sábado, 6 de julho de 2013

"Projeto Livro De Bolso"



Olá, leitor!

Apresento-lhes uma das estórias que escrevo para o meu projeto "livro de bolso", que está aguardando um apoio para ser lançado em casas espíritas, em breve. Trata-se de estórias, como disse, que objetivam entreter ao leitor, bem como divulgar os conceitos espirituais e que serão vendidos a preços módicos e o que for arrecadado, revertidos à casa que o vender para ajudar aos trabalhos.
Então, aí vai uma breve "estória" do primeiro livreto.

Boa leitura!

Iran Damasceno.


“PERDÃO, CAMINHO PARA SALVAÇÃO”

O ano era 1997, uma sexta feira à noite, no centro espírita Amor e Luz, Kleber e Amanda, recentemente casados, foram conhecer e participar da reunião do estudo sistematizado da doutrina espírita a convite de uma amiga, ao chegarem lá, notaram que já conheciam algumas pessoas e se sentiram bastante a vontade. Kleber estava dando seus primeiros passos a caminho da luz redentora do espiritismo, já Amanda, não deu prosseguimento por não ter se interessado muito, apesar de gostar e procurar ler livros sobre assuntos espirituais.
O tempo passou, Kleber e Amanda se separaram, continuaram a serem amigos, porém sem ter mais contato freqüente, a partir daí ele seguiu estudando e se aperfeiçoando nos ensinamentos divinos, o que o ajudou a dar passos largos quanto a sua reforma íntima. Adquirindo mais conhecimentos passou a participar de várias reuniões e de estudos diversos como cursos em outras casas espíritas, até se tornar um expositor e palestrante. Falava com facilidade e possuía um conhecimento que vinha de outras passagens e também de suas estadias no plano espiritual, durante os períodos na erraticidade. Começou a notar que realmente os conhecimentos fluíam com naturalidade, inclusive a mediunidade. Certa vez, quando num domingo chuvoso, dia que Kleber não gostava de sair de casa para poder dormir e assistir a TV começou a sentir umas sensações estranhas e uma vontade irresistível de sair de casa, só não sabia para onde e nem com quem conversar, foi ai que resolveu sair e, ao chegar ao ponto de ônibus, pensou, pensou e resolveu ir ao bairro que havia nascido e se criado, a casa de um amigo de infância, todavia, como procurar alguém com um tempo daquele? Ao chegar à casa do amigo, recebido com estranheza, pelo fato de não ser esperado, começou a conversar e, para sua surpresa e tristeza, o amigo lhe informou que um amigo em comum havia desencarnado de forma trágica: Foi assassinado. Kleber não pensou duas vezes, pegou um táxi e partiu para a casa da família do amigo desencarnado para saber o que realmente havia acontecido, ao chegar lá consolou seus amigos e familiares do amigo desencarnado na tentativa de amenizar-lhes a dor. Soube dos fatos e, despedindo-se dos que sempre considerou, prometeu que levaria o nome do amigo a casa espírita que frequentava e faria uma oração por ele, devido ao sentimento de amizade que nutria pelo desencarnado.
Apenas para lembrar, era um domingo e a reunião de desobsessão era na próxima quarta, o que causou espanto foi o fato de certo mal estar não passar, parecia uma angustia que Kleber não sabia dizer o que era e nem o motivo, que perdurou até o dia da reunião. Ao chegar ao centro, cumprimentou aos amigos e pediu que fizessem uma prece para seu amigo desencarnado na hora do contato mediúnico. Foi feito e, para espanto seu, durante a oração um espírito se manifestou e perguntou o que estava acontecendo com ele, porque estava em certo local sendo cobrado se seu algoz não estava ali para ser cobrado também, Kleber manteve-se em oração e ainda não achava se tratar do amigo desencarnado, porém ao final da conversa entre o amigo e um irmão que o estava orientando veio a certeza diante de tal comentário: “gostaria de perguntar se posso voltar aqui”? O irmão que o estava orientando disse que se fosse da vontade de Deus ele poderia voltar sempre que quisesse e, quem sabe, para trabalhar na casa. Veio então a surpresa: “gostaria de agradecer ao amigo “pezão” (como ele chamava o amigo encarnado) e deixar um abraço”. Kleber ficou emocionado e começou a chorar calmamente, permanecendo em oração. Terminada a reunião o irmão que havia orientado seu amigo desencarnado, perguntou-lhe: “E ai Kleber, será que era seu amigo”? Sem “pestanejar” Kleber respondeu que não tinha dúvida alguma, até porque nunca havia comentado sobre seu amigo ali na casa e muito menos ele teria, sequer, passado perto dali, e ainda falou seu apelido dado pelo amigo desencarnado.
Kleber, ao ir embora, notou que o peso que sentia havia passado de forma total, não sentia mais nada e, a sensação que tinha, era de alivio e bem estar.
Passado isso sua Fé e suas certezas aumentaram ainda mais, até que um dia foi intuído por um irmão espiritual para que escrevesse sempre que possível. Ele, a principio, não entendeu muito bem e achou que se tratava somente de animismo, mas, começou a exercitar sua escrita em qualquer lugar sempre que sentia vontade sem se preocupar com organização, o que não era adequado por se tratar de um trabalho mediúnico ou até mesmo missão para a descoberta de um novo trabalho que se descortinava em sua vida. Cuidado é sempre bem vindo.
O tempo passou e as coisas foram acontecendo naturalmente até que Kleber conheceu Arthur, jovem estudante do espiritismo, em uma casa espírita onde estava frequentando a pouco e os dois fizeram uma amizade somente dentro do centro, pois moravam longe um do outro. Kleber, interessado em seus relatos,  marcou um encontro para somente conversarem sobre tais fatos.
Arthur então lhe contou que, certa vez em uma festa, ele estava bastante animado, tomando suas cervejinhas, dançando, contando piadas e brincando com pessoas quando uma das convidadas da festa sentiu-se mal e caiu no chão desacordada, todos a acudiram e, ao retomar a consciência, começou a falar com voz diferente e um estranho olhar tomou a direção de Arthur desferindo palavras de baixo calão e até mesmo de situações que ele havia vivido. Em principio Arthur ficou nervoso com a situação, pois era um momento de descontração e ele não tinha experiência em lidar com aquele fato que, por vezes, só vivenciara na teoria dos estudos dentro da casa espírita e através das leituras de livros edificantes. A menina continuou desferindo ofensas e não tirava o olhar de Arthur, o que lhe dava ainda mais a certeza de ser com ele aquela conversa desagradável, contudo, pediu que as pessoas se afastassem e levou-a para dentro da casa, com a ajuda dos donos do recinto, onde começaram um diálogo mais próximo e direto. Notava-se tratar de um espírito desencarnado, porém, para isso havia a necessidade de certificar-se do fato para que não corresse o risco de passar ainda mais vergonha, foi quando perguntou ao espírito (?) quem ele era, da seguinte forma: “Meu irmão, você me conhece”? As gargalhadas e detendo um ódio profundo, o espírito respondeu-lhe o seguinte: “irmão, você tem coragem de me chamar assim? Fez o que fez comigo e tem a petulância de se aproximar de forma ordinária? Ainda que tenhamos tido uma aproximação sanguínea eu não te dou o direito de me afrontar dessa forma, és um covarde ambicioso e eu vou te destruir, você vai ver.” Arthur não entendia do que se tratava, só imaginava que poderia ser algum obsessor comum, transeunte de locais como festas, ruas... Mas, porque ele falou de aproximação sanguínea, questionou a si próprio, para sua surpresa o espírito lhe relatou coisas de sua infância que até ele havia esquecido, como um tombo de um muro ao tentar pegar pipa na rua onde morava, a partir daí percebeu se tratar de alguém que queria vingança, entretanto como não possuía experiência e condições psicológicas devido a sua pouca idade e o local também não era o mais adequado, desculpou-se com seus amigos donos da casa e foi embora. Assim que saiu o espírito não demorou e foi-se também.
Na semana seguinte Arthur foi ao centro conversar com o Sr José, pessoa bondosa e que o ouvia e orientava sempre que necessitava de algo, relatou tudo que havia ocorrido e seu desconforto emocional após o fato, o que era até natural devido ao desequilíbrio psicológico causado pelas circunstâncias, foi ai que o Sr José lhe convidou a participar da reunião de desobsessão, reunião essa que Arthur ainda não participava devido aos seus conhecimentos serem acanhados para entender tal trabalho. Ele foi, estava emocionalmente desorientado, certamente pela obsessão que estava sofrendo, mas ao chegar a casa no dia da reunião algo emocionante lhe aconteceu, ao entrar, chegara mais cedo para orar, começou a chorar copiosamente e foi tomado por uma emoção muito grande ao ponto de ter em sua mente um nome bastante vezes falado, o que, de certa forma, o acalmou e deixou-o feliz, mas ele não sabia do que se tratava. O nome era Levir. Ele, a principio, não conhecia nenhum Levir e nem sabe de alguém que se chame assim. Passou mais algum tempinho e as pessoas foram chegando para a reunião, Sr José o chamou para sentar-se a mesa e os trabalhos começaram com a prece de abertura, feita após a leitura de uma página de um livro de estudos, já deixou uma leve impressão do que vinha a ocorrer, na parte principal dos trabalhos. o Espírito que o interpelou na festa se manifestou e disse que não adiantava Arthur cercar-se de ninguém porque ele não o deixaria em paz. Era vingança mesmo!
Para que os fatos fossem elucidados o Espírito comunicante foi devidamente orientado, embora não quisesse saber de nada que fosse correto e de bondade, Sr José perguntou de quem se tratava para que pudessem entender o que ele queria, foi quando a resposta veio desafiadora e deseducada, porém, Sr José, mesmo sendo uma pessoa educada e do bem, não permitiu que o comunicante crescesse em atitudes e colocou-o em seu lugar para que soubesse do que se tratava, foi quando ele calou-se e passou a ouvir o velho e sábio Sr bondoso, porém firme e astuto. Começou assim, sua oratória: “Vou tratar-lo como quer, não aceitas que lhe chame de irmão porque tens uma revolta trazida de longa data, assim percebo, caso queira relatá-la posso ouvi-lo desde que se comporte como um Espírito desencarnado que está precisando de algum tipo de ajuda compreendeu? O Espírito comunicante, sempre agressivo, tentou atacar Arthur com palavras ofensivas e palavrões, mas sempre vigiado por Sr José foi controlado, prosseguiu sua comunicação, mais calmo, quando surpreendeu a todos ao relatar seu sofrimento. Antes de prosseguir, gostaria de fazer um breve resumo da vida de Arthur, breve porque o jovem tinha apenas 24 anos de idade. Seguinte: Arthur, filho de pais trabalhadores e detentores de posses devido à herança de antepassados, nascido em bairro de classe média alta, estudou em bons colégios, falava inglês, fez natação por mais de dez anos, viajou por mais de quatro países, era uma pessoa de muitas dúvidas, tudo que fazia não sabia se iria dar certo, todavia, ao deparar-se com certezas que possuía resolveu buscar conhecimentos no espiritismo devido à visão crítica  que em outra religião ele não encontraria, foi ai que encontrou seu caminho. O que ele não sabia é que ali começava uma busca por si mesmo, estava prestes a conhecer situações e coisas novas que, para uma pessoa consumista e materialista, que gostava de mandar em tudo, não imaginava o que lhe aconteceria e muito menos que o ajudaria a ser uma pessoa melhor, mesmo que através do sofrimento que era conseqüência de seus próprios atos passados.
Segundo seus pais, desde cedo Arthur se mostrava “mandão”, não gostava que suas ordens fossem descumpridas, ainda mais quando era acometido de uma dor insuportável oriunda de uma úlcera gástrica. Só elogiava quando entendia que a pessoa gostava dele, porém, havia algo de diferente em sua personalidade, era bom de coração, tinha o hábito de ajudar pessoas que estavam em situações de dificuldade o que parecia ser contraditório, mas eram indícios da preparação que teve no período pré-encarnatório. Vinha de vidas com dívidas ativas, aliás, quem de nós não as tem?
Voltando ao Espírito comunicante: “Eu sofri e sofro até hoje, não havia motivos para ele ter feito o que fez enganar-me durante anos dizendo que gostava de mim e preparar um plano mirabolante para roubar-me os bens, como fez com maestria. Eu era detentora de muitas terras que meus pais haviam deixado, nas quais trabalhei de sol a sol para fazê-las produzir, e isso aconteceu. Éramos produtores de café e gerávamos muitos empregos para famílias desafortunadas, meus pais eram muito bons e ajudavam a muita gente, até que um dia ele faleceu de problemas cardíacos e, minha mãe, como era apaixonada por ele, não agüentou e foi-se também dois anos após. Foi ai que ele se aproximou de mim, pois era meu primo em primeiro grau, seu pai era irmão do meu, e prometeu me ajudar porque as responsabilidades eram muito grandes, muito negócio a ser organizado e foi ai que aceitei. No começo ele foi extremamente atencioso e me mostrava tudo o que fazia, com o passar do tempo, comecei a estranhar que os valores arrecadados com a plantação e venda do café estava cada vez mais baixa. Com o passar do tempo adoeci, fiquei completamente dependente da cama devido às dores de estômago que a cada dia intensificavam-se e ficavam fortíssimas ao ponto de eu não aguentar mais, e vir a falecer. Quando acordei, ainda com dores muito fortes, notei que o local onde estava era de intensa calmaria, porém não entendi o que havia acontecido comigo, cheguei a achar que estava acordando de uma cirurgia e tentei me comunicar com pessoas, mas não havia ninguém que pudesse me orientar. Comecei a andar com muita dificuldade até que me deparei com pessoas conversando ao redor de um lindo lago, foi quando perguntei onde estava e para minha surpresa uma dessas pessoas era meu avô materno Levir que havia falecido quando eu tinha 12 anos de idade, e perguntei: “Como pode ser a senhor vovô, se estou com 47 anos de idade e a senhor faleceu quando eu era criança”? Ele, amavelmente respondeu: “Minha amada netinha estou Feliz em reencontrá-la e a resposta para sua dúvida virá de você mesma”.
Aconteceu algo que eu senti de instantâneo: ”Vovô, aquele livro que li sobre vida após a morte tem algo haver com isso”? Ele respondeu, beijando-me a face: “Sim minha filha, não imaginei que entenderia tão rapidamente assim, você desencarnou”! “Mas não te desesperes porque estás em um lugar bastante agradável, as pessoas que aqui habitam estão nas mesmas circunstâncias que você, precisam se recuperar e seguirem suas vidas”. “De pronto me desesperei e parti em busca de não sei o que, fui em desespero a um lugar que me era familiar guiada pelo meu sofrimento. Era um bairro vizinho ao que eu morava, ali estava meu primo Jarbas. Quando eu o vi percebi que suas idéias e intentos haviam triunfado, ele me envenenou aos poucos para ficar com minha herança e ninguém percebeu nada devido aos “cuidados” que teve em colocar, diariamente, porções de veneno em minhas refeições, assim ninguém desconfiaria de nada. Foi o que acabou acontecendo. Descobrindo a trama macabra, passei a odiá-lo de forma mortal e iniciei um processo de obsessão mesmo sem saber o que era e como fazer, tentei bater em sua face e foi ai que notei que a cada tentativa eu não conseguia, porém, ele se incomodava com as investidas”.
“Fiquei anos a atormentá-lo e, quando notei que podia fazer isso, diante das suas fraquezas e maldades, percebi que ele adoecia a cada dia devido a uma dor de estômago fortíssima e veio a falecer após sete anos de perturbação de minha parte. Quando ele morreu fui tomada por uma espécie de sonolência e perdi totalmente a noção das coisas acordando num lugar asqueroso, levada por pessoas de aparências horrorosas e mal cheirosas que me ensinavam coisas tenebrosas. Não fui maltratada, mas o local era um verdadeiro inferno, onde não havia noção de tempo e somente percebi isso após convivência com Espíritos mais experientes que eu e que me informaram já ter passado mais de 70 anos no tempo da terra, sendo assim, logo percebi que tive atenção total devido as minhas intenções que era vingar-me de meu primo. Mas como fazer isso se não sabia como encontrá-lo? Veio a informação dos detratores ao dizerem-me o seguinte: “Vamos até seu primo, sabemos onde ele está”. Não pensei duas vezes e parti em companhia deles até chegar a um local escuro e de muitos gritos, para minha surpresa vi Jarbas agachado como se estivesse defecando, mas era de dor, seu estômago lhe atormentava através de sensações sofríveis, mas não tive pena alguma e parti para o ataque. Ele não se movia e me dizia coisas horrorosas do tipo: “Você era fraca nos negócios e iria levar tudo a falência, por isso tive que tomar a frente das coisas”. Respondi agressiva: “Mas nada era seu, meus pais deixaram-me os negócios como herança depois de uma vida inteira de trabalho, seu canalha”. A ambição de Jarbas era incontrolável e enquanto encarnado não media esforços para obter as coisas.
“Continuei a obsediá-lo até que um dia, quando voltei de um local de organização de detratores, ele havia sumido e daí não o vi mais. Fui encontrá-lo encarnado como Arthur por informações daqueles que queriam que eu continuasse a maltratá-lo, por isso estou aqui para me vingar”.
Mas qual é o seu nome, perguntou o amável Sr José? Respondeu-lhe o Espírito: “Me chamo Josefa”! “Então querida, estás mais aliviada por ter desabafado”? “Confesso que sim Sr José, ainda mais com seu afeto e peço desculpas por ter sido deselegante com uma pessoa tão bondosa”. “Porque não se livra desse sentimento que a atormenta tanto”? “Não percebes que estás fazendo o mal também a si própria”? “Sim, confesso que estou profundamente angustiada e sofrível, até porque são anos de tormenta devido a covardia do Jarbas, hoje Arthur”. Vamos fazer um trato, sugeriu Sr José: Respondeu com certa curiosidade, Josefa: “Que trato”? “Porque não aceitas a ajuda dos amigos que ai estão para que possas ser levada a um lugar abençoado, sem sofrimento e de recuperação”?
Antes de ela responder um Espírito pediu passividade, sendo permitido por Sr José: “Quem deseja falar, perguntou amavelmente”: “Deus seja louvado e continue a abençoar a todos nós”. Iniciou o Espírito comunicante: “Chamo-me Levir e sou avô de Josefa e Jarbas, hoje, Arthur”. “Venho para ajudar a ambos e, principalmente a ela, para que desista de se atrasar na senda da evolução, o que aconteceu foi uma história de triste desfecho, porém, diante de tais ensinamentos, acredito que ambos já tenham conhecimento suficiente da situação para que tomem atitudes mais elevadas no perdão e, consequentemente, sigam seus caminhos sob a orientação de nosso mestre Jesus”. Sr José agradeceu ao irmão desencarnado e disse que ele teria sido importantíssimo e se poderia encaminhar Josefa a um local de atendimento fraterno. Levir respondeu de pronto: “Estou aqui para isso, aliás, venho a tempos tentando orientar a Josefa para que não continuasse em tais investidas, acho que só depende dela”.
Josefa tomou a conversa e respondeu: “Querido vovô, acho que estou muito cansada e dolorida de tanto querer vingança, agora entendo que será importante para mim ser levada pelo Sr a algum lugar que possa me cuidar”. ”Repito minha amada neta, estou contigo todo esse tempo para essa finalidade, sendo assim, podemos ir”? Sim, respondeu aliviada e cansada sem deixar de agradecer ao Sr José: “Obrigada meu amigo bondoso, devo-lhe muito”. Sr José, de pronto retrucou: “Não me deve absolutamente nada, nessa minha tarefa, meu “pagamento” é vê-la bem”. “Mas antes de partir, gostaria de saber como fica seu sentimento em relação a Arthur”? Ela, como que sem entender a rapidez dos acontecimentos, respondeu somente de forma racional: “Não quero mais me perturbar perturbando a ele, espero que faça algo de bom para pessoas necessitadas e que entenda o que passei”.
Atento a tudo, Arthur chorava de forma verdadeiramente jubilosa e prometeu a Deus, em oração, que quando saísse dali pediria aos seus pais que lhe doasse em vida parte da herança a que tem direito, pois iria reverter em ajuda a crianças portadoras de câncer e abandonadas por pais irresponsáveis. Para sua surpresa, antes de partir, Josefa, lendo seus pensamentos, falou com ele: “Acho que todo sofrimento pelo qual passamos serviu e dará frutos, sua atitude é louvável. Siga em frente”.
Saídos da reunião aliviados, todos os envolvidos ouviram de Arthur: “Chegou a hora de eu começar meu trabalho": “Servir ao próximo”.

Passados seis anos, Arthur veio a desencarnar devido a úlcera no estômago e seus pais deram continuidade ao trabalho que ele havia iniciado construindo uma casa de caridade, intitulada: “Casa de Arthur”.

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