, será que pensamos antes de criticarmos? Os "cartolas" estão, a tempos, falindo o futebol e as pessoas estão fazendo vista grossa, a maioria dos treinadores de ponta ganham salários astronômicos de R$ 700.000,00 por mês, por exemplo, e fazem trabalhos bons e até mesmo regulares mas, quando são demitidos, os clubes ficam com um rombo milionário causando assim problemas estruturais, como o que o próprio Vasco esta enfrentando devido a administrações passadas e corroboradas pelo atual presidente, Roberto Dinamite. Em minha opinião não era nem pra terem contratado um treinador do porte do Autuori, até porque o clube está em situação delicadíssima, sem elenco e sem patrocínio decente, portanto, porque não ficaram com o Cristóvão bastos e assim se manterem na primeira divisão até as coisas melhorarem? Mas não, acreditam que Marketing desregrado vence demandas e isso somente trás prejuízos. É a história do pobre que limpa o nome e logo em seguida investe em um automóvel a pagar 60 prestações sem sequer saber se estará vivo até lá. Vai com Deus e obrigado pela honestidade Autuori, você mostrou e deu um "tapa sem mão" na "classe" dos treinadores, extremamente desorganizada e desunida, por ter tomado atitude profissional.

Esse foi o "giro de notícias" de hoje, aguardemos as próximas e voltemos a nos "ver".

Grande abraço a todos!

Iran Damasceno.

terça-feira, 9 de julho de 2013

"A História De Bia"




BIA E OS EXTRATERRESTRES

22 de junho de 2008, Caicó, Rio Grande do Norte.

A casa de d. Alzira estava em festa! Sr. Antero, seu marido, chamou toda vizinhança para comemorar a recuperação de Bia, sua filha amada. Os vizinhos, amigos, parentes... Estavam pasmos diante da recuperação tão repentina e rápida, o que não era de se estranhar pelo fato de estarmos em uma cidade do interior, onde as pessoas são bastante impressionadas e impressionáveis por não terem tantos recursos médicos e tecnológicos. As mentes estavam, como se diz nos grandes centros, em “parafuso” e chamaram logo de milagre, o que foi descartado pelo psicólogo Dr. Jorge Antonio, que havia sido chamado na capital RN para atender a querida Bia.  Mas, o que estava chamando à atenção do renomado psicólogo não era somente o fato de Bia ter se recuperado de maneira tão rápida, mas sim a história que estava por trás disso.
Beatriz, carinhosamente chamada de Bia é uma mulher de 32 anos de idade, que foi para o Rio de Janeiro e ficou durante quatro anos até se formar em Pedagogia e assim poder realizar o sonho de ser professora e lecionar para aquela gente sem recurso e tão carente de educação formal. Esses anos vividos na grande cidade maravilhosa não lhe deram apenas o diploma tão sonhado, proporcionaram-lhe conhecimentos diversos e até mesmo para conhecer Marcio, seu professor na universidade. Bia e Marcio tiveram um romance intenso. Marcio era separado e tinha um filho de vinte anos de idade que estava envolvido com as drogas, o que lhe causava bastante preocupação e tristeza por não ser capaz de tirá-lo desse mundo imaginário e pela sua honestidade, além de amar ao filho. Estava sentindo que algo poderia acontecer. Marcio é espírita e atua como médium no centro espírita que frequenta a anos, chamado esperança e caridade, e convidou a Bia que fosse com ele assistir a uma exposição. Ele contou a ela a sua vida e a mesma, ao começar a participar das reuniões, apaixonou-se, também, pelo espiritismo. Passou então a dedicar-se aos estudos e diante das ciências espirituais, de amor e da caridade, iniciou a sua grande trajetória rumo ao que viria pela frente e que certamente essas ciências libertadoras, iriam ajudar bastante. Voltando a Caicó, Bia logo começou a lecionar em uma escola pública, após ser aprovada em concurso publico, e mesmo ganhando um salário insuficiente seu sonho estava se realizando, pois seu pai, um fazendeiro rico da região e pessoa bondosa, está construindo uma escola para que sua filha amada realizasse o sonho de dar aula para pessoas que não podiam, se quer ir para o centro da cidade mais próxima, que ficava a uns 20 quilômetros de distância. Parte do seu sonho era que seu irmão João Paulo pudesse estar ao seu lado, mas o jovem e impulsivo foi morar nos EUA após conhecer Anne Gray, americana que conhecera em São Paulo, na festa de uma amiga íntima. Após tudo isso e o sonho de Bia estar quase ao ponto de se realizar, veio o inesperado: Ela adoeceu repentinamente e ficou dependente da cama. Sr Antero, apavorado, levou-a para o Rio de Janeiro onde fez vários exames, mas nenhum deles acusou absolutamente nada. Retornando a Caicó, juntamente com Marcio, objetivando ajudá-la em sua recuperação, Sr. Antero iniciou conversa mais aprofundada com seu amigo a fim de saber detalhes sobre o que poderia ter acontecido com sua filha, haja vista que Bia, ao vir do Rio em suas férias de fim de ano, para visitar a família, jamais havia se queixado de nada, sendo assim, seu pai ficou ansioso para saber se ela havia sofrido algo na cidade grande. Marcio foi categórico em dizer que Bia talvez tenha vivido os melhores momentos de sua vida por ter feito grandes amizades, por exemplo, o que foi confirmado por seu pai devido ao fato da mesma sempre ter falado maravilhas da sua nova empreitada de vida. Marcio ficou por La durante um mês inteiro acompanhando a sua agonia por estar acamada e não poder dar aulas, que é o seu grande sonho e viver normalmente pelo fato de Bia ser uma pessoa extremamente feliz, e assim ver a possibilidade de cura.
Bia não falava nada, somente olhava tudo ao redor, se alimentava e dormia. Numa certa manhã, quando na varanda tomando café, Sr Antero e Marcio tentavam entender o que poderia estar acontecendo à a moça. Em seus pensamentos mais íntimos Marcio chegou a pensar na possibilidade de bia estar sendo obsediada por espíritos, mas, diante da falta de conhecimento daquelas pessoas sobre o assunto, teve que utilizar uma didática bem elaborada, o que não foi difícil pelo fato deles além de quererem ajudar a amada Bia, eram também pessoas de coração quase puro. Mas, quase que por encanto, surge uma pista sobre algo, em principio surreal, que poderia ter ocorrido. Emilinha, sua amiga e empregada da fazenda desde que nasceu, juntamente com seus pais, que eram amigos de sua família, pediu licença na conversa e relatou algo estarrecedor: ela contou que Bia, há uns dias atrás, chegou em casa assustada após ter vindo do centro da cidade, que fica a uns vinte quilômetros dali, passando pela estrada “boa esperança”, já anoitecendo, parou seu carro, acendendo os faróis, pode observar uma luz intensa saindo do lago que fica abaixo e ao lado da estrada e, como uma mulher corajosa e bondosa, pensou se tratar de um carro acidentado. Desceu o barranco e, para sua surpresa, a tal luz a cegou momentaneamente e a fez ficar inconsciente. Imaginava ela que isso havia ocorrido por alguns instantes, mas o que Bia reparou foi que ao parar seu carro e pelo fato de estar anoitecendo, notou no relógio que já se passava das 18h00, mais precisamente 18h05m. Mas, ai vem o estarrecimento: quando ela retomou a visão e a consciência, que havia perdido parcialmente percebeu que já não havia mais a luz e ao olhar a hora para retornar ao carro, observou que já passava das 21h00, sendo assim, atordoada, mas tranquila e consciente, entrou no carro e retornou a sua casa.
 O curioso é que ao chegar em casa seus pais disseram que haviam ligado insistentemente para seu celular e o mesmo chamava até cair na caixa postal. Ai vem outra surpresa: Bia notou que seu celular estava com a bateria carregada e que a última chamada havia acontecido as 15h03m, quando seus pais lhe disseram que começaram a ligar por volta das 19h00 até as 21h45m. Emílinha confirmou: ela somente contou a mim por confiança e também por achar que poderiam zombar da sua história e até mesmo assustar aos seus pais, que possuíam as crenças da localidade, embora fossem pessoas de bom coração e de mente aberta ao dialogo. Continuou a amiga e empregada dizendo que a partir daí Bia ficou diferente em comportamento ficando mais quieta e sempre pensativa em seu quarto, o que seria de se estranhar por ser ela uma pessoa bastante ativa, feliz e falante. Bem, a partir daí as coisas mudaram quanto à forma de entendimento e Marcio, além de professor e espírita, não descartava a possibilidade de um encontro com seres extraterrestres porque naquela região havia registros antigos de aparições. Portanto, combinou com Sr Antero para irem ao local e foi o que fizeram, mas ao chegarem La, diante das informações de Emilinha, até porque Bia não estava em condições de falar, deu todas as coordenadas e eles acertaram o local. Quando La chegaram notaram que realmente o local estava completamente alterado quanto aos seus aspectos naturais: mato amassado, água sobre os barrancos e algumas árvores queimadas em seu topo. Não havia mais dúvidas segundo Marcio, que ali havia ocorrido algo estranho e diferente. Teve uma ideia: ir ao Centro da capital e procurar informações a respeito de aparições de OVNIS e, para sua surpresa, encontrou relatos sobre aparições naquela região e principalmente naquele exato local. Voltou assustado e com uma cópia de um jornal de época, mais especificamente em agosto de 1977, onde o mesmo relatava a história de um homem chamado João Benevides, que dizia: “Fui levado pela luz forte e fiquei cego por uns dois dias, somente podendo enxergar lentamente e tinha uma lembrança na mente: eles estavam me estudando e passando informações que eu deveria passar aqueles que acreditassem em minhas palavras e disseram ainda que retornariam quando a região estivesse preparada para prestar serviços em benefício daquela gente tão carente”.  A partir daí, como uma luz na mente, imaginando a que possivelmente viu Bia, Marcio pesquisou mais a fundo e descobriu que naquela região, mais especificamente há 325 anos, houve uma guerra entre fazendeiros e trabalhadores, por problemas diversos, onde centenas de pessoas morreram de maneira cruel, diante de assassinatos bárbaros. Portanto, sendo Marcio médium psicógrafo, perguntou ao Sr Antero se ele gostaria de um Aprofundamento das pesquisas. Foi dito a ele, pelo bondoso e “missionário” (?) fazendeiro, que teria todo seu apoio para que ele buscasse tais informações. E foi o que Marcio fez!
Retornou ao Rio de Janeiro dirigindo-se ao centro espírita que frequenta e trabalha para conversar com a direção e assim poder tirar duvidas com seu guia espiritual, pedindo ajuda as esferas superiores e recebeu uma mensagem do espírito chamado Paulo. Ele relatou: “Amigo estávamos ansiosos por esse momento a fim de libertarmos aqueles irmãos desencarnados das algemas do ressentimento e até mesmo de vingança, pela dor que sentiram quando assassinados de forma brutal. A região a qual fostes designado pelo teu próprio coração à frequentar, até porque fazes parte do contexto, está sendo preparada para uma mudança positiva pelos campos da educação, pois outrora as vidas que La se perderam estavam em busca de aperfeiçoamento. Como disse, o terreno está em plena preparação e todos, desde a família de Bia, passando pelo irmão João Benevides, até vocês. As reformas estão prontas e somente os trabalhos materiais ficarão dependentes dos esforços de todos”. Vai, volte a Caicó e diga aos familiares da querida Bia que a mesma estará de pé até o próximo por de sol. Vale lembrar também que o filho do amigo João Benevides, que está aqui comigo felicitando a todos, Mario Benevides, o qual Dará auxílio luxuoso por ser possuidor dos conhecimentos no campo da engenharia. Que as luzes que cegaram momentaneamente aos irmãos missionários, os iluminem os caminhos em busca da redenção”. Marcio saiu da reunião como se estivesse flutuando e a primeira coisa que fez foi ligar para o Sr Antero dizendo que Bia levantaria da cama antes do por do sol. Lembramos que isso foi por volta das 22h00 de sábado e, ao chegar a Caicó, no domingo, as 16h00, ficou estarrecido ao ver que sua querida estava na sala andando de um lado para outro e falante como sempre.
Bem, grande passo em busca da saúde de Bia e dos mistérios já haviam sido dados, todavia era preciso, ainda, entender as mensagens recebidas através de psicografias. O ansioso Marcio, embora sabedor das verdades espirituais, não parou por ai e após conversar com a família de Bia, primeiramente fazendo uma festa particular na sala da casa, ao ver a sua querida recuperada, perguntou ao Sr Antero se ele concordava em construir o mais rapidamente a escola que tanto Bia sonhava. Obviamente que recebeu um sim como resposta. Todavia, Marcio disse que teria que ir ao Rio resolver algumas coisas e retornaria em um mês, despediu-se daquela que seria a sua nova família e partiu. Nesse espaço de tempo em que Marcio estava ausente, Sr Antero e Bia foram a capital para darem os primeiros andamentos em relação à construção da escola e, ao chegarem La, procuraram uma pessoa que costumava vender material de construção para a família, que indicou um engenheiro qualificado para que o mesmo iniciasse os projetos. Ligaram para ele e marcaram um encontro em Caicó. Chagando La apresentou-se e parecendo que já se conheciam há tempos, a simpatia mútua ocorreu de pronto e Mario Benevides foi logo se dizendo feliz em poder participar com seus conhecimentos profissionais com aquela gente tão carente. Notem: seu nome é MARIO BENEVIDES!
Passados quase dois meses, Bia, com muitas saudades de Marcio, ligou para ele e soube que o mesmo estaria saindo do Rio a caminho de Caicó e que viria pra ficar até o término da construção da escola (havia se licenciado da Universidade onde lecionava), o que deixou toda família de Bia muito feliz por verem nele, além de um homem bom, também um dos agentes principais daquela empreitada que viria ser o começo da uma nova era. Mas o homem determinado trazia em sua bagagem muito mais que utensílios e ao chegar foi uma festa só. Comemoraram sua chegada, porém o homem determinado não poderia perder tempo e, após as comemorações, disse que tinha algo muito importante para conversar com Bia e foi direto ao assunto: “Querida Bia trago comigo algo muito importante, através de psicografia. O mesmo amigo espiritual que havia dado as primeiras informações continuou as suas abençoadas contribuições, dizendo”: Marcio, diante da sua capacidade intelectual e bondade no coração, digo-lhe que estas diante de uma tarefa de extrema importância para a libertação daquele povo aprisionado pela ignorância, dos espíritos desencarnados sequiosos por se libertarem das dores morais com as quais se viram portadores quando em partida de volta a pátria espiritual, e também a todos vocês que hoje estão diante de tal missão redentora, da mesma ordem. Aquela região sairá desse aprisionamento diante da ajuda de todos vocês que, em caminhadas pretéritas, de certa forma estavam envolvidos no processo, portanto meu querido amigo, se faz importantíssimo a sua presença naquela região a fim de dar uma contribuição para sua própria liberdade de consciência. “Eu volto assim que a escola sonhada por Bia estiver erguida e funcionando como deve ser e, ai sim, daremos prosseguimento, juntos, ao resgate de caicó”. Força e paz a vocês, queridos amigos!

Ao terminar de ler a mensagem Marcio percebeu que Bia estava em lágrimas e logo chamou seu pai para que todos planejassem as ações de maneira concreta. Mas, antes disso, Bia aproveitando a possibilidade de uma reunião geral, falou que gostaria de saber sobre o que havia ocorrido com ela durante aquela noite em que ficou desacordada, e que lhe trouxe uma espécie de coma, para que entendesse tudo o que estava acontecendo. Marcio então, com os olhos cheios de lágrimas, disse que era hora de contar o porquê de não ter retornado a Caicó em um mês, como havia combinado, e sim após dois meses. Começou pela triste notícia da morte de seu filho, assassinado por traficantes de um morro devido às dívidas contraídas por causa das drogas, causando uma tristeza profunda em Bia e seus familiares, porém o mesmo já se preparava pra isso por causa das inúmeras tentativas fracassadas em retirá-lo dessa vida. Mas, mesmo diante das investidas de Bia para saber detalhes, ele disse que sobre isso trataria mais tarde e que agora precisava falar a respeito do restante do assunto, dizendo: “Bia, aqui está a sua psicografia e espero que saiba entender, aceitar e tirar proveito”. Informo que não a li! A partir de então, chagaram a conclusão que o próximo passo a ser dado seria o inicio das obras e que a leitura daquela mensagem poderia comprometer as ações. Será? CONTINUA...

Iran Damasceno.

sábado, 6 de julho de 2013

"Projeto Livro De Bolso"



Olá, leitor!

Apresento-lhes uma das estórias que escrevo para o meu projeto "livro de bolso", que está aguardando um apoio para ser lançado em casas espíritas, em breve. Trata-se de estórias, como disse, que objetivam entreter ao leitor, bem como divulgar os conceitos espirituais e que serão vendidos a preços módicos e o que for arrecadado, revertidos à casa que o vender para ajudar aos trabalhos.
Então, aí vai uma breve "estória" do primeiro livreto.

Boa leitura!

Iran Damasceno.


“PERDÃO, CAMINHO PARA SALVAÇÃO”

O ano era 1997, uma sexta feira à noite, no centro espírita Amor e Luz, Kleber e Amanda, recentemente casados, foram conhecer e participar da reunião do estudo sistematizado da doutrina espírita a convite de uma amiga, ao chegarem lá, notaram que já conheciam algumas pessoas e se sentiram bastante a vontade. Kleber estava dando seus primeiros passos a caminho da luz redentora do espiritismo, já Amanda, não deu prosseguimento por não ter se interessado muito, apesar de gostar e procurar ler livros sobre assuntos espirituais.
O tempo passou, Kleber e Amanda se separaram, continuaram a serem amigos, porém sem ter mais contato freqüente, a partir daí ele seguiu estudando e se aperfeiçoando nos ensinamentos divinos, o que o ajudou a dar passos largos quanto a sua reforma íntima. Adquirindo mais conhecimentos passou a participar de várias reuniões e de estudos diversos como cursos em outras casas espíritas, até se tornar um expositor e palestrante. Falava com facilidade e possuía um conhecimento que vinha de outras passagens e também de suas estadias no plano espiritual, durante os períodos na erraticidade. Começou a notar que realmente os conhecimentos fluíam com naturalidade, inclusive a mediunidade. Certa vez, quando num domingo chuvoso, dia que Kleber não gostava de sair de casa para poder dormir e assistir a TV começou a sentir umas sensações estranhas e uma vontade irresistível de sair de casa, só não sabia para onde e nem com quem conversar, foi ai que resolveu sair e, ao chegar ao ponto de ônibus, pensou, pensou e resolveu ir ao bairro que havia nascido e se criado, a casa de um amigo de infância, todavia, como procurar alguém com um tempo daquele? Ao chegar à casa do amigo, recebido com estranheza, pelo fato de não ser esperado, começou a conversar e, para sua surpresa e tristeza, o amigo lhe informou que um amigo em comum havia desencarnado de forma trágica: Foi assassinado. Kleber não pensou duas vezes, pegou um táxi e partiu para a casa da família do amigo desencarnado para saber o que realmente havia acontecido, ao chegar lá consolou seus amigos e familiares do amigo desencarnado na tentativa de amenizar-lhes a dor. Soube dos fatos e, despedindo-se dos que sempre considerou, prometeu que levaria o nome do amigo a casa espírita que frequentava e faria uma oração por ele, devido ao sentimento de amizade que nutria pelo desencarnado.
Apenas para lembrar, era um domingo e a reunião de desobsessão era na próxima quarta, o que causou espanto foi o fato de certo mal estar não passar, parecia uma angustia que Kleber não sabia dizer o que era e nem o motivo, que perdurou até o dia da reunião. Ao chegar ao centro, cumprimentou aos amigos e pediu que fizessem uma prece para seu amigo desencarnado na hora do contato mediúnico. Foi feito e, para espanto seu, durante a oração um espírito se manifestou e perguntou o que estava acontecendo com ele, porque estava em certo local sendo cobrado se seu algoz não estava ali para ser cobrado também, Kleber manteve-se em oração e ainda não achava se tratar do amigo desencarnado, porém ao final da conversa entre o amigo e um irmão que o estava orientando veio a certeza diante de tal comentário: “gostaria de perguntar se posso voltar aqui”? O irmão que o estava orientando disse que se fosse da vontade de Deus ele poderia voltar sempre que quisesse e, quem sabe, para trabalhar na casa. Veio então a surpresa: “gostaria de agradecer ao amigo “pezão” (como ele chamava o amigo encarnado) e deixar um abraço”. Kleber ficou emocionado e começou a chorar calmamente, permanecendo em oração. Terminada a reunião o irmão que havia orientado seu amigo desencarnado, perguntou-lhe: “E ai Kleber, será que era seu amigo”? Sem “pestanejar” Kleber respondeu que não tinha dúvida alguma, até porque nunca havia comentado sobre seu amigo ali na casa e muito menos ele teria, sequer, passado perto dali, e ainda falou seu apelido dado pelo amigo desencarnado.
Kleber, ao ir embora, notou que o peso que sentia havia passado de forma total, não sentia mais nada e, a sensação que tinha, era de alivio e bem estar.
Passado isso sua Fé e suas certezas aumentaram ainda mais, até que um dia foi intuído por um irmão espiritual para que escrevesse sempre que possível. Ele, a principio, não entendeu muito bem e achou que se tratava somente de animismo, mas, começou a exercitar sua escrita em qualquer lugar sempre que sentia vontade sem se preocupar com organização, o que não era adequado por se tratar de um trabalho mediúnico ou até mesmo missão para a descoberta de um novo trabalho que se descortinava em sua vida. Cuidado é sempre bem vindo.
O tempo passou e as coisas foram acontecendo naturalmente até que Kleber conheceu Arthur, jovem estudante do espiritismo, em uma casa espírita onde estava frequentando a pouco e os dois fizeram uma amizade somente dentro do centro, pois moravam longe um do outro. Kleber, interessado em seus relatos,  marcou um encontro para somente conversarem sobre tais fatos.
Arthur então lhe contou que, certa vez em uma festa, ele estava bastante animado, tomando suas cervejinhas, dançando, contando piadas e brincando com pessoas quando uma das convidadas da festa sentiu-se mal e caiu no chão desacordada, todos a acudiram e, ao retomar a consciência, começou a falar com voz diferente e um estranho olhar tomou a direção de Arthur desferindo palavras de baixo calão e até mesmo de situações que ele havia vivido. Em principio Arthur ficou nervoso com a situação, pois era um momento de descontração e ele não tinha experiência em lidar com aquele fato que, por vezes, só vivenciara na teoria dos estudos dentro da casa espírita e através das leituras de livros edificantes. A menina continuou desferindo ofensas e não tirava o olhar de Arthur, o que lhe dava ainda mais a certeza de ser com ele aquela conversa desagradável, contudo, pediu que as pessoas se afastassem e levou-a para dentro da casa, com a ajuda dos donos do recinto, onde começaram um diálogo mais próximo e direto. Notava-se tratar de um espírito desencarnado, porém, para isso havia a necessidade de certificar-se do fato para que não corresse o risco de passar ainda mais vergonha, foi quando perguntou ao espírito (?) quem ele era, da seguinte forma: “Meu irmão, você me conhece”? As gargalhadas e detendo um ódio profundo, o espírito respondeu-lhe o seguinte: “irmão, você tem coragem de me chamar assim? Fez o que fez comigo e tem a petulância de se aproximar de forma ordinária? Ainda que tenhamos tido uma aproximação sanguínea eu não te dou o direito de me afrontar dessa forma, és um covarde ambicioso e eu vou te destruir, você vai ver.” Arthur não entendia do que se tratava, só imaginava que poderia ser algum obsessor comum, transeunte de locais como festas, ruas... Mas, porque ele falou de aproximação sanguínea, questionou a si próprio, para sua surpresa o espírito lhe relatou coisas de sua infância que até ele havia esquecido, como um tombo de um muro ao tentar pegar pipa na rua onde morava, a partir daí percebeu se tratar de alguém que queria vingança, entretanto como não possuía experiência e condições psicológicas devido a sua pouca idade e o local também não era o mais adequado, desculpou-se com seus amigos donos da casa e foi embora. Assim que saiu o espírito não demorou e foi-se também.
Na semana seguinte Arthur foi ao centro conversar com o Sr José, pessoa bondosa e que o ouvia e orientava sempre que necessitava de algo, relatou tudo que havia ocorrido e seu desconforto emocional após o fato, o que era até natural devido ao desequilíbrio psicológico causado pelas circunstâncias, foi ai que o Sr José lhe convidou a participar da reunião de desobsessão, reunião essa que Arthur ainda não participava devido aos seus conhecimentos serem acanhados para entender tal trabalho. Ele foi, estava emocionalmente desorientado, certamente pela obsessão que estava sofrendo, mas ao chegar a casa no dia da reunião algo emocionante lhe aconteceu, ao entrar, chegara mais cedo para orar, começou a chorar copiosamente e foi tomado por uma emoção muito grande ao ponto de ter em sua mente um nome bastante vezes falado, o que, de certa forma, o acalmou e deixou-o feliz, mas ele não sabia do que se tratava. O nome era Levir. Ele, a principio, não conhecia nenhum Levir e nem sabe de alguém que se chame assim. Passou mais algum tempinho e as pessoas foram chegando para a reunião, Sr José o chamou para sentar-se a mesa e os trabalhos começaram com a prece de abertura, feita após a leitura de uma página de um livro de estudos, já deixou uma leve impressão do que vinha a ocorrer, na parte principal dos trabalhos. o Espírito que o interpelou na festa se manifestou e disse que não adiantava Arthur cercar-se de ninguém porque ele não o deixaria em paz. Era vingança mesmo!
Para que os fatos fossem elucidados o Espírito comunicante foi devidamente orientado, embora não quisesse saber de nada que fosse correto e de bondade, Sr José perguntou de quem se tratava para que pudessem entender o que ele queria, foi quando a resposta veio desafiadora e deseducada, porém, Sr José, mesmo sendo uma pessoa educada e do bem, não permitiu que o comunicante crescesse em atitudes e colocou-o em seu lugar para que soubesse do que se tratava, foi quando ele calou-se e passou a ouvir o velho e sábio Sr bondoso, porém firme e astuto. Começou assim, sua oratória: “Vou tratar-lo como quer, não aceitas que lhe chame de irmão porque tens uma revolta trazida de longa data, assim percebo, caso queira relatá-la posso ouvi-lo desde que se comporte como um Espírito desencarnado que está precisando de algum tipo de ajuda compreendeu? O Espírito comunicante, sempre agressivo, tentou atacar Arthur com palavras ofensivas e palavrões, mas sempre vigiado por Sr José foi controlado, prosseguiu sua comunicação, mais calmo, quando surpreendeu a todos ao relatar seu sofrimento. Antes de prosseguir, gostaria de fazer um breve resumo da vida de Arthur, breve porque o jovem tinha apenas 24 anos de idade. Seguinte: Arthur, filho de pais trabalhadores e detentores de posses devido à herança de antepassados, nascido em bairro de classe média alta, estudou em bons colégios, falava inglês, fez natação por mais de dez anos, viajou por mais de quatro países, era uma pessoa de muitas dúvidas, tudo que fazia não sabia se iria dar certo, todavia, ao deparar-se com certezas que possuía resolveu buscar conhecimentos no espiritismo devido à visão crítica  que em outra religião ele não encontraria, foi ai que encontrou seu caminho. O que ele não sabia é que ali começava uma busca por si mesmo, estava prestes a conhecer situações e coisas novas que, para uma pessoa consumista e materialista, que gostava de mandar em tudo, não imaginava o que lhe aconteceria e muito menos que o ajudaria a ser uma pessoa melhor, mesmo que através do sofrimento que era conseqüência de seus próprios atos passados.
Segundo seus pais, desde cedo Arthur se mostrava “mandão”, não gostava que suas ordens fossem descumpridas, ainda mais quando era acometido de uma dor insuportável oriunda de uma úlcera gástrica. Só elogiava quando entendia que a pessoa gostava dele, porém, havia algo de diferente em sua personalidade, era bom de coração, tinha o hábito de ajudar pessoas que estavam em situações de dificuldade o que parecia ser contraditório, mas eram indícios da preparação que teve no período pré-encarnatório. Vinha de vidas com dívidas ativas, aliás, quem de nós não as tem?
Voltando ao Espírito comunicante: “Eu sofri e sofro até hoje, não havia motivos para ele ter feito o que fez enganar-me durante anos dizendo que gostava de mim e preparar um plano mirabolante para roubar-me os bens, como fez com maestria. Eu era detentora de muitas terras que meus pais haviam deixado, nas quais trabalhei de sol a sol para fazê-las produzir, e isso aconteceu. Éramos produtores de café e gerávamos muitos empregos para famílias desafortunadas, meus pais eram muito bons e ajudavam a muita gente, até que um dia ele faleceu de problemas cardíacos e, minha mãe, como era apaixonada por ele, não agüentou e foi-se também dois anos após. Foi ai que ele se aproximou de mim, pois era meu primo em primeiro grau, seu pai era irmão do meu, e prometeu me ajudar porque as responsabilidades eram muito grandes, muito negócio a ser organizado e foi ai que aceitei. No começo ele foi extremamente atencioso e me mostrava tudo o que fazia, com o passar do tempo, comecei a estranhar que os valores arrecadados com a plantação e venda do café estava cada vez mais baixa. Com o passar do tempo adoeci, fiquei completamente dependente da cama devido às dores de estômago que a cada dia intensificavam-se e ficavam fortíssimas ao ponto de eu não aguentar mais, e vir a falecer. Quando acordei, ainda com dores muito fortes, notei que o local onde estava era de intensa calmaria, porém não entendi o que havia acontecido comigo, cheguei a achar que estava acordando de uma cirurgia e tentei me comunicar com pessoas, mas não havia ninguém que pudesse me orientar. Comecei a andar com muita dificuldade até que me deparei com pessoas conversando ao redor de um lindo lago, foi quando perguntei onde estava e para minha surpresa uma dessas pessoas era meu avô materno Levir que havia falecido quando eu tinha 12 anos de idade, e perguntei: “Como pode ser a senhor vovô, se estou com 47 anos de idade e a senhor faleceu quando eu era criança”? Ele, amavelmente respondeu: “Minha amada netinha estou Feliz em reencontrá-la e a resposta para sua dúvida virá de você mesma”.
Aconteceu algo que eu senti de instantâneo: ”Vovô, aquele livro que li sobre vida após a morte tem algo haver com isso”? Ele respondeu, beijando-me a face: “Sim minha filha, não imaginei que entenderia tão rapidamente assim, você desencarnou”! “Mas não te desesperes porque estás em um lugar bastante agradável, as pessoas que aqui habitam estão nas mesmas circunstâncias que você, precisam se recuperar e seguirem suas vidas”. “De pronto me desesperei e parti em busca de não sei o que, fui em desespero a um lugar que me era familiar guiada pelo meu sofrimento. Era um bairro vizinho ao que eu morava, ali estava meu primo Jarbas. Quando eu o vi percebi que suas idéias e intentos haviam triunfado, ele me envenenou aos poucos para ficar com minha herança e ninguém percebeu nada devido aos “cuidados” que teve em colocar, diariamente, porções de veneno em minhas refeições, assim ninguém desconfiaria de nada. Foi o que acabou acontecendo. Descobrindo a trama macabra, passei a odiá-lo de forma mortal e iniciei um processo de obsessão mesmo sem saber o que era e como fazer, tentei bater em sua face e foi ai que notei que a cada tentativa eu não conseguia, porém, ele se incomodava com as investidas”.
“Fiquei anos a atormentá-lo e, quando notei que podia fazer isso, diante das suas fraquezas e maldades, percebi que ele adoecia a cada dia devido a uma dor de estômago fortíssima e veio a falecer após sete anos de perturbação de minha parte. Quando ele morreu fui tomada por uma espécie de sonolência e perdi totalmente a noção das coisas acordando num lugar asqueroso, levada por pessoas de aparências horrorosas e mal cheirosas que me ensinavam coisas tenebrosas. Não fui maltratada, mas o local era um verdadeiro inferno, onde não havia noção de tempo e somente percebi isso após convivência com Espíritos mais experientes que eu e que me informaram já ter passado mais de 70 anos no tempo da terra, sendo assim, logo percebi que tive atenção total devido as minhas intenções que era vingar-me de meu primo. Mas como fazer isso se não sabia como encontrá-lo? Veio a informação dos detratores ao dizerem-me o seguinte: “Vamos até seu primo, sabemos onde ele está”. Não pensei duas vezes e parti em companhia deles até chegar a um local escuro e de muitos gritos, para minha surpresa vi Jarbas agachado como se estivesse defecando, mas era de dor, seu estômago lhe atormentava através de sensações sofríveis, mas não tive pena alguma e parti para o ataque. Ele não se movia e me dizia coisas horrorosas do tipo: “Você era fraca nos negócios e iria levar tudo a falência, por isso tive que tomar a frente das coisas”. Respondi agressiva: “Mas nada era seu, meus pais deixaram-me os negócios como herança depois de uma vida inteira de trabalho, seu canalha”. A ambição de Jarbas era incontrolável e enquanto encarnado não media esforços para obter as coisas.
“Continuei a obsediá-lo até que um dia, quando voltei de um local de organização de detratores, ele havia sumido e daí não o vi mais. Fui encontrá-lo encarnado como Arthur por informações daqueles que queriam que eu continuasse a maltratá-lo, por isso estou aqui para me vingar”.
Mas qual é o seu nome, perguntou o amável Sr José? Respondeu-lhe o Espírito: “Me chamo Josefa”! “Então querida, estás mais aliviada por ter desabafado”? “Confesso que sim Sr José, ainda mais com seu afeto e peço desculpas por ter sido deselegante com uma pessoa tão bondosa”. “Porque não se livra desse sentimento que a atormenta tanto”? “Não percebes que estás fazendo o mal também a si própria”? “Sim, confesso que estou profundamente angustiada e sofrível, até porque são anos de tormenta devido a covardia do Jarbas, hoje Arthur”. Vamos fazer um trato, sugeriu Sr José: Respondeu com certa curiosidade, Josefa: “Que trato”? “Porque não aceitas a ajuda dos amigos que ai estão para que possas ser levada a um lugar abençoado, sem sofrimento e de recuperação”?
Antes de ela responder um Espírito pediu passividade, sendo permitido por Sr José: “Quem deseja falar, perguntou amavelmente”: “Deus seja louvado e continue a abençoar a todos nós”. Iniciou o Espírito comunicante: “Chamo-me Levir e sou avô de Josefa e Jarbas, hoje, Arthur”. “Venho para ajudar a ambos e, principalmente a ela, para que desista de se atrasar na senda da evolução, o que aconteceu foi uma história de triste desfecho, porém, diante de tais ensinamentos, acredito que ambos já tenham conhecimento suficiente da situação para que tomem atitudes mais elevadas no perdão e, consequentemente, sigam seus caminhos sob a orientação de nosso mestre Jesus”. Sr José agradeceu ao irmão desencarnado e disse que ele teria sido importantíssimo e se poderia encaminhar Josefa a um local de atendimento fraterno. Levir respondeu de pronto: “Estou aqui para isso, aliás, venho a tempos tentando orientar a Josefa para que não continuasse em tais investidas, acho que só depende dela”.
Josefa tomou a conversa e respondeu: “Querido vovô, acho que estou muito cansada e dolorida de tanto querer vingança, agora entendo que será importante para mim ser levada pelo Sr a algum lugar que possa me cuidar”. ”Repito minha amada neta, estou contigo todo esse tempo para essa finalidade, sendo assim, podemos ir”? Sim, respondeu aliviada e cansada sem deixar de agradecer ao Sr José: “Obrigada meu amigo bondoso, devo-lhe muito”. Sr José, de pronto retrucou: “Não me deve absolutamente nada, nessa minha tarefa, meu “pagamento” é vê-la bem”. “Mas antes de partir, gostaria de saber como fica seu sentimento em relação a Arthur”? Ela, como que sem entender a rapidez dos acontecimentos, respondeu somente de forma racional: “Não quero mais me perturbar perturbando a ele, espero que faça algo de bom para pessoas necessitadas e que entenda o que passei”.
Atento a tudo, Arthur chorava de forma verdadeiramente jubilosa e prometeu a Deus, em oração, que quando saísse dali pediria aos seus pais que lhe doasse em vida parte da herança a que tem direito, pois iria reverter em ajuda a crianças portadoras de câncer e abandonadas por pais irresponsáveis. Para sua surpresa, antes de partir, Josefa, lendo seus pensamentos, falou com ele: “Acho que todo sofrimento pelo qual passamos serviu e dará frutos, sua atitude é louvável. Siga em frente”.
Saídos da reunião aliviados, todos os envolvidos ouviram de Arthur: “Chegou a hora de eu começar meu trabalho": “Servir ao próximo”.

Passados seis anos, Arthur veio a desencarnar devido a úlcera no estômago e seus pais deram continuidade ao trabalho que ele havia iniciado construindo uma casa de caridade, intitulada: “Casa de Arthur”.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

"Novela Boa Também É Cultura"






"Quando a arte imita a vida em sua mais perfeita acepção e singularidade pluralizada".

Olá, leitor amigo!

Duas virtudes mais admiráveis em um ser humano: A gratidão e o reconhecimento das falhas! Hoje me rendo ao erro sobre o que eu disse, a tempos, sobre um autor de novelas que era tido por mim como chato e até mesmo melancólico. Refiro-me ao excelente Manoel Carlos, vulgo "maneco". Ontem eu voltei no tempo em relação a algo que eu achei que nunca mais fosse ocorrer comigo, que é me emocionar com novelas, porém informo que isso ocorreu com uma novela mais antiga e que as novas não me atraem em nada. O final da novela Felicidade foi emocionante e me deixou com lágrimas nos olhos, pude perceber coisas e situações que antes eu não percebia e agora, diante de um momento de maior maturidade e personalidade fortalecida, atentei aos fatos abordados e as características das personagens me chamaram demais.
A novela passou entre 7 de outubro 1991 e 30 de maio de 1992, escrita por Manoel Carlos, colaboração de Elizabeth Jhin, dirigida por Denise Saraceni e baseada nos contos de Aníbal Machado, trazendo tônicas sobre assuntos do dia a dia em uma sociedade moderna e, o que para mim foi marcante, como disse, foram as personagens e as mesmas interpretadas por grandes atores. Agora, para que o leitor se atente ao que quero dizer, vamos aos personagens, alguns é claro, para traçar os seus perfis e podermos perceber alguma similaridade conosco ou com alguém que conheçamos. Vale lembrar, que: Não tenho a menor dúvida que pelo menos um deles que citarei, temos algum conhecimento. São eles:



Chico Treva!

Essa personagem, brilhantemente interpretado pelo excepcional ator Edney Giovenazzi, marcou pela sua bondade de homem puro que foi "marcado" pela vida devido aos seus defeitos físicos, entretanto detentor de uma bondade contagiante. Marcou não somente a carreira do ator, mas a nossa imagem em relação ao que nós observamos como "feio". Lindo!




Ataxerxes!

Outro personagem que me chamou demais, até porque temos algumas semelhanças (?), foi o do ótimo ator Umberto Magnani, que interpretou o "Ataxerxes". Homem sonhador e de boa índole, todavia estava sempre sonhando com a cabeça na lua e os pés também. Por causa disso acabou aprisionando a família e principalmente a mulher por causa dos seus sonhos descabidos. Muito engraçado e aprazível de se ver. Marcou!




Álvaro!

O sempre providencial e, diante do seu estilo, o talentoso Toni Ramos, marcou a trama por um aspecto fundamental e que está difícil de encontrarmos na vida real. Pessoa de bem e altruísta! Homem honesto aos extremos, carinhoso com todos e um verdadeiro "gentleman" na arte de lidar com as mulheres. Muito bom!




Mário!

O também bom ator Herson Capri marcou como aquele cara "bom de onda" com todo mundo e de um coração enorme, passou a novela inteira tentando conquistar o coração da "mimada" Helena (Maitê Proença). Muito difícil de encontramos em qualquer esquina uma pessoa com tamanha calma e discernimento das coisas. Foi muito legal e ensinou demais.




Zé Diogo!

A "minha cara" em termos de subversões, no sentido de lutar pelos seus direitos e sonhos. Íntegro e perseverante, porém impulsivo, lembra bastante o jovem da década de 1980 que queria tomar o mundo devido a abertura de novos horizontes. Escritor ideológico, abria mão de ganhar dinheiro para escrever sobre o que achava que poderia homenagear. Deu equilíbrio a trama quando "peitou" a mimada Helena e lhe disse sobre as suas ir responsabilidades. Muito legal!




Helena!

A personagem central que causava até mesmo uma certa raiva por ser uma mulher mimada em seus anseios, talvez pelo fato de ter tido três homens apaixonados por ela, o que a fez se sentir, ainda que de maneira "meio inconsciente" uma "dondoquinha" e comprometendo a saúde mental da própria filha. Em vários momentos da trama me irritou profundamente, mas vale lembrar que era uma mulher de bom coração quando perdoou e ajudou a vilã Débora (Viviane Pasmanter). Bom pra estudo sobre a carência e mimos de certas mulheres.




Débora!

Toda trama que se preze tem que ter o vilão ou a vilã. Essa foi uma das mais odiadas na história das telenovelas vividas pela ótima atriz Viviane Pasmanter. Tratava-se de uma psicopata que atrapalhava a vida de todos, inclusive do próprio filho e do ex-marido que era o seu objeto de cobiça. tramava as suas agruras de maneira sorrateira e fingia-se de boa moça pra conseguir o que queria mas, o pior de tudo, que caracteriza o psicopata, era passar por cima de tudo e de todos para conseguir o que queria sem arrependimentos. Excelente a atuação da atriz e a personagem me serve de estudo. Extremamente NARCÍSICA!




Família Batista!

Família de classe media baixa que tinha como sonho se dar bem na vida, através do trabalho. Gente honesta! A Tuquinha (Maria Ceiça), uma mulata de talento e de coração puro, assassinada pelo também psicopata Tide (Maurício Gonçalves) foi vitima da sua grande bondade por querer ajudar a quem não queria sua ajuda. Marcaram pela alegria e por representarem uma família que vive em uma vila onde os vizinhos são unidos e as festas ocorrem constantemente. A tipica família brasileira!



Ametista!

Essa personagem (Ariclê Perez - memória), infelizmente falecida de maneira trágica, me chamou demais pelo fato de seu problema ser bastante comum principalmente com as mulheres que queriam se emancipar na década de 1970, onde a mesma teve que abandonar seus sonhos para acompanhar o marido e, assim como não foi resolvido, ficou com aquela frustração guardada em seu íntimo levando-a a falecer de emoção ao assistir a uma apresentação de balé, que era o seu maior sonho. Muito profundo e marcante!

Bem, por aqui eu fico mas antes de ir, gostaria de dizer: Novela pode ser sim uma grande diversão e principalmente uma forma de refletirmos sobre a realidade da qual fazermos parte, entretanto vale lembrar que  para isso acontecer a mesma precisa ser bem escrita e dirigida, pois do contrário vira essas porcarias de hoje em dia que somente se preocupam em mostrar bundas e assassinatos, além ensinarem como ser promiscuo. Parabéns maneco e desculpe o meu preconceito.

Felicidades pra todos nós...

Iran Damasceno.