QUERIDOS AMIGOS DE IDEAL ESPÍRITA:
Embora o blog seja meu e eu tenha total autonomia em publicar o que quiser, ainda assim entendo que possuo um compromisso com aqueles que acompanham as minhas postagens e principalmente com a ética e a verdade, sendo assim, diante de fatos e questões que vem sendo levantados ao longo dos últimos dias, resolvi postar, na ÍNTEGRA, o texto do Alamar Régis em resposta aos questionamentos que foram feitos sobre a questão dos direitos autorais dos livros publicados no universo espirita. Espero que leiam com atenção!
Iran Damasceno.
O arrependimento e a decepção de
Chico Xavier
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Ao final eu
coloco um escrito, de autoria do próprio Allan Kardec que,
certamente, vai fazer muito espírita, pelo menos os que raciocinam,
perceber o quanto grande parte do movimento anda na contramão do
Codificador, fazendo "espiritismo" totalmente diferente daquilo que
ele ensinou e praticou.
"Prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter
aquela velha opinião formada sobre tudo" - Raul
Seixas.
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Alguns amigos, muitas vezes até bem
intencionados, costumam dizer que certas coisas não devem ser divulgadas,
apesar de verdadeiras. Alguns outros chegam a dizer o tal de “tem certas coisas que não constróem” e
que podem até trazer efeitos negativos.
Entendo a boa intenção desses amigos,
mas acho que quem se dispõe a viver com dignidade, um dos princípios que
deve adotar é o da transparência.
A recomendação do “tem certas
coisas que não contróem” é algo que precisa ser questionado e
analisado com mais profundidade, porque em nome dessa colocação poderemos
praticar a omissão, e, por conta disto, causar problemas, prejuízos e até
sofrimentos a muita gente.
Se eu sei, por exemplo, que tem um
indivíduo que é ladrão, próximo a gente que eu estimo, em nome do
“certas coisas não constróem”, eu vou deixar a pessoa amiga ser
roubada, só porque não vale a pena comentar “certas coisas”?
Ora, amigos, tenham a santa paciência,
mas o mundo precisa de mais transparência e chega de tanta máscara e
d
e tanto fingimento de bondade de mentirinha.
Muita gente, em nome da humildade,
prefere ficar igual a esses macaquinhos aí da figura ao lado, com medo de
falar, na base do eu não ouvi nada, não vi nada e não falo
nada.
Isto é absurdo, porque é omissão, um
dos maiores pecados que o homem pode cometer.
Estou vendo aí muito espírita escrever
besteiras, bobagens enormes, em milhares de emails que tenho recebido. Me
desculpem, pelo que possa parecer exagero, gente, quando eu falo em
milhares e não em dezenas ou centenas, mas, eu não permito fingir de
humilde dizendo que só recebo uma meia dúzia de e-mails, de uma meia dúzia
de gatos pingados, porque eu estaria sendo ridículo para comigo mesmo. Não
tenho culpa de ter tanta gente que gosta e que pede, cada vez mais, para
receber os meus escritos.
Na ânsia de se aproveitarem do
momento, para lançarem os seus venenos contra a dona Zíbia Gasparetto,
pela matéria da ISTO É, estou vendo muita gente afirmar, com uma veemência
impressionante, que o Chico Xavier nunca se disse arrependido de ter
transferido os direitos sobre as obras psicografadas por seu intermédio,
obviamente se aproveitando do momento para chamar a dona Zíbia de
mentirosa e leviana, ao afirmar coisa que talvez o fato não teria
existido.
É impressionante o nível de moralidade
que alguns espíritas se acham, a tomarem iniciativa de julgar, opinar e
condenar uma pessoa que ao menos conhece. Todo mundo tem o direito de
opinião, mas de colocar o seu achismo como verdade e de julgar não, muito
menos condenar.
Na verdade, gente, Chico disse mesmo,
e como disse, não apenas uma vez, mas várias, que se arrependeu de ter
passado os direitos de todas as suas obras e eu vou contar a história, que
é impressionante e que, até, deixa muita gente indignada, como deixou a
mim e ao próprio Chico. É algo que ocorreu lá pelos idos de
1979.
Federação Espírita do Estado
de São Paulo, 1991
Em 16 de dezembro de 1990 eu, Alamar,
lancei a partir de Belém do Pará, o primeiro programa de televisão via
satélite, do Brasil, de iniciativa fora das emissoras tradicionais de
televisão, como Globo, Bandeirantes, SBT, etc... Portanto, quando vocês
verem aí a Rede Vida, Canal do Boi, Canal do Joquei e vários outros que
estão na parabólica, fiquem sabendo que quem foi o pioneiro nisto, no
Brasil, foi o Alamar.
No caso do meu programa, tratava-se de
um programa espírita, chamado “Espiritismo via Satélite”, transmitido ao
vivo, diretamente do auditório da EMBRATEL, numa manhã de domingo, das dez
ao meio dia, para todo o país, como um piloto, sugestão para que o
movimento espírita brasileiro passasse a usar aquele instrumento como
divulgação da doutrina. Quem não o conheceu, entre no Google e pesquise
pelo meu nome, que vai ver muitos programas que estão lá.
Não é preciso dizer que a maioria dos
dirigentes espíritas e federações não deram a menor bola e até
consideraram o autor do projeto como obsediado, perturbado, alucinado,
afoito, fascinado e toda adjetivação pejorativa que você possa imaginar.
Eu passei a ser visto como um irresponsável.
Todavia encontrei, também, vários
espíritas lúcidos que, pelo contrário, no exercício prático da
verdadeira humildade e não daquela “humirdade” que muitos apenas pregam em
teoria nas suas tribunas espíritas, tiveram RESPEITO pela idéia, foram ao
auditório da EMBRATEL das suas cidades assistirem a transmissão,
enviaram-me correspondências comentando ou pedindo esclarecimentos de
dúvidas e maiores informações.
Dentre essas pessoas, quero homenagear
algumas aqui, que me lembro muito bem:
Dr. Hernani Guimarães Andrade e
Richard Simonetti, em Baurú, SP; Dr. Ildefonso do Espírito Santo, Dr.
Joseval Carneiro, Francisco Bispo dos Santos, Carlos Bernardo Loureiro e
outros, em Salvador, Bahia. Marcus Vinícius Ferraz Pacheco, Heleno Vidal e
outros em Recife; Benvindo Melo e outros em Fortaleza; o engenheiro Hélio
Burmeister, da FERGS, no Rio Grande do Sul; Professor Octávio Ulysséa, de
Curitiba; Wilson Longobucco, no Rio de Janeiro e vários outros
companheiros em várias partes do Brasil.
Eu sempre viajei muito para São Paulo,
como empresário de informática, profissional de televisão e, como
espírita, eram habituais as visitas à FEESP. Nessas visitas havia, também,
algo que me atraía muito, entre várias coisas, que era um restaurante
vegetariano, COM SABOR, que existia lá, simplesmente fantástico, não
consigo entender porque acabaram com ele.
Depois que lancei a idéia do
“Espiritismo via Satélite”, fiquei conhecido por muita gente no Brasil, e,
em 1991, tendo ido a São Paulo e visitado a Federação, fui recebido
carinhosamente pelo Altamirando Carneiro e João Gianini Pascale,
jornalistas que faziam o “Jornal Espírita” e o “Semeador”, (naquele
tempo o Jornal Espírita tinha mesmo porte, cara, tiragem e circulação de
um grande jornal).
Os amigos me apresentaram a Caio
Salama, Júlia Nezu e Durval Ciamponi, então diretores, que também me
receberam com carinho, e, também, ao seu então presidente Teodoro Lausi
Sacco, que me dedicou atenção especial, manifestando o respeito que ele
tinha pelo meu projeto, que o considerava audacioso, corajoso e
oportuno.
Vejam o que aconteceu
-
“Alamar, antes de você ir embora, eu gostaria muito de conversar contigo,
na minha sala. Alta, depois você leve ele até lá”. (disse para
o Altamirando).
Obviamente paramos o bate papo
descontraído que estávamos tendo e eu fui logo à sala da presidência, que
era uma sala muito grande, que tinha uma mesa enorme, de madeira, redonda,
que eu nunca tinha visto outra igual naquele tamanho, ainda mais redonda,
e um cofre antigo também enorme.
Chegando lá, não sei porquê, o Teodoro
trancou a porta, mandou que eu sentasse, em torno da mesa, e
disse:
- “Não costumo
nunca fechar esta porta, mas hoje eu vou fechá-la, para a nossa conversa
ser bem tranqüila”.
E continuou...
-
“Alamar, não sei porque, mas eu tenho que mostrar isto aqui para um
espírita dinâmico, corajoso e destemido que pode, talvez, um dia reverter
este quadro e recuperar algo de muito precioso que o Espiritismo perdeu.
Anteontem, quando você estava aqui nesta sala, trazido pelo Altamirando,
alguma coisa me disse que esta pessoa seria você. Preste bem atenção na
história que vou lhe contar”.
Eu achei muito estranho aquilo.
Afinal, o que o presidente da Federação Espírita do Estado de São Paulo
teria de tão importante assim, para confiar logo a mim, apenas um espírita
comum lá de Belém do Pará, sem falsa humildade?
E disse mais ele:
- “Eu
estarei retornando já à Pátria Espiritual e quero ir tranqüilo, certo de
que esta história não será destruída e que alguém vai dar conhecimento
dela ao movimento espírita.”
E começou a
contar-me uma história, mostrando-me os papéis e fotografias
correspondentes a cada ponto que ele abordava. Tudo documentado. Não
sei onde está aquela pasta, hoje, se está com a esposa dele, dona Ombreta
Sacco, também uma grande mulher e espírita dedicada, se ainda está na
FEESP ou onde está.
Teodoro
desencarnou pouco tempo depois.
A
história é a seguinte:
Os
americanos não queriam nem direitos exclusivos.
Ao fazerem
a proposta, em Uberaba, o Chico emocionou-se tanto e deu mil graças a Deus
por aquilo que ele chamou de “uma bênção”. Só faltou dar pulos de alegria,
se é que não os deu.
-
“Claro, meus irmãos, que eu concordo! Quanta alegria vocês me trazem, como
um verdadeiro presente de aniversário! Isto é uma benção. Acontece que os
direitos das obras foram todos doados à Federação Espírita Brasileira, mas
eu creio que certamente ela autorizará.”
Consta que
o velho mineiro ficou tão feliz, os convidou para almoçar, eles ficaram
três dias em Uberaba, conheceram os trabalhos e um deles até recebeu uma
mensagem psicografada, em inglês, de um parente desencarnado, o que os
encantou ainda mais.
De lá os
homens partiram para Belo Horizonte e em seguida para Brasília, para um
encontro com a diretoria da FEB.
Na FEB, em
princípio, eles levaram um bom “chá de cadeira”.
Mas a
reunião aconteceu, a proposta foi feita a então diretoria e, pasmem
senhoras e senhores, vejam a resposta:
-
“Nós não autorizamos. O problema de tradução é muito sério, vocês vão
adulterar as obras e o prejuízo para o Espiritismo vai ser muito grande.
Lamentamos, mas não autorizamos”.
De fato,
não restam dúvidas de que traduções de obras literárias de um idioma para
outro geralmente causam problemas sérios de interpretação de orações,
porque os tradutores não podem se limitar apenas a traduzirem as frases
como elas aparecem, ou seja, ao pé da letra, mesmo com as colocações
verbais e gramaticais corretas, porque existe um fator indispensável a
considerar que é “como as pessoas do País de origem da língua da
obra entendem determinada frase ou determinada colocação”.
Este é um
problema muito sério e, por incrível que pareça, até mesmo em traduções
das obras básicas, do Francês para o Português, existem contradições ao
pensamento de Allan Kardec e aos pensamentos dos Espíritos, conforme está
no original. As traduções da Bíblia, por exemplo, trazem absurdos
terríveis, por causa disto. Mas não é esta a questão que estamos
analisando agora.
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Traduzamos a frase: “Não posso comprar este celular agora, eu
estou duro”.
Inglês - I can not buy this cellular
now, I'm hard.
Francês - Je ne peux pas acheter ce
cellulaire maintenant, je suis dure.
Alemão - Ich kann es nicht kaufen Sie
dieses Handy jetzt, ich bin zäh.
Italiano - Non riesco a comprare questo
cellulare ora, sono duri.
Espanhol - No puedo comprar este
teléfono ahora, soy
duro.
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Qualquer
brasileiro, de Norte a Sul do país, entenderia que eu não poderia comprar
um telefone móvel, porque eu estou sem dinheiro. O americano, o inglês, o
francês, o alemão, o italiano, o espanhol e povo nenhum entenderia o que
eu queria dizer na frase.
Por
incrível que pareça, se você escrever essa mesma frase em Portugal, que
também fala Português, são os donos da língua, eles também não entenderão.
Lá ninguém chama telefone móvel de celular, e sim telemóvel, e nem dizem
que uma pessoa sem dinheiro está dura.
Por estas
razões que eu expus, concordando obviamente com a preocupação da FEB,
pertinente com certeza, os editores americanos propuseram o
seguinte:
-
“Então os senhores indiquem uma equipe de tradutores juramentados para
acompanharem todo o trabalho de tradução, que nós bancamos todas as
despesas e honorários. Só publicaremos cada obra, após o de acordo da FEB,
para manter a integridade da mesma”.
Os
tradutores juramentados assim como os que falam o idioma fluentemente têm
cuidado na hora de traduzir gírias e expressões adaptadas, para que as
frase sejam traduzidas dentro daquilo que o povo do país de origem
entende.
Mesmo
assim a FEB não autorizou.
Foi
absurda, a recusa. A FEB não teria despesa nenhuma, não teria trabalho
nenhum, era apenas pedir para alguém da sua confiança que
procurasse tradutores juramentados, de preferência, que fossem também da
sua confiança. Não é possível que no Brasil inteiro não tenha ninguém, no
meio espírita, que não fale inglês fluentemente a ponto de trabalhar em
projeto tão gigante, que teria colocado o Espiritismo no
Mundo.
O meio
espírita tem dessas coisas de não valorizar as idéias e os projetos que os
outros lhe apresentam, com a velha conversa do “temos que ter muita cautela”, “temos que ter
muito cuidado com o que se fala sobre a doutrina”, “esse assunto
precisa ser levado à reunião de diretoria”, “precisamos olhar nos
estatutos”, etc... sempre com muita
frieza e indiferença para com as pessoas. Lamentavelmente, esta é uma
realidade que todo mundo pode comprovar em qualquer parte do
Brasil. O pior é que muitas coisas são levadas a apreciação de
diretorias, onde constam membros que não têm a menor competência para dar
qualquer opinião acerca do assunto levantado em questão, quanto mais
decisão para dizer sim ou não.
Não vamos
muito longe: Agora mesmo, que tenho falado sobre o magnífico trabalho do
médium Zé Araújo, em Blumenau, SC, tenho ouvido de alguns expressões do
tipo: “Alamar, você precisa ter muito
cuidado, vá devagar, vá com cautela”, “Veja bem se não é
mistificação, temos que estar atentos pra isto”, “Alamar, olha a
vigilância”... e todas essas
“prudências” que nada tem a ver com prudência.
O Alamar é
um imbecil, o Ney Prieto Peres é um imbecil, Oceano Vieira de Melo também,
Richard Simonetti que também já viu é e até a Suzuko Hashizume, que
conviveu quase mais de 40 anos ao lado do Dr. Hernani Guimarães Andrade
também é, porque somos todos idiotas e não temos capacidade nenhuma de
observação e discernimento.
Pois
bem.
Consta que
os homens ficaram uma semana em Brasília, voltando lá diversas vezes,
solicitando serem atendidos. Foram atendidos apenas uma vez, mesmo assim
do lado de fora, com todos em pé, e não mais foram recebidos, quando
ouviram um funcionário lhes transmitir um recado da diretoria que dizia
que o assunto estava encerrado.
Consta que
o Chico estava num clima parecido de “lua de mel”, tamanha a sua
felicidade, com aquela nova idéia, com aquela maravilhosa probabilidade,
que só poderia ser trabalho da espiritualidade maior, até que lhe veio a
notícia:
A FEB NÃO
AUTORIZOU!
O notável e
bondoso médium entrou num processo de ira tão grande, chegando a passar
mal e até ser levado a um hospital.
Contou-me
um velho amigo, cabeça branca, de Uberaba, que vivenciou tudo isto ao lado
dele, que Chico chegava a falar palavrões, o que não era comum nele e todo
mundo sabe disto.
Foi
quando disse, pela primeira vez, que havia se arrependido de ter
transferido os direitos das obras para a FEB.
A partir
daí decidiu a nunca mais doar os direitos e muito menos autorizar que a
FEB publicasse qualquer livro escrito sob a sua
psicografia.
Certamente
poderá aparecer um desses donos da verdade espírita a querer dizer que o
Alamar está inventando estória, já que a má vontade de espíritas em
relação a outros é uma realidade em nosso meio.
Um amigo,
também muito querido e respeitável, me disse que a história não foi bem
assim, mas procurei conversar com vários outros que vivenciaram a época e
que me confirmaram que a coisa foi realmente assim mesmo, como o Teodoro
havia me relatado.
Há uma
forma facílima de todo mundo tirar a sua conclusão sobre este fato, se foi
verdadeiro ou não: Quem quiser checar o assunto basta observar a relação
de livros psicografados pelo Chico Xavier, notará que, de fato, a partir
de uma determinada época não consta mais livro nenhum do Chico editado
pela FEB.
Existem
alguns livros editados, inclusive no ano de 1971, pela FEB, que são, se
não me engano, o “Rumo Certo”, que é um livro de mensagens do
Emmanuel, e o “Antologia da Espiritualidade”, um livro de poesias
de Maria Dolores. É que ele havia doado esses direitos antes do
acontecido, já que nem sempre os livros eram publicados no ano que o
direito foi cedido.
Basta usar
a inteligência e questionar: Por que motivos o Chico deixou de doar livros
para a FEB, exatamente nessa época? Seria sem motivo
algum?
A partir
daí, podem observar, os livros começaram a ser editados apenas pelas
editoras Clarim, CEC, Edicel, GEEM, FEESP, IDE, LAKE, CEU
etc.
Podem olhar aí nesta tabela ao lado,
que vocês vão ver a relação dos livros do Chico e suas editoras. Podem
observar que até determinado momento ele doava tudo par a FEB, que aparece aí em letras vermelhas, depois
está tudo em letra AZUL, que são as
outras editoras e assim foi até o seu ultimo livro. Nunca mais deu nada
para a FEB.
Será que alguém vai ter coragem de
dizer que o Alamar está inventando história?
Me dizia o
velho amigo de Uberaba que, diante de tão amarga experiência, quando o
Chico dava as novas autorizações para as outras editoras, não as dava mais
com exclusividade para ninguém, exatamente para evitar que acontecesse
novamente o que aconteceu.
No ano
seguinte, 1992, voltando a São Paulo, já amigo do Teodoro Lausi Sacco,
voltei à FEESP para conversar sobre o assunto, indignado ainda com aquilo,
e lhe pedi maiores detalhes e informações sobre o acontecido. Ele me disse
que pouca gente do movimento espírita sabia daquilo e que a lembrança do
fato fazia o Chico muito triste.
Tendo que
retornar à Belém do Pará, pedi à VARIG que desdobrasse a minha passagem,
parando por uns dois dias em Brasília, porque eu queria verificar o fato
junto à própria FEB. Eu sempre procuro conversar com a pessoa, a qual está
sendo acusada, por questão de honestidade, justiça e vergonha na cara, ao
contrário de muita gente, que engole o que falam sobre os outros e não tem
a dignidade de procurarem se informar com a própria pessoa.
Eu já tinha
uma certa amizade com o Nestor João Masotti, que até recentemente foi
presidente da FEB mas na época (1992) era um dos seus vice-presidentes
(a FEB tem mais de um vice-presidente). Ele sempre me tratou muito
bem, com muita atenção... aliás, o Nestor, que está doente, atualmente, e
que por causa da enfermidade teve que deixar a presidência, que agora está
a cargo do Cesar Perri de Carvalho, sempre trata bem a todo mundo, é um
“gentleman”, um espírita do mais alto nível, um homem digno. Não é um
espírita de rótulo.
Do
aeroporto fui direto à FEB e começamos a conversar a respeito do fato. Eu
imaginava que o Nestor soubesse daquilo, por ser um espírita de velha
guarda, muito influente no País e até no exterior, inclusive ex-presidente
da USE (União das Sociedades Espíritas do Estado de São
Paulo). Chegou a ser Secretário Geral do Conselho Espírita
Internacional.
Cheguei até
a perguntar a mim mesmo:
“Puxa
vida, como é que pode, o Nestor Masotti, um homem de São Paulo, atuante no
movimento espírita paulista, não saber disto que me foi informado pelo
presidente da FEESP, também grande nome do espiritismo
paulista?”.
Eu vivia
naquela do “por que eu?”.
Mas são
coisas da vida, ou melhor, coisas de movimento espírita.
Conversamos
muito, relatei para ele tudo o que o Teodoro Lausi Sacco havia me dito, e
até mostrado documentos, e ele manifestou-se surpreso com a
notícia.
Saímos para
almoçar, juntos, num restaurante de Brasília, a bordo de um Del Rey cinza
ou azul que ele tinha e prosseguimos na conversa no restaurante. O assunto
tem bem mais detalhes, mas eu tenho que resumir aqui, já que o pessoal
reclama que eu escrevo demais. No país da cultura do “resumismo”, tem que
escrever pouco, para que as pessoas saibam pouco.
Um mês
depois, mais ou menos, ele me ligou para Belém e me disse o
seguinte:
- “De
fato, Alamar, o episódio aconteceu. Há registros, sim. Mas aconteceu em
uma época em que a FEB atravessou um dos momentos mais difíceis da sua
história, momento este em que quase há um rompimento até mesmo com as
federativas estaduais...”.
Na
oportunidade questionamos, eu e ele:
- “Que
tal a idéia de tentarmos descobrir quem são essas editoras americanas
hoje, quem são esses homens e vermos se eles ainda existem e estão
dispostos a darem continuidade à idéia?”.
O Nestor me
sugeriu isto. Eu fiquei doidinho pra pegar um avião e ir logo até os
Estados Unidos a fim de tentar localizar os editores, mas não consegui me
informar quem seriam eles. Tentei entrar em contato com o próprio Chico
Xavier, mas não me deixaram falar com ele. Se fosse depois do “Espiritismo
via Satélite”, quando eu já estava conhecido em nível nacional, creio que
conseguiria, porque o Chico gostava do meu programa.
Pela cabeça
do Nestor Masotti, tenho certeza de que uma idéia desta jamais seria
reprovada. Mas será que todos os outros dirigentes espíritas, mesmo os
atuais, pensariam como ele?
Vale
lembrar que foi na gestão de Nestor Masotti que surgiu a TV CEI, uma
televisão espírita funcionando via satélite, para todo Brasil, seguindo a
idéia do Alamar, idealista este repudiado por muitos espíritas.
Infelizmente retiraram a TV CEI do satélite e hoje está só como WebTV e em
parceria de programação com a TV Mundo Maior, mas ela esteve totalmente
via satélite, num crescimento enorme, e eu mesmo fui responsável,
juntamente com o Gilson Teles, para incentivá-los e colocá-la em
operadoras de TVs a cabo de várias partes do Brasil, o que aconteceu,
porque nós mesmos conseguimos várias cidades para tal. Muita gente, na FEB
atual, foi e continua sendo contra a TV CEI.
Mas
continuemos no tema em si.
Será que,
pela coisa ser grande demais, não seria reprovada, mais uma vez, pelos
espíritas donos da “pureza” doutrinária que, em nome da “humildade”,
continuam a reprovar tudo o que é grande, na concepção equivocada de que
pelo Espiritismo só se pode fazer coisas pequenas?
Será que,
se houvesse o apontamento de uma pessoa espírita brasileira, indicada para
acompanhar os americanos no processo das traduções, pessoa esta que
certamente seria bem remunerada, obviamente pelas poderosas editoras, não
seria acusada de ganhar dinheiro a custa do Espiritismo?
Será que
não acusariam, também, os americanos de quererem enriquecer a custa da
doutrina?
Quem
conhece bem o nosso movimento sabe as respostas.
Por que não assumem o que fazem?
|
Quem não tem coragem de
assumir o que faz, que pede segredo no que faz, que pede para que
não divulguem o que faz; com certeza absoluta, intimamente tem
consciência de que pratica atos
imorais.
|
Não faço côro a ninguém que queira
brigar com a FEB ou viver a fazer campanhas contra ela, como alguns fazem
aí, inclusive com muito ódio. Pelo contrário, tenho consideração por ela e
sei muito bem que os erros, as omissões, a preguiça de alguns, o
comodismo, o sistema que anda a passos de tartaruga como ela anda não
desmerecem a instituição, porque são características particulares de
indivíduos que são colocados em sua diretoria, só Deus sabe quais
critérios são adotados para as escolhas.
Mas isto não quer dizer que a gente
tenha que omitir fatos lamentáveis, inclusive que trouxeram prejuízos para
o desenvolvimento da doutrina no Brasil e até no mundo, como foi o caso em
questão.
O sistema administrativo espírita, com
raríssimas exceções, lamentavelmente é lento demais, é preguiçoso, é
indiferente e não está nem aí para coisa nenhuma.
Aproveitaram um momento em que, numa
mensagem do Dr. Bezerra de Menezes, ele havia dito que “o processo de unificação é urgente, mas não é
apressado”. Pronto, pegaram esse negócio do “não é
apressado” e aplicaram onde não deve ser aplicado.
E o Mentor Tartaruga tomou o lugar do
Ismael, no comando do espiritismo brasileiro.
A morosidade e a falta de
criatividade, dinamismo, raça, determinação, garra e compromisso com o
progresso é um dos maiores entraves para o desenvolvimento do Espiritismo
no mundo.
A mania do deixar tudo para amanhã, do
ter que levar tudo a apreciação da diretoria, do “temos que consultar os estatutos”, “essas coisas não são assim não”, “vamos com calma, meu irmão”, “precisamos ir devagar”, “a natureza não dá saltos”, “tudo tem seu tempo”, “quando a espiritualidade achar que é para fazer, ela
nos dará o seu sinal”... e todas essas expressões de efeitos,
utilizadas para justificar a preguiça, a indiferença, o descaso, a frieza
e até a incompetência de alguns é algo que chega a ser
irritante.
Vamos cruzar os braços e ficar
esperando que a Espiritualidade venha nas mediúnicas, dizer pra gente,
quando é que devemos fazer as coisas que são atribuições de nós,
encarnados.
Mas... quando que a Espiritualidade
vai dizer isto, se a maioria das casas espíritas só tem mediúnicas para
atender sofredores? Não há espaço para espíritos amigos conversarem a
vontade conosco.
Todo mundo que cria, está obsediado;
quem resolve abraçar grandes desafios, está fascinado; todos os que botam
a cara na frente dos eventos e dos órgãos de comunicação, estão querendo
aparecer à custa da doutrina; quem realiza eventos, está querendo ficar
rico à custa do espiritismo; se alguém sugere aprofundarmos nos assuntos e
questionarmos tudo, simplesmente é polêmico... gente, onde é que vai parar
isto?
Em dezembro mandei uma carta aberta ao
Presidente da FEB, atual, pedindo pronunciamento sobre o problema dos
boicotes, proibições e índex a expositores. Ele não foi omisso, respondeu,
sim, o que é coisa rara, mas simplesmente respondeu dizendo que nada disto
existe, que o sistema federativo nunca proibiu, nunca fez índex ou
boicotou ninguém e que tudo está maravilhosamente bem, como se
estivéssemos no Ministério da União Divina.
Tenham a santa paciência, meus amigos,
será que somos todos ingênuos e bobinhos?
Chico Xavier certa vez disse:
“Eu posso até ser uma besta espírita,
mas não sou um espírita besta”.
Fica aí então, esta matéria, e sugiro
a muitos espíritas para que antes de começarem a redigir certas coisas,
como fizeram milhares para protestarem contra Dona Zíbia Gasparetto, pelo
fato dela dizer que Chico se arrependeu de transferir os direitos das
obras, que pensem duas vezes, para não escreverem bobagens, pela
precipitação.
Para encerrar, vou colocar aqui
algumas palavras DO PRÓPRIO ALLAN KARDEC, mostrando a forma
como ele respondia àqueles que o acusavam de ficar rico à custa do
Espiritismo e se incomodavam com as vendas dos livros que ele
fazia.
Não vou colocar o texto todo, porque é
grande, coloco apenas alguns trechos. Sei que muitos espíritas vão ficar
de cabelos arrepiados e outros até morrendo de vergonha, mas o que há de
se fazer?
Quem quiser conhecer o texto total de
Kardec, que procure na Revista Espírita, escrita por ele
mesmo.
Muita gente se incomodava com o
dinamismo de Kardec e com o sucesso que ele fazia nas suas viagens pela
Europa, abraçado e aplaudido por milhares de pessoas, onde ia, venerado
como uma verdadeira celebridade que era, mesmo como Allan Kardec, falando
de Espiritismo e não como o professor Rivail, que já era famoso quando
falava de educação escolar.
Religiosos católicos e protestantes
baixavam o cacete nele, mas também espíritas se incomodavam demais com ele
e o acusavam de ficar rico à custa da doutrina, de estar milionário à
custa do Espiritismo, exatamente este lamentavelmente modelo que grande
parte do movimento espírita atual copiou.
Vejam o que ele responde, quando era
acusado de ser possuidor de MILHÕES DE FRANCOS, à custa do
Espiritismo:
Prestem bem para o detalhe: Quem
escreveu o relato a seguir foi o próprio Allan Kardec, não foi o
Alamar não.
OS MILHÕES DO SR. ALLAN
KARDEC
Eis a resposta que demos
à pessoa que nos envia tais detalhes:
“Meu
caro senhor, ri muito dos milhões com que me gratifica tão
generosamente o abade V..., principalmente porque estava longe de
suspeitar dessa boa sorte. O relatório feito à Sociedade de Paris,
antes da recepção de vossa carta, aqui publicado, infelizmente vem
reduzir essa ilusão a uma realidade muito menos dourada. Aliás, não
é a única inexatidão desse relato fantástico; antes de tudo, jamais
morei em Lyon(*) e, pois, não vejo como lá me tivessem conhecido
pobre; quanto à minha carruagem de quatro cavalos, lamento dizer que
se reduz aos sendeiros de um fiacre que tomo apenas cinco ou seis
vezes ao ano, por economia.
É verdade que antes das
estradas de ferro fiz algumas viagens em diligências; sem dúvida
fizeram confusão. Mas convém não esquecer que nessa época ainda não
se cogitava de Espiritismo e, segundo o abade, é ao Espiritismo que
devo a minha imensa fortuna.
Onde, então, pescaram
tudo isto, senão no arsenal da calúnia?
Seria tanto mais
verossímil se se pensasse na natureza da população em cujo meio
apregoam tais rumores. É de convir que faltam boas razões para se
deixarem reduzir a tão ridículos expedientes a fim de
desacreditar o Espiritismo. O Sr. abade não vê que vai diretamente
contra o seu objetivo, porque, dizer que o Espiritismo me enriqueceu
a tal ponto é confessar que está imensamente espalhado. Se, pois, se
espalhou tanto, é que agrada.
Assim, aquilo que ele
queria lançar contra o homem, volta-se em benefício da doutrina.
Depois disto fazei alguém acreditar que uma doutrina, que em alguns
anos dá milhões ao seu propagador, seja uma utopia, uma idéia oca!
Tal resultado seria um verdadeiro milagre, pois não há exemplo de
uma teoria filosófica que alguma vez tenha sido fonte de riqueza.
Geralmente, como sucede com as invenções, come-se o pouco que se
tem; seria este, mais ou menos, o meu caso, se se soubesse tudo
quanto me custa a obra a que me dediquei e à qual
sacrifico meu tempo, minhas vigílias, meu
repouso e minha saúde. Contudo, tenho por princípio
guardar para mim aquilo que faço e não gritar dos telhados. Para ser
imparcial, o sr. abade deveria ter feito um paralelo das quantias
que as comunidades e os conventos usurpam dos fiéis; quanto ao
Espiritismo, mede sua influência pelo bem que faz, pelo número de
aflitos que consola, e não pelo dinheiro que
produz.
Se levamos uma vida
principesca, deveríamos dispor, naturalmente, de uma mesa
requintada. Que diria, pois, o sr. Abade se visse minhas mais
suntuosas refeições, nas quais recebo os amigos?
... Se todos os homens
fossem espíritas, não teriam inveja, nem ciúmes, nem se espoliariam
uns aos outros; não maldiriam o próximo nem o caluniariam, porque
ele ensina esta máxima do Cristo: Não façais a
outrem o que não gostaríeis que vos fizessem.
É para pô-la em prática
que não escrevo todas as letras do nome do sr. abade V...
Ensina ainda o
Espiritismo que a fortuna é um depósito de que devemos prestar
contas e que o rico será julgado conforme o emprego que dela tiver
feito. Se possuísse a que me
atribuem e, sobretudo, se a devesse ao Espiritismo, eu seria perjuro
aos meus princípios de a empregar na satisfação do orgulho e na
posse de prazeres mundanos, em lugar de a fazer servir à causa cuja
defesa abracei.
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