segunda-feira, 22 de julho de 2013

"Judas, O Ser Divino"!



“QUEM FOI JUDAS”?
  
Diante de uma infinidade de conhecimentos e informações ao longo dos tempos, temos, ainda hoje, diversas dúvidas em relação a muitas coisas que não entendemos por causa das nossas imperfeições. O que me trás curiosidade é o fato de, mesmo tendo diante dos olhos tanta comprovação, fatos incontestáveis, verdades santificantes e poder de entendimento latente, permanecemos sem querer ou não conseguimos ver o que é nítido e notório. Pergunto: Porque?
Já pensamos que estamos diante da transformação do planeta, em todos os sentidos? Ok, mas porque achamos, sempre, que essa transformação é de destruição e não para a construção de uma nova era que surge objetivando a redenção dos endividados morais e intelectuais? Porque a visão de um Tsunami, por exemplo, é tida como "ira de Deus" (para os radicais religiosos) a nos castigar? Ainda há fome e doenças em demasia no planeta, então porque achamos que se trata do DEMÔNIO agindo sem a nossa autorização, a nos destruir? Porque Judas é tido como traidor? Quantos de nós estudamos e pesquisamos a história através das ciências, como a Antropologia, Sociologia, Psicologia, Medicina, Engenharia... ? Será que não somos traidores, também, quando negamos a verdade e a deturpamos? Vale pensar. É a partir daí que inicio minha discussão sobre um ser que, há séculos, vem sendo alvejado moralmente por várias gerações sem mesmo pararmos para discutir fatos como: política, moral, cultura, educação, tecnologia...
Meus relatos, dúvidas, descontentamentos, incertezas, certezas, começam a partir de alguém que, para mim, deixou um legado de "salvação" e conhecimentos de como somos e não devemos ser. Falo do expressivo e importantíssimo, JUDAS.
Diante dos estudos ao longo das épocas, percebemos que atribuíram a Judas todas as maledicências possíveis e imaginárias de um ser que foi exclusivamente traidor mas, e as questões políticas da época? Na missão de Jesus (o mesmo sabia o que viria a lhe acontecer) não estaria Judas incluído? Ih, o Iran "pirou" de vez, você deve estar se questionando. Não creio, pois baseado nas potencialidades e objetivos pelos quais o mestre veio até nós, acho e entendo (?) que por trás disso tudo, poderia sim estar Judas incluído para fazer o "papel" que ninguém de bom senso o faria. Nem mesmo Judas, de forma consciente (?).
Se isso proceder, entendo que Judas teve importância crucial no trabalho de Jesus, pois, ninguém, dentre os que seguiam a Jesus, tinha condições de entender o que só Judas entendeu: Libertar o divino mestre e dar novos rumos à sociedade já corrompida pela ganância e pela fé cega de um povo em ebulição no que se refere a conquistas. (Visão filosófica)
Os primeiros bispos da igreja católica chamaram o evangelho de Judas de herege, pelo fato de o mesmo conter verdades que iriam de encontro aos interesses da instituição religiosa, assim como aconteceu a mais ou menos 350 a/c com Sócrates que, ao se opor ao sistema de casta da época, foi obrigado a tomar o veneno cicuta. Embora tenha morrido, não abriu mão dos seus ideais nos deixando uma herança abençoada, já naquela época, que era: Pensar, falar e agir. Voltando ao iluminado Judas, pude perceber que suas atitudes soaram e soam até hoje como uma traição aquele que foi, é e sempre será nosso salvador (?), todavia, vejo que determinadas atitudes por parte de pessoas que tem em mãos os desígnios da história, precisam ser tomadas para que, mesmo num futuro distante, a vida siga seu curso e as pessoas entendam como estão erradas. Nada de excluirmos as ações de Judas, apenas vejo que a condenação eterna é que precisa ser revista.
Será que já paramos pra pensar também que tudo isso aconteceu devido ao sistema da época, a cultura (criada por nós mesmos), os valores morais, o desentendimento religioso que efervescia e a política ordinária dando continuidade ao que já havia começado na Grécia antiga?
Farei agora alguns questionamentos para que todos reflitam, discordando ou concordando, de acordo com suas convicções e entendimentos de forma não convencional, aquela que estamos acostumados a ver e repetir ao longo das existências, porém, de uma maneira mais filosófica e racional, no meu modo de ver.

1) Porque o bispo Irineu, de Lyon, (180 / 200 d/c) chamou de infame o fato de terem atribuído a Jesus a escolha de Judas como seu discípulo principal?


2) Seria coerente imaginar que Jesus sabia o que lhe aconteceria e que Judas estaria envolvido no episódio histórico, deixando assim uma herança bendita para nós?


3) Assim como Jesus, não me refiro a grau evolutivo, Judas seria um Espírito “missionário”?

4) Se o evangelho de Judas tiver vindo da Grécia e decifrado no sul do Egito, como afirmam os pesquisadores Suíços, passaria ILESO pelas mãos de seres de cultura, conhecimentos e níveis morais tão diversos sem ter sido modificado de acordo com seus interesses e entendimentos?


5) Se Judas ficou estigmatizado como traidor ao longo das existências e, partindo do principio que somos imortais e reencarnamos sempre que necessário, como estaria o Espírito Judas?

Vejamos parte da entrevista que Judas concedeu a Humberto de Campos.

Nas margens caladas do Jordão, não longe talvez do lugar sagrado, onde o Precursor batizou Jesus Cristo, divisei um homem sentado sobre uma pedra. De sua expressão fisionômica irradiava-se uma simpatia cativante.

- Sabe quem é este? - murmurou alguém aos meus ouvidos. - Este é Judas.

- Judas?!...

- Sim. Os espíritos apreciam, às vezes, não obstante o progresso que já alcançaram volver atrás, visitando os sítios onde se engrandeceram ou prevaricaram, sentindo-se momentaneamente transportados aos tempos idos. Então mergulham o pensamento no passado, regressando ao presente, dispostos ao heroísmo necessário do futuro. Judas costuma vir a Terra, nos dias em que se comemora a Paixão de Nosso Senhor, meditando nos seus atos de antanho...

Aquela figura de homem magnetizava-me. Eu não estou ainda livre da curiosidade do repórter, mas entre as minhas maldades de pecador e a perfeição de Judas existia um abismo. O meu atrevimento

- O senhor é, de fato, o ex-filho de Iscariotes? - perguntei.

- Sim, sou Judas - respondeu aquele homem triste, enxugando uma lágrima nas dobras de sua longa túnica.
Como o Jeremias, das Lamentações, contemplo às vezes esta Jerusalém arruinada, meditando no juízo dos homens transitórios...

- E uma verdade tudo quanto reza o Novo Testamento com respeito à sua personalidade na tragédia da condenação de Jesus?

- Em parte... Os escribas que redigiram os evangelhos não atenderam às circunstâncias e as tricas políticas que acima dos meus atos predominaram na nefanda crucificação. Pôncio Pilotos e o tetrarca da Galileia, além dos seus interesses individuais na questão, tinham ainda a seu cargo salvaguardar os interesses do Estado romano, empenhado em satisfazer as aspirações religiosas dos anciãos judeus. Sempre a mesma história. O Sanedrim desejava o reino do céu pelejando por Jeová, a ferro e fogo; Roma queria o reino da Terra. Jesus estava entre essas forças antagônicas com a sua pureza imaculada. Ora, eu era um dos apaixonados pelas idéias socialistas do Mestre, porém o meu excessivo zelo pela doutrina me fez sacrificar o seu fundador. Acima dos corações, eu via a política, única arma com a qual poderia triunfar e Jesus não obteria nenhuma vitória. Com as suas teorias nunca poderia conquistar as rédeas do poder, já que, no seu manto e pobre, se sentia possuído de um santo horror à propriedade. Planejei então uma revolta surda como se projeta hoje em dia na Terra a queda de um chefe de Estado. O Mestre passaria a um plano secundário e eu arranjaria colaboradores para uma obra vasta e enérgica como a que fez mais tarde Constantino Primeiro, o Grande, depois de vencer Maxêncio às portas de Roma, o que, aliás, apenas serviu para desvirtuar o Cristianismo. Entregando, pois, o Mestre, a Caifás, não julguei que as coisas atingissem um fim tão lamentável e, ralado de remorsos, presumi que o suicídio era a única maneira de me redimir aos seus olhos.

- E chegou a salvar-se pelo arrependimento?

- Não. Não consegui. O remorso é uma força preliminar para os trabalhos reparadores. Depois da minha morte trágica, submergi-me em séculos de sofrimento expiatório da minha falta. Sofri horrores nas perseguições infligidas em Roma aos adeptos da doutrina de Jesus, e as minhas provas culminaram em uma fogueira inquisitorial, onde, imitando o Mestre, fui traído, vendido e usurpado. Vítima da felonia e da traição deixei na Terra os derradeiros resquícios do meu crime, na Europa do século XV Desde esse dia, em que me entreguei por amor do Cristo a todos os tormentos e infâmias que me aviltavam, com resignação e piedade pelos meus verdugos, fechei o ciclo das minhas dolorosas reencarnações na Terra, sentindo na fronte o ósculo de perdão da minha própria consciência...

- E está hoje meditando nos dias que se foram... - pensei com tristeza.

- Sim... Estou recapitulando os fatos como se passaram. E agora, irmanado com Ele, que se acha no seu luminoso Reino das Alturas que ainda não é deste mundo, sinto nestas estradas o sinal de seus divinos passos. Vejo-O ainda na cruz entregando a Deus o seu destino... Sinto a clamorosa injustiça dos companheiros que O abandonaram inteiramente e me vem uma recordação carinhosa das poucas mulheres que O ampararam no doloroso transe... Em todas as homenagens a Ele prestadas, eu sou sempre a figura repugnante do traidor... Olho complacentemente os que me acusam sem refletir se podem atirar a primeira pedra... Sobre o meu nome pesa a maldição milenária, como sobre estes sítios cheios de miséria e de infortúnio. Pessoalmente, porém, estou saciado de justiça, porque já fui absolvido pela minha consciência no tribunal dos suplícios redentores.

Quanto ao Divino Mestre - continuou Judas com os seus prantos - infinita é a sua misericórdia e não só para comigo, porque, se recebi trinta moedas, vendendo-O aos seus algozes, há muitos séculos Ele está sendo criminosamente vendido no mundo a grosso e a retalho, por todos os preços, em todos os padrões do ouro amoedado...

- E verdade - concluí - e os novos negociadores do Cristo não se enforcam depois de vendê-LO.

Judas afastou-se tomando a direção do Santo Sepulcro e eu, confundido nas sombras invisíveis para o mundo, vi que no céu brilhavam algumas estrelas sobre as nuvens pardacentas e tristes, enquanto o Jordão rolava na sua quietude como um lençol de águas mortas, procurando um mar morto.

Vale pensar e refletir, pelo menos os que desejam abrir as suas mentes e assim ter a possibilidade de entendimento acerca das verdades benditas.
(Humberto de Campos, por Chico Xavier - Crônicas. FEB Editora)


Iran Damasceno.

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