quinta-feira, 4 de julho de 2013

"Novela Boa Também É Cultura"






"Quando a arte imita a vida em sua mais perfeita acepção e singularidade pluralizada".

Olá, leitor amigo!

Duas virtudes mais admiráveis em um ser humano: A gratidão e o reconhecimento das falhas! Hoje me rendo ao erro sobre o que eu disse, a tempos, sobre um autor de novelas que era tido por mim como chato e até mesmo melancólico. Refiro-me ao excelente Manoel Carlos, vulgo "maneco". Ontem eu voltei no tempo em relação a algo que eu achei que nunca mais fosse ocorrer comigo, que é me emocionar com novelas, porém informo que isso ocorreu com uma novela mais antiga e que as novas não me atraem em nada. O final da novela Felicidade foi emocionante e me deixou com lágrimas nos olhos, pude perceber coisas e situações que antes eu não percebia e agora, diante de um momento de maior maturidade e personalidade fortalecida, atentei aos fatos abordados e as características das personagens me chamaram demais.
A novela passou entre 7 de outubro 1991 e 30 de maio de 1992, escrita por Manoel Carlos, colaboração de Elizabeth Jhin, dirigida por Denise Saraceni e baseada nos contos de Aníbal Machado, trazendo tônicas sobre assuntos do dia a dia em uma sociedade moderna e, o que para mim foi marcante, como disse, foram as personagens e as mesmas interpretadas por grandes atores. Agora, para que o leitor se atente ao que quero dizer, vamos aos personagens, alguns é claro, para traçar os seus perfis e podermos perceber alguma similaridade conosco ou com alguém que conheçamos. Vale lembrar, que: Não tenho a menor dúvida que pelo menos um deles que citarei, temos algum conhecimento. São eles:



Chico Treva!

Essa personagem, brilhantemente interpretado pelo excepcional ator Edney Giovenazzi, marcou pela sua bondade de homem puro que foi "marcado" pela vida devido aos seus defeitos físicos, entretanto detentor de uma bondade contagiante. Marcou não somente a carreira do ator, mas a nossa imagem em relação ao que nós observamos como "feio". Lindo!




Ataxerxes!

Outro personagem que me chamou demais, até porque temos algumas semelhanças (?), foi o do ótimo ator Umberto Magnani, que interpretou o "Ataxerxes". Homem sonhador e de boa índole, todavia estava sempre sonhando com a cabeça na lua e os pés também. Por causa disso acabou aprisionando a família e principalmente a mulher por causa dos seus sonhos descabidos. Muito engraçado e aprazível de se ver. Marcou!




Álvaro!

O sempre providencial e, diante do seu estilo, o talentoso Toni Ramos, marcou a trama por um aspecto fundamental e que está difícil de encontrarmos na vida real. Pessoa de bem e altruísta! Homem honesto aos extremos, carinhoso com todos e um verdadeiro "gentleman" na arte de lidar com as mulheres. Muito bom!




Mário!

O também bom ator Herson Capri marcou como aquele cara "bom de onda" com todo mundo e de um coração enorme, passou a novela inteira tentando conquistar o coração da "mimada" Helena (Maitê Proença). Muito difícil de encontramos em qualquer esquina uma pessoa com tamanha calma e discernimento das coisas. Foi muito legal e ensinou demais.




Zé Diogo!

A "minha cara" em termos de subversões, no sentido de lutar pelos seus direitos e sonhos. Íntegro e perseverante, porém impulsivo, lembra bastante o jovem da década de 1980 que queria tomar o mundo devido a abertura de novos horizontes. Escritor ideológico, abria mão de ganhar dinheiro para escrever sobre o que achava que poderia homenagear. Deu equilíbrio a trama quando "peitou" a mimada Helena e lhe disse sobre as suas ir responsabilidades. Muito legal!




Helena!

A personagem central que causava até mesmo uma certa raiva por ser uma mulher mimada em seus anseios, talvez pelo fato de ter tido três homens apaixonados por ela, o que a fez se sentir, ainda que de maneira "meio inconsciente" uma "dondoquinha" e comprometendo a saúde mental da própria filha. Em vários momentos da trama me irritou profundamente, mas vale lembrar que era uma mulher de bom coração quando perdoou e ajudou a vilã Débora (Viviane Pasmanter). Bom pra estudo sobre a carência e mimos de certas mulheres.




Débora!

Toda trama que se preze tem que ter o vilão ou a vilã. Essa foi uma das mais odiadas na história das telenovelas vividas pela ótima atriz Viviane Pasmanter. Tratava-se de uma psicopata que atrapalhava a vida de todos, inclusive do próprio filho e do ex-marido que era o seu objeto de cobiça. tramava as suas agruras de maneira sorrateira e fingia-se de boa moça pra conseguir o que queria mas, o pior de tudo, que caracteriza o psicopata, era passar por cima de tudo e de todos para conseguir o que queria sem arrependimentos. Excelente a atuação da atriz e a personagem me serve de estudo. Extremamente NARCÍSICA!




Família Batista!

Família de classe media baixa que tinha como sonho se dar bem na vida, através do trabalho. Gente honesta! A Tuquinha (Maria Ceiça), uma mulata de talento e de coração puro, assassinada pelo também psicopata Tide (Maurício Gonçalves) foi vitima da sua grande bondade por querer ajudar a quem não queria sua ajuda. Marcaram pela alegria e por representarem uma família que vive em uma vila onde os vizinhos são unidos e as festas ocorrem constantemente. A tipica família brasileira!



Ametista!

Essa personagem (Ariclê Perez - memória), infelizmente falecida de maneira trágica, me chamou demais pelo fato de seu problema ser bastante comum principalmente com as mulheres que queriam se emancipar na década de 1970, onde a mesma teve que abandonar seus sonhos para acompanhar o marido e, assim como não foi resolvido, ficou com aquela frustração guardada em seu íntimo levando-a a falecer de emoção ao assistir a uma apresentação de balé, que era o seu maior sonho. Muito profundo e marcante!

Bem, por aqui eu fico mas antes de ir, gostaria de dizer: Novela pode ser sim uma grande diversão e principalmente uma forma de refletirmos sobre a realidade da qual fazermos parte, entretanto vale lembrar que  para isso acontecer a mesma precisa ser bem escrita e dirigida, pois do contrário vira essas porcarias de hoje em dia que somente se preocupam em mostrar bundas e assassinatos, além ensinarem como ser promiscuo. Parabéns maneco e desculpe o meu preconceito.

Felicidades pra todos nós...

Iran Damasceno.







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